ÁGUIA DOURADA

ÁGUIA  DOURADA

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quinta-feira, 25 de dezembro de 2014

AS ORIGENS HISTÓRICAS DO NATAL

No período anterior aos dois últimos milênios, grande parte das civilizações desde a Ásia, passando pelo Egito, todo o Mediterrâneo, Europa, até a atual América do Norte, festejava o novo ciclo do Sol como sendo o acontecimento mais importante da Terra. O chamado solstício de inverno (no hemisfério norte) acontece anualmente no período que varia entre 17 e 25 de dezembro, dependendo do ciclo solar de cada ano, quando o sol ingressa no signo de capricórnio.
Nas arcaicas culturas solares, o solstício de inverno, marcando a mais longa noite e o mais curto dia do ano - a partir de quando a duração do dia começa a aumentar - simbolizava o início da vitória da luz sobre a escuridão.
A mitologia hindu-iraniana fala do Sol como “sol vencedor” e, representando a Luz, era associado ao deus Mithra. Representava também o Bem e a libertação da matéria. Junto aos persas, Mithra nasce como filho de Ahura-Mazda, Deus do Bem, segundo as imagens dos templos e os escassos testemunhos escritos que não foram queimados. O culto era celebrado em grutas sagradas e após a vitória de Alexandre sobre os persas, o culto a Mithra se propagou por todo o mundo grego.
A partir do século II, o Mithraismo passa a ser um dos cultos mais importantes no Império Romano, que o incorporou como “sol invictus” e em sua honra, numerosos santuários foram construídos, a maior parte em câmaras subterrâneas.


Roma sempre se caracterizou pela liberdade religiosa, mas isto acabaria se tornando um problema para os planos de expansão e dominação, pois as revoltas regionais baseavam-se nas diferentes identidades religiosas das províncias. Assim, o imperador Constantino, decidido a criar uma ideologia suficientemente forte para manter coesas as províncias romanas, optou pelo nascente e ainda não organizado Cristianismo, que por ser uma doutrina dotada de forte caráter repressivo, poderia se adequar aos seus objetivos.
Constantino oficializou sua conversão oficial ao Cristianismo, justificada em torno de uma lenda e, no ano de 325, convocou um concílio em Nicéia, com a finalidade de estabelecer normas de apoio ao seu projeto de expansão e solidificação do Império. Os membros do concílio realizaram adulterações e adaptações no Cristianismo então praticado, acrescentando à personalidade de Jesus diversos elementos e mitos pagãos.
Dentre as dezenas de relatos – denominados Evangelhos - selecionaram quatro narrativas que, após adaptações que evitassem contradições, foram decretadas incontestáveis. Os demais foram considerados “apócrifos” e, portanto, proibidos. Quem neles acreditasse ou preservasse seria condenado à pena de morte. Outro ponto importante foi a total descaracterização de Jesus como judeu e a ênfase numa suposta culpa do povo judeu na sua condenação e morte. Este aspecto acompanharia o cristianismo através dos milênios, gerando e apoiando o antissemitismo em todas as suas nuances, justificando a perseguição e a conversão forçada.
Em 336 o Cristianismo foi decretado religião oficial de todo o Império Romano, tornando todas as outras ilegais. Se até então, Roma era uma potência mais preocupada com o recolhimento de impostos nos territórios ocupados, deixando que os povos praticassem livremente as respectivas religiões, com o imperador Constantino tornou-se um império religioso, sediando a Igreja Católica Apostólica Romana.
No entanto, como os povos não esqueciam e prosseguiam praticando culto as suas Divindades ligadas à Natureza, a Igreja passou a fazer coincidir as datas dos festejos cristãos àquelas das efemérides astrológicas. O calendário oficial também começaria a ser modificado. As festas associadas aos Deuses de todas as culturas arcaicas começaram a ser cristianizadas onde quer que se manifestassem.  Ao mesmo tempo em que se tentava destruir a memória ancestral, embutiam seus símbolos e significados no Cristianismo, a religião oficial do Império, criada e adotada para atender seus interesses políticos.

Tomando por molde alguns significados místicos e mitologias sagradas legadas pelas antigas civilizações, os diversos concílios construiram as bases de sustentação para o que hoje se conhece por Cristianismo.
Incorporando essas tradições milenares, possibilitou que fossem adotados como originais os hoje conhecidos relatos sobre o nascimento virginal numa caverna, vida repleta de milagres, morte e ressurreição da sua divindade principal e única: Jesus.
A simbologia do nascimento da Luz na sempre Virgem Mãe Terra, dos Seres Divinos que junto a nós operavam curas e milagres foram recolhidas e readaptadas com o intuito de escrever a sua própria história, formatando uma nova religião, que deveria ser única para todo o Império – e, quiçá, para o mundo inteiro.
A imposição do Cristianismo resultou num banho de sangue que “lavou” a Europa, norte da África, Oriente Médio e Américas, sempre servindo aos interesses políticos no decorrer da sua História. Com o édito do imperador Teodósio, todos os cultos pagãos foram proibidos e demonizados, passíveis de pena de morte. Com a queda do Império Romano, a Igreja Católica manteve as estruturas políticas e militares do Estado sob seu controle. Agora ela passaria a desenhar a Europa medieval à sua imagem e semelhança, implantando o feudalismo, à medida que convertia reis e nobres, mediante guerras e violência ou simplesmente baseada em conchavos. A “idade das trevas” estava instalada e, com as grandes navegações, atingiu o continente americano. Assim, o Cristianismo foi implantado sob pretexto de “civilizar” as culturas nativas, saqueando e submetendo os povos à sua sanha “salvadora”.
Como o nascimento de Mithra era celebrado em 25 dezembro, a Igreja Católica, com a intenção de abolir os cultos pagãos - e na ausência de registros históricos sobre o nascimento de Jesus - passou a adotar várias datas e firmou-se no 25 de dezembro, data de comemoração do “sol vencedor”, como o dia do seu nascimento.
Assim, as celebrações do nascimento do Sol, o filho da Luz, esvaziaram-se do seu real significado e foram substituídas pela festa que receberia o nome de Natal, coincidindo com o solstício de inverno no hemisfério norte.


Desta forma, a data de 25 de dezembro, destituída do seu simbolismo milenar, passou a assinalar a comemoração máxima do mundo cristão.


segunda-feira, 8 de dezembro de 2014

100 ANOS DE UMBANDA

Em decorrência de suas raízes, a Umbanda é fruto do amálgama de elementos provenientes das diversas crenças e práticas religiosas que contribuiram para uma formação cultural-religiosa que se pode designar genuinamente brasileira. Brasileira e mestiça , pois desenvolveu-se e consolidou-se através da fusão de cultos afroameríndios e da espiritualidade popular de origem ibérica. Tem apresentado, no decorrer de um século de existência, um conjunto dinâmico e pleno de ramificações, com uma liturgia pluralista e eclética.
Sem ser fundamentada numa teologia específica, sem ter tido um fundador, não está atrelada a uma codificação que lhe unifique o ritual e possibilite uma estruturação oficial.
A Umbanda é um organismo vivo, livre de dogmas, absorvendo influências e, por sua vez, influenciando.

Raízes
As raízes da Umbanda resultam da fusão dos cultos das diversas etnias africanas com a Pajelança, o Catimbó, o Espiritismo e o Catolicismo. Como não dispõe, a exemplo das religiões formalizadas, de um sistema filosófico -doutrinário ou liturgia unificados, o grau de importância destas influências variam de acordo com a região ou até mesmo as afinidades espirituais do líder local.
O Catolicismo está presente em todas as formas de cultos nascidos no Brasil, uma vez que, desde a sua implantação à época do descobrimento até as primeiras décadas do séc. XX, a sua influência era tal que seria pràticamente 
impensável alguém ser brasileiro e não ser católico. O Catolicismo era a religião hegemônica e então a única verdadeiramente reconhecida como tal, em solo brasileiro.
Durante quase quatro séculos, africanos aqui se estabeleceram como escravos.
Ao longo deste tempo, inúmeras etnias com idiomas e culturas milenares bastante diferentes entre si, aqui chegaram, predominando, até o séc. XVIII, grupos de bantos e posteriormente de sudaneses. Nas últimas décadas do
regime escravista, os sudaneses (yorubás) preponderavam na população negra da Bahia, a ponto da sua língua acabar prevalecendo em relação as demais. Embora dispersados de seus grupos de origem, começaram a se organizar, buscando a preservação das suas tradições religiosas, formando o que hoje se entende por religião afro-brasileira: Candomblé na Bahia, Batuque no Rio Grande do Sul, Tambor de Mina no Maranhão, Xangô em Pernambuco.
Na esfera das religiões afro-brasileiras, a contribuição banto foi fundamental, pois sob sua influencia formou-se o Candomblé de Caboclo e outras variantes regionais de culto ao antepassado indígena, como o Catimbó, que contribuiram
para a formação da Umbanda.
A influência ameríndia se deu a princípio no âmbito da convivência entre “negros da terra” e “negros da Guiné” nos povoados onde eram confinados e, posteriormente, quando escravos foragidos buscavam abrigo junto aos índios,
encontrando semelhanças e paralelos para as suas crenças e tomando emprestado material que substituisse o normalmente usado nas suas práticas religiosas. Assim, na fusão de crenças e magias, a mesclagem de costumes
gerou novas alterações.
Onde quer que se organizassem grupos de culto às divindades africanas havia também uma tendência ao culto dos antepassados, na condição de espíritos de pessoas desencarnadas, sendo este ligado igualmente ao universo indígena ou ibérico. Esta tendência encontrou reforço quando da difusão da Doutrina Espírita no Brasil, por volta de 1873 . O Espiritismo teve boa recepção junto a uma elite mais culta e assim, toda esta mescla afro-ameríndia fundamentada no culto aos antepassados e crença na reencarnação encontrou um denominador comum que acabou influenciando os círculos que, até então, pelo menos perante o censo, se declaravam católicos.
A influência do Espiritismo conferiu à Umbanda o seu perfil ideológico. A falta de afinidade com o modelo austero e repressor do Catolicismo propiciou terreno fértil para a disseminação dos ideais éticos da doutrina de Allan Kardec
(1804 -1869) através da prática abnegada da caridade e da crença na reencarnação . Como no Espiritismo, também na Umbanda a incorporação tem por função possibilitar que espíritos venham à Terra trabalhar em prol da humanidade. Os fenômenos da mediunidade e a invocação de espíritos
tornaram-se, à partir daí, bastante populares em todas as regiões do Brasil.
No Nordeste os espíritos eram denominados Mestres e tanto podiam ser de índios como de mestiços ou brancos. Se das práticas religiosas indígenas herdaram o uso do tabaco, bem como a ingestão cerimonial da beberagem Jurema, por outro lado, dos africanos adotaram o uso das folhas como
defumação ou sob a forma de banhos.
Já no Maranhão e no Pará, as práticas religiosas são mais ligadas aos espíritos de encantados, ou seja, seres de outros reinos da natureza, pertencentes a hierarquias diferentes da humana. Aliás, se na Amazônia encontramos botos que se transformam em pessoas, esta tradição de encantaria já estava presente também na cultura européia, com suas fadas, bruxas, príncipes e animais fantásticos.
Sendo o sincretismo a combinação de dois ou mais sistemas religiosos gerando um terceiro, a Umbanda é sincrética por excelência, uma vez que mescla culturas distintas a ponto de gerar um culto próprio, com matizes diversificados, mas mantendo uma concepção doutrinária comum. Embora não
disponha de uma literatura oficial como fonte de estudos, conta, por outro lado, com um rico cancioneiro destinado a invocar e saudar as entidades, conhecidos como pontos ou curimbas.
Dependendo do local, encontramos ramificações onde podemos identificar diferenciadas influências indígenas (Umbanda de Caboclo), Espíritas (Umbanda Branca), Africanas (Omolokô, Umbanda Traçada) e diversas outras
de cunho esotérico nìtidamente influenciada pelas tendências da Nova Era (Umbanda Esotérica).
Oficialmente considera-se 1908 como o ano da criação da Umbanda, quando Zélio Fernandino de Moraes incorporou na cidade de Niterói, no Estado do Rio de Janeiro, o Caboclo das Sete Encruzilhadas, proclamando as regras básicas
de uma nova seita que acabaria sendo institucionalizada como religião. À partir daí, uma profusão de terreiros surgiu, seguindo as mais diversas orientações e tendências locais.
Embora o significado do próprio termo Umbanda se preste hoje até a especulações esotéricas ligadas a mantras hindus ou uma suposta raiz atlante, na realidade teve sua origem nos quilombos.
Como cada quilombo seguia o culto que preponderava nas etnias africanas que o constituiam, era usual, no encontro de negros procedentes de quilombos diferentes, que se indagasse qual era a sua “ banda” – ou seja, a que nação
pertenciam. Uma vez absorvidos elementos de outras proveniências, no Rio de Janeiro do início do século XX, muitos terreiros simplificaram ou aboliram as práticas ritualísticas africanas, passando cada um a ser identificado de acordo com a sua “ banda”. Aí se consolidou a demarcação clara entre as práticas ligadas às nações africanas – hoje conhecidas como Candomblé – e as
“ bandas”. Assim nasceu o termo “ umbanda”.
Em meados do século XX a Umbanda sofreu mais uma absorção sincrética, desta vez decorrente da influência do ocultismo oriental divulgado pela contracultura da década de 60. Inspirada nestes ensinamentos e também no estudo da Teosofia, surgiu a Umbanda Esotérica.




Transe e Mediunidade
Todas as formas de culto nascidas no Brasil que resultaram numa religião cabocla, não se caracterizam pela regulamentação moral ou pela simples
adoração, mas pelo transe. As entidades cultuadas ou mesmo os espíritos de desencarnados encontram o seu ponto culminante de atuação na manifestação mediúnica.
Enquanto na religião africana pura o medium entra em transe sem uma finalidade prática, mas apenas para poder vivenciar uma catarse, incorporando uma centelha ínfima do Orixá de onde provém a sua essência , na Umbanda essas incorporações ocorrem com finalidade mágico-curativa e de
aconselhamento.
Nos cultos das nações africanas todo procedimento e aconselhamento individual é determinado pela consulta ao oráculo, considerado o único instrumento legítimo e capaz de transmitir as instruções da Divindade. Como esta consulta não depende de intuição ou mediunidade, mas de uma
preparação sacerdotal complexa de natureza iniciática da qual as religiões caboclas e a Umbanda não dispunham, esta prática passou a ser suprida pela consulta oral às entidades incorporadas nos médiums, tornando a incorporação o elemento primordial, a razão de ser, da Umbanda.
Então, todos os procedimentos de limpeza áurica,
reequilíbrio energético ou espiritual que na religião africana são realizados pelo sacerdote, na Umbanda ficam à cargo do médium, incorporado ou não, que deverá captar e dissipar a energia negativa que estiver prejudicando o consulente. No caso de um obsessor, normalmente é incorporado pelo médium e encaminhado para doutrinação através de procedimento bastante semelhante ao adotado pelo Espiritismo.

Os Orixás
Embora não haja, na Umbanda, uma concepção oficial e padronizada, as divindades africanas da natureza denominadas Orixás ocupam um papel fundamental e há uma tendência quase geral de se antropomorfizá-los.
Os séculos de perseguição religiosa forçaram uma assimilação entre os santos católicos e os Orixás, como estratagema para encobrir a verdadeira devoção dos negros.
Embora a liberdade de crença tenha sido instituida por ocasião da proclamação da República, sob o pretexto das sessões serem barulhentas, gerarem conflitos e desordens, até 1934 – quando conseguiram atuar livremente - era
costume policiais invadirem os locais onde se celebravam cultos africanos, agredindo as pessoas e levando-as a prisão. Sem dúvida, os séculos de perseguição religiosa, de preconceito e de sincretismo de Orixás com santos católicos acabou levando muitos negros a aceitarem a evangelização com sinceridade e deste expediente consolidou-se no Brasil o que podemos identificar como Catolicismo Popular: com suas benzeduras, superstições, rezas, simpatias e outras práticas nada ortodoxas aos olhos do Catolicismo oficial ditado pelo Vaticano.
A presença dos Orixás, constante em todas as vertentes praticadas pela Umbanda, torna-se portanto o ponto comum mais marcante, estabelecendo assim um vínculo muito profundo com a religiosidade africana. Embora algumas particularidades desta devoção estejam, de acordo com as tradições africanas, corretas, não se pode considerar que a Umbanda pratique verdadeiramente um culto aos Orixás.
Segundo a concepção yorubá, que é predominante no Brasil e conhecida como Ketu ou Nagô, os Orixás são energia pura e expressão das facetas múltiplas da Divindade Suprema ( Olodumare / Olorun ). São divindades primordiais que
estiveram presentes na formação do planeta Terra e presidem, até hoje, as atividades dos diversos reinos da natureza. São um componente dessas forças e estabelecem também uma espécie de elo entre a humanidade e o Ser
Supremo – já que cada ser humano é, energèticamente, proveniente desses elementos vitais.
Como entidades pertencentes a uma hierarquia não humana, não compartilham conosco a capacidade de verbalização e a forma de cultuá-los é ùnicamente através do ativamento e direcionamento das suas energias
particulares. Isto tem a ver com a manipulação de energia que se chama magia e não com atividades educativas ligadas a orientação ou doutrinação.
Já os Orixás assimilados pela Umbanda são freqüente e errôneamente concebidos como espíritos ligados aos diversos elementos da natureza que, já liberados do processo reencarnatório, dariam continuidade a sua evolução espiritual, mediante a missão de organizar e orientar uma legião de espíritos menos adiantados. Cada pessoa estaria ligada a um ou mais desses Orixás e
suas características, deles recebendo proteção e auxílio.
Por conta do sincretismo , costuma-se , na Umbanda, associar um Orixá à imagem de algum santo católico. No entanto, Ogun não é São Jorge , Iansã não é Santa Bárbara e tampouco Yemanjá encarnou no corpo da Virgem Maria,
mãe de Jesus. Esses personagens históricos jamais poderiam, dentro da limitação da sua condição humana, atingir a dimensão de uma manifestação Divina como é o Orixá. Então, quando um médium de Umbanda incorpora uma entidade que utiliza o nome do Orixá, está , na verdade, incorporando não o Orixá, mas um caboclo ou preto-velho que se manifesta dentro desta faixa vibratória.
Assim, podemos verificar que a Umbanda concebe uma hierarquia que, abaixo de Deus Supremo , denominado Olorun ou Olodumare (yorubá) ou Zambi (banto) é seguido por Jesus Cristo, identificado com o Orixá Oxalá, que
compartilharia com Deus a criação do planeta Terra (concepção da doutrina espírita). Como a tradição africana considera Oxalá como o próprio Sol doador da Vida, não poderia ser identificado com um ser humano, por mais evoluído que seja.
Na Umbanda os Orixás são submetidos a Jesus e, por sua vez, chefiam as Linhas onde, subdivididos em falanges, atuam como guias ou protetores os caboclos, pretos-velhos e crianças, além de vários segmentos de exús. As falanges de caboclos assumiram uma importância decisiva, constituindo, na maioria das vezes, a chefia da Casa. Os pretos-velhos destacaram-se na função de psicólogos, sempre prontos a escutar, aconselhar e resolver problemas, principalmente de saúde. Outras representações míticas dos tipos regionais surgiram, como desdobramento dos 
caboclos: os boiadeiros e os marinheiros. O boiadeiro, sertanejo valente, símbolo de resistência e determinação e o aventureiro marinheiro, com sua capacidade de adaptação
diante de qualquer mudança. As crianças, englobadas na falange dos infantes católicos Cosme e Damião representando a inocência e a alegria do ser humano em seu estado puro, atuam igualmente eficientes na resolução de problemas através de aparentes brincadeiras.
Cabe ressaltar que caboclos não se tratam, necessàriamente, de índios desencarnados e tampouco pretos-velhos foram escravos negros. Humanos ou não, são padrões vibratórios arquetípicos, cada tipo representando um diferente estilo de ser da nossa identidade mestiça e um modelo de conduta.

As Linhas
Linhas são faixas de vibração correspondentes a um determinado elemento da natureza.
A Umbanda clássica considera sete linhas:
1.Oxalá - 2. Yemanjá - 3. Oriente - 4. Oxossi - 5. Xangô - 6. Ogun - 7. Africana
Já a Umbanda esotérica comporta as seguintes :
1. Ogun - 2. Xangô - 3. Oxossi - 4.Yemanjá - 5. Yori - 6.Yorimá - 7. Oxalá
Com isto, Orixás e caboclos se mesclam, estabelecendo uma quebra de hierarquia incompatível com a concepção original de Orixá, colocando todos, juntamente com caboclos (encantados da natureza, na grande maioria não humanos)
e pretos-velhos (humanos desencarnados) pràticamente no mesmo patamar.
Por outro lado, submetem sereias (Yara e Janaína) e Orixás (Nanã, Iansã e Oxum) à chefia de Yemanjá.
Sem pretender julgar os motivos de tal arranjo, o fato é que esta miscelânea confusa em nada contribui para uma compreensão básica do que vem a ser esta raiz fundamental que é o Orixá, divindade africana da natureza.
Além dessas há também, como algo independente ou por vezes colocada em lugar da Linha do Oriente, mais voltada para a cura de males físicos, a Linha de Exu.
Muitas vezes se misturam e confundem desencarnados, mestres do Catimbó e o Orixá Omolu.
Seja como for, respeitando a liberdade que cada Casa de culto tem o direito de tomar, o fato é que tais entidades que ali se apresentam sob o nome de Exu, algumas realizando feitos extraordinários e a maioria assumindo linguagem
vulgar, tomando atitudes desrespeitosas e incompatíveis com qualquer prática religiosa séria, muito distante estão do Orixá Exu que lhes empresta o nome.
Como no caso dos Orixás, não é Exu quem incorpora nos médiums, mas desencarnados das mais variadas origens e estirpes espirituais, ainda demasiadamente apegados ao plano material.

Exu
O real conhecimento do Orixá Exu foi o que mais se deturpou e pràticamente perdeu no decorrer das décadas.
A concepção cristã de um mundo maniqueísta que se movimenta entre o certo e o errado, o bem e o mal, trouxe consigo a face inconfessa da “ sombra”, reprimida e personificada igualmente segundo o modelo do diabo cristão.
Da mesma forma como haviam anteriormente sincretizado os Orixás com santos católicos, associaram este personagem satânico – inexistente na mentalidade e no panteão africano - ao Orixá Exu, chegando a representa-lo
com chifres e tridente. Através dele puderam extravasar as práticas anti-sociais e as atividades marginais de moralidade questionável.
Personagens transgressores mas altamente benquistos pela sua simpatia tìpicamente humana, esses exus e seus equivalentes femininos, as pombagiras, atuam nos âmbitos que lhes são afins. São capazes de resolver com rapidez e eficiência as mais intrincadas questões ligadas, principalmente, aos aspectos financeiro e sentimental, como também os casos de desobsessão que envolvem o acesso a planos espirituais densos.
Na realidade, o panteão umbandista de exus e pomba-giras, composto de desencarnados comuns, vem redimir os tipos sociais normalmente rejeitados e marginalizados. Houve também uma absorção de outros tipos regionais, como o mestre do Catimbó, Zé Pelintra, a mestra da Jurema, Maria Padilha, e malandros da boemia carioca para a linha de Exu na Umbanda.
Com o acesso e popularização de práticas mágicas estranhas à cultura brasileira que se deu no final do século XX, até entidades do restrito e particular universo cigano passaram também a integrar as falanges de exus e,
principalmente de pomba-giras.
Se, por um lado, há na Umbanda o compromisso do trabalho pelo aprimoramento espiritual das entidades e consulentes, neste mundo subterrâneo das “ giras “ de Exu não há limitações éticas e os desejos de sua vasta e entusiasmada clientela são atendidos e legitimados pelo fato das referidas entidades terem sido “ batizadas” e, portanto, ali se encontrarem trabalhando em missão de caráter evolutivo.

Considerações Finais
Das suas matrizes africana e ameríndia a Umbanda herdou o senso de liberdade e respeito às diferenças, exercendo o respeito ao próximo e a convivencia pacífica com todos os credos religiosos.
Como negros e índios, não adota a prática do proselitismo tão difundida entre os cristãos que, sob o pretexto de melhor saber o que mais convém ao próximo, tantos assassinatos e sofrimentos semeou na história da humanidade.
Por outro lado, devido à organização doméstica dos terreiros e a prioridade que se confere ao exercício da caridade pura e simples, em detrimento de uma estrutura que lhe provenha meios de subsistência e desenvolvimento , a prática da Umbanda permanece marginal, idealista e, de certa forma, improvisada.
Calcada na máxima da Doutrina Espírita “dai de graça o que de graça recebeste” , absorvida do próprio Espiritismo, vai sendo desprestigiada e perdendo terreno para religiões que, embora muito pouco tenham a oferecer em termos de conexão com o Divino, adquirem maior visibilidade através de sensacionalistas manobras de marketing. Se a mediunidade é um dom gratuito, toda a estrutura material que sustenta o funcionamento de uma Casa religiosa tem custos que não podem ser supridos apenas com doações voluntárias e, por vêzes, exporádicas de - nem sempre -
gratos freqüentadores.
A difusão de conhecimento é cara. Os médiums têm gastos e desgastes que, não raro, acabam afetando o seu cotidiano e a sua saúde. Seria muito simplicista atribuir percalços mal sucedidos a um necessário resgate cármico.
Embora haja a versão segundo a qual os mentores espirituais tenham determinado que o período entre 1979 e 2049 seria de afirmação doutrinária e expansão da Umbanda, não se consegue ainda detectar qualquer estratégia neste sentido.
Mesmo assim, sob o aspecto cultural, uma prova da plena vitalidade da Umbanda está na efervescência com que ainda absorve influências. Podemos destacar, como exemplo restrito mas significativo, a introdução da bebida sagrada de origem xamânica, Daime, nas giras de Umbanda de alguns
terreiros cujos membros pertencem a esta doutrina. Surge aí, talvez, uma nova vertente cujos desdobramentos ainda não podemos vislumbrar.
Cabe ao futuro definir o papel que a Umbanda exercerá no seu próximo século de atuação.

quinta-feira, 13 de novembro de 2014

METATRON E A NOVA ERA

Metatron é um Serafim, mais alto posto na Hierarquia Angélica e a origem etimológica de “seraf” (שרף) vem de “abrasar, consumir no fogo”. Por isso, segundo a tradição da Kabbalah judaica, seria Ele quem apareceu a Moysés no Monte Sinai, sob forma de uma sarça ardente que não se consumia, por ocasião da entrega dos 613 preceitos da Torah. É também mencionado pelo profeta Isaías numa de suas visões:
"... vi o Senhor sentado sobre um trono alto e elevado... Acima Dele, em pé, estavam Serafins, cada um com seis asas: com duas cobriam a face, com duas cobriam os pés e com duas voavam".(Isaías 6,1-2)
Como emanações da Mente Divina no seu mais elevado grau, os serafins são cumpridores dos Seus desígnios, purificando e iluminando as  consciências em condição de acessá-los.
Metatron trabalha com a energia do Raio Platina, da onipotência, da ascensão, do recomeço, da pureza na frequência multidimensional agora atuante na quarta dimensão, na gama vibratória mais alta atualmente ativa no nosso sistema solar.   Um espiral de platina e dourada Luz cristalina. A frequência do Raio Platina é de ressonância yin/yang, bem adequada ao ancoramento do paradigma que deverá nortear o futuro do planeta Terra.
Comanda o salto cósmico que estamos para empreender e que levará a Terra a um patamar mais elevado. Muitos recursos e aspectos que no momento emergem com aparência catastrófica e podem até deixar uma impressão de descontrole, são reações normais e, por vezes, violentas, à poderosa e inevitável adaptação vibratória que já começa a se manifestar. A Luz, no seu aspecto ígneo, desencadeia violentos choques quando avança sobre as trevas.
Então, o aumento do número de ciclones, terremotos, tempestades solares, atividades vulcânicas e instabilidade climática, bem como o acirramento de desentendimentos e embates entre os humanos, são consequências das  consideráveis transformações em todos os níveis, que já estão sendo levadas a termo e se manifestam no aquecimento global e alterações no eixo da Terra. 
Em termos cronológicos da Terra, não significa que essa mudança ocorra na velocidade de gerações contemporâneas - pois poderá demorar muitos séculos - ou mesmo de forma global. Não existem previsões e tudo vai depender do quociente de Luz alcançado pelas consciências. A forma – tranquila ou traumática - como a espécie humana vai reagir a tudo isso e encontrar o equilíbrio, depende de cada um. Metatron está à frente desse renascimento de energia.
O conhecimento e trabalho com cristais – ciência resgatada de outras eras - é essencial para esta Era do Campo Quântico Cristalino, que se aproxima, e é a ferramenta básica de trabalho de Metatron. Os cristais se relacionam não só no reino mineral como também diretamente com a consciência e a ação manifestada, sendo capazes de fortalecer o campo áurico.
Da mesma forma que o Reino Mineral é um arquivo da memória da Terra, também o Reino Vegetal é um receptáculo de saber. No caso específico das Plantas Mestras, elas são um passaporte interdimensional e também para o nosso mundo interior. A comunicação com o espírito inteligente da planta depende de uma interação para que ocorra o despertar que as torna agentes curadores ou veículos multidimensionais.
Para Metatron, trabalho, disciplina , empenho e devoção  constituem a  chave capaz de trazer a vibração cristalina da impecabilidade para o nosso cotidiano e assim contribuir para a elevação do quantum de Luz no planeta: fazer aquilo que diz, honrar a palavra proferida na emoção fortuita do êxtase Divino e incorporá-la ao dia a dia.
Amar a si mesmo com coragem suficiente para arrancar suas mascaras e revelar seus hábitos duvidosos que o ego varreu para baixo do tapete. Soltar sem apego aquilo que não serve, para fazer resplandecer, cada vez mais, o seu Eu Superior.
A cada dia se “scannear” para selecionar o que serve e o que não serve, entender seus medos e raivas para poder manifestar a sua vontade essencial, renovando seu propósito do “por que” estar aqui. Ter isenção para que o julgamento não turve a clareza do que somos e aquilo que queremos aparentar ser..
As mais elevadas civilizações arcaicas da Terra compreendiam que toda a Natureza está ordenada segundo os princípios da Geometria Sagrada, desde o átomo até as galáxias.  Seu estudo foi a base da arquitetura, das artes e da ciência. Platão menciona no “Timeo” cinco sólidos convexos cujas arestas formam polígonos planos regulares congruentes. A existência destes sólidos como base de toda a Criação já era conhecida pelos pitagóricos e os egípcios os utilizaram na arquitetura e na ourivesaria.
Segundo Galileu Galilei, "O Universo não pode ser lido até que tenhamos aprendido a linguagem dos próprios caracteres em que está escrito – e ele é escrito em linguagem matemática, suas letras são triângulos, círculos e outras figuras geométricas. Sem o entendimento do significado desses códigos é  impossível compreender uma única palavra ".



Metatron resgata, na Geometria Sagrada, a importância da Flor da Vida, que é um símbolo universal retratado em vários monumentos das civilizações arcaicas da Terra, posteriormente permanecendo oculto. Cada molécula de Vida, cada célula do nosso corpo e do corpo do nosso planeta Terra segue este padrão, que é o código secreto e geométrico da criação cósmica. Tudo está contido neste padrão da Flor da Vida, inclusive o nosso DNA.

O Cubo de Metatron, um dos componentes da Flor da Vida, é composto por treze círculos, formando cada círculo um nó que, por sua vez, é ligado a outro por uma única linha reta, perfazendo um total de 78 linhas. Assim, o Cubo de Metatron é um sólido derivado diretamente da Flor da Vida.

Metatron convoca os mensageiros da Luz Cristalina, seja do passado ou do futuro. Todos a serviço do Novo Paradigma que possibilitará a ascensão da Escola Terra a um patamar superior. Não faz distinção entre crenças religiosas ou práticas espirituais, pois os caminhos são inúmeros e a integridade, o estudo e o trabalho compõem a única rota para a Luz onde somos todos partículas do mesmo holograma..

quarta-feira, 9 de julho de 2014

A IMPECABILIDADE DA PALAVRA


A linguagem verbal, como manifestação do pensamento racional, é o principal instrumento de comunicação da mente humana. Instrumento que, devido a conotações subjetivas dá origem a mal-entendidos, mas, ainda assim, tem sido extremamente útil como expressão do conhecimento.
A existência de uma suposta “palavra de Deus” é uma consideração bem recente na História da humanidade. Embora os Vedas sejam reverenciados como uma escritura sagrada, ninguém considera que tenham saído, literalmente, da “boca” divina. O verdadeiro livro Divino, dada a extrema complexidade não linear da Manifestação Universal, não caberia nas limitações da comunicação verbal. Sua linguagem é simbólica. O “livro” é a própria Natureza Cósmica.

Na área devocional o ser humano tem, desde sempre, se utilizado da palavra para melhor canalizar e expressar suas emoções, chegando ao ponto de  materializa-las com mais eficiência. Bênçãos e pragas pertencem a todas as culturas.
A vivência comprova que, quando focalizamos nossa mente em algo, e a isto somamos o sentimento e a emoção para finalmente expressá-lo verbalmente, estamos exteriorizando e materializando um Poder capaz de afetar a dimensão material densa.

As tradições espirituais do Hinduísmo e do Budismo utilizam mantras como técnica meditativa para alcançar determinados estados mentais. Já a yorubá, que tem suas raízes na mais remota antiguidade e foi, até os últimos séculos, exclusivamente oral, utiliza três modalidades principais que poderíamos denominar genericamente “rezas”:  Oriki (invocação),  Adura (louvação) e Ofó (encantamento).
A intenção dos Oriki e Adura é facilitar a conexão com o Divino. O Ofó direciona uma intenção. Considerando a boca um dos mais potentes transmissores de energia, o Ofó pronunciado e acrescido de elementos de magia dos diversos elementos da Natureza tem grande poder de concretização.  

Diante da energia liberada em cada palavra que pronunciamos, podemos nos conscientizar de que elas afetam não só a quem as dirigimos, como também a nós mesmos. Alguns psicólogos chegam a afirmar que “tudo o que dizemos aos outros, primeiramente estamos dizendo a nós mesmos”.
Em decorrência desse enorme Poder, é importante essa conscientização da influência da palavra tanto para o Bem como para o Mal, pois pode se tornar um veículo de Justiça ou de Manipulação. Promove tanto a Conciliação quanto alimenta o Conflito.
Expressão do nosso livre arbítrio, ela é capaz se mudar nosso destino e o de nações inteiras.


Na esfera cotidiana podemos considerar a mente  como um terreno fértil onde sementes são plantadas continuamente. O seu desabrochar só depende de nós.
Segundo os estudos de Eric Berne que geraram a Análise Transacional, o estado de consciência denominado Ego Pai é formado a partir das primeiras influências de pais/cuidadores da criança não só através de gestos e atitudes, mas grande parte também através de normas, valores, conceitos, regras e programas de conduta expressados verbalmente. Assim se formam opiniões, ideias e (pré)-conceitos emitidos e replicados ad infinitum. A pessoa acaba – sem refletir se naquilo acredita ou não – repetindo o que, durante anos, ouviu.
No decorrer da vida, palavras capazes de captar nossa atenção vão nos influenciando, podem alterar nosso posicionamento no mundo e também influenciar outros.



Daí a proposta de praticarmos a Impecabilidade da Palavra.
         
Impecabilidade é ser coerente perante a Verdade do seu coração.
É ter a idoneidade de assumir a responsabilidade por todos os atos, sem se julgar ou culpar, sem atribuir culpa a outras pessoas ou a fatores externos. Ser impecável é amar e respeitar a si próprio, pois a auto-rejeição significa a destruição da própria vida.

“Ser impecável com a própria palavra é empregar corretamente a sua energia e usá-la na direção da verdade e do amor por você mesmo” – Don Miguel Ruiz – Os Quatro Compromissos


Portanto, ser impecável com a palavra significa, em primeiro lugar, não revertê-la contra si mesmo. Se a palavra ofensiva contra mim chega ao ponto de me ofender, é porque me identifico emocionalmente com ela. Estou dando crédito e me envenenando com essa energia. Da mesma forma, se me deixo empolgar com elogios que me envaidecem, mas que, na verdade, bem sei que são desproporcionais e  não  correspondem a realidade que só eu conheço. Há que ter cuidado com as palavras alheias para que não se incorporem ao nosso sistema de crenças.


Por ser tão difícil limpar o veneno emocional de toda uma vida programada pela insegurança e pela auto-rejeição, a Ayahuasca pode ser um valioso instrumento de trabalho para uma clara autoanálise. Se existir, evidentemente, o desejo sincero de se entregar a essa empreitada.

Desde que aprende a falar, o ser humano utiliza as palavras exaustivamente, falando por falar, na maioria das vezes dizendo coisas sem significado e importância. Apenas pelo gosto de não precisar se confrontar com o seu tagarelar mental e não se sentir sozinho consigo mesmo, confrontando-se com um vazio que lhe parece sem sentido.
Então entrega-se a um passatempo que vai do inútil “jogar conversa fora” até a nociva fofoca. Disseminar informações cuja veracidade não podemos comprovar ou, pior, que absolutamente nada acrescentam em benefício de quem quer que seja, é uma das piores formas de envenenamento mental através da palavra. Envenena também porque influencia, com a palavra descuidada e leviana, a opinião de terceiros. Conquistar a opinião de terceiros significa o apoio para o próprio ponto de vista que nos confere a ilusão de engrandecimento e poder.

Por vezes, o inconsciente mau uso da palavra reflete um inconfessável sentimento compensatório de constatar que “... mas... no fundo, Fulano tem /é tudo isso mas se sente tão mal quanto eu”. Pode ocorrer que, não só a fofoca como até uma observação sobre alguém de quem supomos gostar, encerra subliminarmente o “consolo” de uma flecha envenenada e maldosa : - “sim, Fulano é maravilhoso e bem sucedido, mas, que pena” ...   ... e aí solta, como que lamentando, o comentário desabonador.
Conforme diz Don Miguel Ruiz, o medo e o sofrimento são parte importante do drama planetário e a miséria gosta de companhia.

Não há possibilidade de Iluminação, ascensão espiritual (ou como é moda se dizer hoje em dia: mudar o DNA ) se não nos libertarmos desses padrões de comportamento – a começar pela Impecabilidade da Palavra – reflexo do medo atávico.
Não há passe de mágica para transcender esse nível de falsos condicionamentos que fazem da nossa estadia neste planeta uma batalha incessante que só nos leva a frustração e ao sofrimento.
O Trabalho do Eu não se trata de empreitada fácil. Aqui ninguém é Mestre, pois somos todos ainda suscetíveis a constantes quedas e retrocessos. Mas a própria caminhada já traz  a recompensa de se ter um vislumbre da Liberdade, da Paz e da Felicidade.



sábado, 7 de junho de 2014

IMPLANTANDO A NOVA CONSCIÊNCIA - parte 2

“Nenhuma espécie se dedica, com tanta tenacidade, à realização de sua desgraça, à destruição dos seres e das coisas; nenhuma pratica com tanta obstinação a violência e o assassinato   individuais e coletivos; nenhuma trata suas crias com tamanha incoerência, descuido e até crueldade; nenhuma sujeitou suas fêmeas durante tanto tempo. Assim, por mil razões, o homem se tornou um animal louco”.
            André Bourguignon  - História Natural do Homem




De fato, o ser humano é o único que mata impiedosamente os membros da sua espécie, não para aplacar  a fome, mas por motivações supostamente autotranscendentes como a família, a pátria, a religião – fatores que a Natureza desconhece. Este é um comportamento inquestionàvelmente patológico.
Nossa propensão às guerras religiosas, patrióticas ou ideológicas, nosso vício pelas intrigas, separatividade, o domínio e a manipulação, sempre se manifestou, independente dos avanços nas civilizações. Aos primeiros clamores de tresloucados líderes, a massa se inflama e parte para defender família, pátria,  dinheiro – e até Deus -  sacrificando a própria vida. Sempre dispostos a matar o diferente, pessoas que sequer conhecem. Defendem sua opinião e todos os opositores de seus interesses são declarados inimigos.

As noções abstratas de família e pátria incitam à violência  e os que melhor matam e dominam são aclamados e venerados como heróis. Apesar dos esforços filosóficos, culturais e religiosos desde o início da civilização o comportamento e os impulsos permaneceram inalterados. Acumulando riquezas, não raro de forma ilícita, poucos refletem sobre o propósito da vida e a maioria insiste em ignorar a sua finitude.
Impregnados de profundo antropocentrismo e teocentrismo, seriamos uma abençoada espécie criada a imagem divina que atingiu o objetivo final de todo um processo cósmico para dispor do planeta e, quiçá, das vizinhanças do sistema solar. Fomos educados na convicção de sermos o pináculo de um processo evolutivo, o resultado de uma convergência de antecedentes que se plasmaram com a única finalidade de parir essa espécie “eleita” e criada “sob os à imagem do divino”. Às demais espécies animais e vegetais restaria o honroso desígnio de nos servir.

A Terra se formou há cerca de 4,5 bilhões de anos. As bactérias surgiram há cerca de 3,8 bilhões de anos, habitando sozinhas durante os primeiros 2 bilhões de anos. Os organismos multicelulares só apareceram há 700 milhões de anos. Há 550 milhões de anos ocorreu a explosão cambriana marcando o início do reino animal aquático, tendo as espécies vegetais surgido há 400 milhões de anos. Há 280 milhões de anos surgiram os dinossauros, resultando nas aves 60 milhões de anos mais tarde. Nesta época surgiram também os primeiros mamíferos. O  homo sapiens passou a compartilhar a Terra com outras espécies de hominídeos há pouco mais de 150 000 anos e a elas sobreviveu. Já teremos daqui desaparecido milhões de anos antes que o sol se consuma, incendiando a Terra.
Somos, portanto, nada mais especial do que uma dentre as muitas espécies que o planeta hospedou e talvez ainda hospedará.

Relutamos em aceitar como normal a esquizofrenia de uma origem divina embotada pelas artimanhas mentirosas de uma espécie assassina, gananciosa, corrupta, egocêntrica e desrespeitosa que nas suas permanentes disputas não hesita em cometer até o infanticídio. São características nossas, que as chamadas “bestas” da espécies animais não demonstram.
Dotados, por um lado, de genial capacidade para resolver problemas de sobrevivência e por outro, a  incapacidade de superar problemas individuais, de ser feliz e de preservar o ambiente que nos sustenta, destruindo estruturas vivas que levaram bilhões de anos para se formar. Parecem ignorar que cada vida aniquilada jamais poderá ser substituída. Apesar da inteligência abstrata e todo um cabedal de experiência, nosso cerne sempre permaneceu inalterado. Porque deriva de um fator genético.
Estamos, pela nossa genética, incapacitados de incorporar as regras morais ditadas pelos esforços religiosos. A questão não é comportamental, pois a História comprova que esse tipo de repressão ou adestramento acaba explodindo de  forma ainda mais selvagem e visceral.
 
Muitos cientistas que inicialmente aceitavam sem relutância a versão darwinista da evolução, à falta dos necessários elos que comprovariam as fases de transição entre as espécies, também estão convencidos de que o homo sapiens , tendo surgido “pronto” na face da Terra,  foi resultado de um experimento genético promovido por inteligências alienígenas.

Atualmente, também correntes ligadas ao esoterismo mencionam com frequência a presença de um código genético reptiliano presente em certas elites da espécie humana. Seria originário da implantação de genes de seres provenientes de mundos extraterrestres. Examinando a espécie humana como um todo, diríamos que esse código não se restringe às elites dominadoras, mas a toda a espécie humana, pois as características reptilianas, avêssas as noções de paz e solidariedade tem estado presentes em todos os estágios das mais diversas  civilizações, em todos os tempos, desde sempre.
Daí proviria a dicotomia que nos faz capazes de atos de extrema abnegação e compaixão – nossa essência Divina - até ímpetos da mais brutal e indiferente selvageria - herança reptiliana.
Aqueles que detém o poder político tem estado preocupados em dominar e conhecer o mundo exterior, inclusive alimentando a pretensão de desbravar / explorar outros planetas, quando  sequer temos conseguido dar conta dos problemas que geramos aqui. Enquanto isso, o nosso interior, nosso sentido do Eu Sou, nossa  mente eterna permanece relegada a um  plano adormecido na ilusão da separatividade. Seus cuidados acabam entregues a terapeutas e medicamentos.
É preciso uma alteração profunda na mente para que uma transformação se concretize.


A proposta é, portanto: deflagrar uma ação imediata e efetiva para reparar o genoma individual, implantando uma Nova Consciência, sem resquícios de ímpetos reptilianos.
A Ciência costuma dizer que os seres, individualmente,  mutam mas não evoluem. Nascem, crescem, reproduzem-se e morrem. O que evoluiria seriam as espécies. Entretanto, se nos basearmos na ressonância magnética da Teoria dos Campos Mórfogênicos, (v.artigo anterior), no atual estagio em que nos encontramos, nós não somos unidades distintas num meio fragmentado. É possível que ocorra uma filtragem da seleção natural de mutantes genéticos individuais  influenciando e alterando o meio que estiver em sintonia e conectado.
Baseado no exposto no artigo anterior, trata-se de uma tarefa perfeitamente possível para quem se empenhar com vontade e disciplina.

Segundo Aldous Huxley, “O homem é a natureza que tomou consciência da sua própria existência”. Portanto, o caminho é assumirmos a responsabilidade do nosso processo evolutivo, partindo do espiritual.  Essa nossa pulsão de morte, identificada por Freud como sendo de cunho estritamente biológico, dificilmente será resolvida pela cultura, mas sim pela Inteligência Espiritual.
Só ela, alterando a sequencia dos comandos que possibilitarão as modificações estruturais do Ser, pode nos tornar os agentes da nossa própria evolução.
Só ela, num estudo consistente voltado para o autoconhecimento, pode abrandar e anular esses arroubos de disputa, egoísmo e agressividade que não se alinham com a nossa natureza Divina. Só ela pode nos transformar a ponto de evitar nossa inevitável extinção, antes mesmo que tenhamos atingido nosso completo apogeu nesse tempo aqui na Terra.
Só ela é capaz desenvolver nossa potencialidade real para podermos usufruir da inestimável oportunidade do milagre da Vida, sendo felizes e pacíficos nesse planeta deslumbrantemente lindo.
É trabalhando individualmente na mutação rumo à Nova Consciência que pretendemos nos inserir no projeto de uma Nova Era na Terra.