ÁGUIA DOURADA

ÁGUIA  DOURADA

Todas as matérias podem ser veiculadas, desde que citada a fonte.

sábado, 19 de fevereiro de 2011

O PODER DO "ORI"

Enquanto as religiões ocidentais do ramo judaico-cristão fundamentam sua fé em rogos e promessas a Deus e santos / entidades à fim de obterem proteção e a satisfação de seus desejos, Ifá - talvez a religião mais antiga da Terra, já que a ciência concluiu que o homo sapiens teria surgido na África - baseia-se numa concepção praticada hoje pela moderna psicologia.

Atualmente os livros de auto-ajuda fundamentam-se na premissa de que assim como o sucesso é o resultado de uma soma de pensamentos positivos, assim como escolhas acertadas e disciplinadas durante um longo período de tempo, o fracasso é o resultado inevitável de um acúmulo de pensamentos e escolhas inadequadas que fizemos.

Um casamento mal sucedido, a falência de uma empresa, problemas no trabalho, a doença que se "faz" - nada ocorre repentinamente ou é fruto de uma eventual má sorte. Lògicamente existem predisposições e pré requisitos, mas o fator livre-arbítrio é relevante, inclusive perante o desafio de avaliarmos com lucidez nossos limites, medos, inseguranças e conseqências a longo prazo.

Segundo os ensinamentos de Ifá, nenhuma Divindade ou entidade externa apoia mais o ser humano do que o seu "Ori", ou seja, a sua própria mente. As rezas ao Ori dizem que "nosso Ori sobreviverá com o seu próprio axé (energia). Tudo o que queremos para a nossa vida, é ao Ori que devemos pedir, pois ele é o criador de tudo na nossa vida. É quem faz tudo acontecer e pode mudar o nosso destino.

Ori é tão soberano e seu livre-arbítrio tão sagrado que até os Orixás - energias divinas que propiciam a nossa existência em matéria - não interferem, se esta não for a sua real vontade. Ori está, portanto, acima dos Orixás e nenhum deles, nem mesmo Olodumare ( Deus Supremo Universal ) atenderá um pedido do ser humano que não tenha sido autorizado pelo seu Ori. Aqui vemos claramente o conflito entre o consciente e o inconsciente.

Como os ensinamentos de Ifá são totalmente baseados na sua literatura, conta o mito que:

Orixás e Ancestrais se rebelaram, querendo obter os poderes e a sabedoria de Olodumare. Como mensageiro desta reivindicação nomearam Exu, que as transmitiu a Olodumare. Este lhes enviou um obi (noz de cola, portadora da Vida) e, Orixás e Ancestrais deveriam tentar parti-lo para provar o seu poder. Ori era apenas uma pequena bola, sem corpo para se apoiar e ninguém o respeitava. Para conseguir partir o obi, procurou Orunmilá, Pai do segredo de Ifá, que o aconselhou a fazer uma oferenda para os Odus (caminhos do Destino), à fim de obter a força de cada um deles. Além disso, deveria espojar-se na terra. No dia seguinte todos tentaram, sem sucesso, partir o obi. Quando Ori se apresentou , como última opção, deixaram-no tentar. Com seu peso, caiu sobre o obi, que se partiu. Todos ficaram muito felizes. Olodumare, ao receber a notícia, imediatamente enviou uma linda almofada, onde Ori se instalou. Dessa forma, Ori ganhou um corpo para sustentá-lo. À partir deste momento, Ori nasceu. Passou a ser dotado de Iwa - a existência - concedida por Olodumare, como prêmio por ter sido o único a conseguir partir o fruto-ventre.

Com o advento de uma Era que revela "tudo o que estava oculto", a profundidade e a sabedoria dos ensinamentos de Ifá - à luz da psicologia e da física - surpreendem a todos, obrigando a uma revisão de valores, principalmente junto àqueles que classificavam a espiritualidade e práticas religiosas das etnias negras como supersticiosas e atrasadas.

As Jornadas Neo Xamânicas na linha da Ayahuasca do Céu da Águia Dourada trabalham especialmente com o Ori e seus mistérios. À título de ilustração, observemos a letra da minha Cantiga de Poder :

"Aqui saúdo e invoco a Luz da minha Mente,

que me conduz e faz de mim um vencedor,

que me auxilie a construir um bom destino

germinando esta semente do Divino Criador.

Força da Mente eu convoco e vou pedir:

que ilumine as profundezas do meu Ser.

Me dê coragem, equilíbrio e clareza

pois mesmo que doa muito, não quero deixar de ver.

Meu Pai comanda o Império Celestial

e minha Mãe reina no ar, n'água e na terra.

Que me permitam esta herança cultivar

superando desafios o seu tesouro conquistar.

Este tesouro é assegurar a eternidade

sem que no nada um dia eu vá me dissipar.

À minha Mente cabe sempre discernir

pra no fim desta existência eu ter o que apresentar".

quarta-feira, 2 de fevereiro de 2011

HOMENAGEM A YEMANJÁ

Yeyé Omo Ejá - Mãe cujos filhos são peixes – é, sem dúvida, o orixá feminino mais popular do Brasil. Homenageada nas praias do Rio de Janeiro e d o sul do Brasil na última noite do ano, tem, na Bahia, como dia festivo a data de 2 de fevereiro.

Na África era, como todas as divindades femininas da nação yorubá, uma deusa do rio. Tanto que sua saudação permanece sendo “Odó Iyá” : mãe das águas do rio.Originária da região entre Ifé e Ibadan, reinava sobre o rio Yemoja. Guerras fizeram com que seu povo, os Egbá, emigrassem para Abeokutá, a oeste, onde passou a habitar o rio Ogun.

Conta o mito que Yemanjá, filha de Olokun, ( no Benin divindade masculina e em Ifé divindade feminina – mas sempre senhor absoluto do oceano ) foge em direção ao oeste, levando uma garrafa com conteúdo mágico. Perseguida por Olofin/ Odudua, rei de Ifé, quebra a garrafa e um caudaloso rio ali se forma, conduzindo Yemanjá ao mar, onde passará a residir como rainha do palácio de Olokun. Mais precisamente, Èérú Iyá – senhora das espumas das águas. No Brasil o mar, com seus segredos, perigos e abundância, é totalmente associado ao poder de Yemanjá.

Se na África ela é Yemowo, esposa mítica de Obatalá , aqui continua assumindo a mais alta posição de maternidade nutritiva, austera e protetora, embora de forma mais independente. Integra o panteão dos orixás funfun ou seja, os que se empenharam na criação do planeta Terra, respondendo também pela vida e pela morte.

É considerada a mãe de vários orixás. Fugindo de um assédio incestuoso, cai, seu ventre se rompe e dele nascem Xangô, Ogun, Oya, Oshun, Oxossi – para citar os mais cultuados no Brasil. Não podemos esquecer que do mar surgiu a Vida.

É óbvio que esses conceitos de filiação e parentesco, usados com relação aos orixás, são meras identidades energéticas. Da mesma forma que antropomorfizar os orixás, que são energias da natureza, é apenas uma resposta aos anseios da psique humana, na sua dificuldade de abstrair e conceber algo estranho a si própria.

Por ter sido mãe adotiva de Omolu, que recolheu e curou após este ter sido abandonado por sua mãe Nanã, passou a incorporar o arquétipo da mãe generosa e educadora, em substituição ao da “mãe terrível”.

Com Yemanjá surge o instinto maternal das espécies posteriores á época em que nosso planeta era uma imenso lamaçal habitado por bactérias e moluscos.

Se Oshun é a deusa da fecundidade, controla o sangue menstrual e preside o parto, sendo a mãe que gera, Yemanjá é a mãe que educa. A matriarca.

Yemanjá é, na verdade, considerada a Grande Mãe de toda a espécie humana, por ser a dona das cabeças, ou seja, aquela que preside a consciência e responde pela manutenção da saúde mental. Da mesma forma que o mar é imprevisível e guarda segredos insondáveis nas suas águas profundas, também as forças do inconsciente são incontroláveis.

Enquanto Obatalá foi responsável pela formação do corpo humano, Yemanjá despertou a consciência do “eu sou”. Por isso está sempre presente nos rituais ligados ao processo de individuação.