ÁGUIA DOURADA

ÁGUIA  DOURADA

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sexta-feira, 30 de dezembro de 2011

FELIZ 2012

Queridos Amigos e Amigas,
mais um ano finalizado e mais uma etapa que se inicia na nossa infinita Jornada, no momento, de passagem pelo planeta Terra.
Agradeço a Olodumare, o Supremo Arquiteto Universal, por estar inserida neste processo reencarnatório, e às Energias Divinas denominadas Orixás, pela constante sustentação que proporcionam ao Trabalho desta Casa.
Quero, neste limiar de 2012, desejar a todos os companheiros que se consideram membros da nossa Escola Neoxamãnica, bem como aos amigos que nos acompanharam, também através do Blog, uma Mente lúcida e equilibrada - pois Ela, nosso Ori, - quando positivo, resulta na chave para uma existência bem sucedida.
Em sintonia com o seleto grupo de Mestres Ascencionados e iniciados, trabalhadores, curadores e guerreiros da Luz, no plano material e em outras dimensões, está na hora de nos alinharmos, ombro a ombro, contribuindo com intenção e atitude para o advento de um paradigma mais condizente com o novo Projeto que se avizinha, para o destino da Terra.
Que possamos continuar, através dessa Sagrada Luz Divina : a Ayahuasca, dar a nossa contribuição, prosseguindo no propósito do aprendizado, acessando as sublimes Verdades do nosso Eu Interior e os mistérios da Vida.
Peço à Egrégora que vela pelo Céu da Águia Dourada, comandada por nosso Pai Obatalà e minha Mãe Oyà, muita proteção, saúde e discernimento, para que sejamos todos vitoriosos em mais este segmento da nossa estadia na Terra.
Que o amor nutra os nossos corações, a energia dos Orixás nos beneficie e a orientação do nosso Mestre Saint Germain nos norteie !
Eliane Haas

terça-feira, 22 de novembro de 2011

INTOLERÂNCIA versus ERA DE AQUÁRIO

Os Mestres Ascensionados que atuam na Grande Loja Branca foram, pela primeira vez, apresentados ao grande público por Helena Blavatsky. Algumas décadas mais tarde, com a popularização da Era de Aquário e sua característica eclética, os Mestres passaram a ser citados – e até “canalizados”- em profusão, divulgados por uma espécie de doutrina. Em seguida foram acrescentadas as contrapartes femininas – companheiras das quais nunca se ouviu falar na Teosofia. Se Divindades masculinas, costumam ter uma shakti (seu aspecto feminino), jamais se ouviu falar que Mestres Ascencionados(as) tivessem companheiros(as) ou atuassem acompanhados(as) de “almas gêmeas”.

O Mestre Saint Germain, avatar responsável pela Era de Aquário, caracteriza-se pela introdução de um espírito eclético que se propôs resgatar todas as práticas da espiritualidade ancestral dos povos da Terra, que foram destruídas/proibidas pela religião estabelecida, justamente por ser um paladino da Liberdade. A começar pela Liberdade individual.
Uma vez que inúmeros Mestres já instruiram e forneceram à humanidade ensinamentos sobre como melhor proceder, chegou finalmente o tempo de se comprovar a assimilação do aprendizado. Não mais associado a culpa, castigo e uma hipotética redenção, mas através do entendimento profundo da Lei Cármica de Causa e Efeito. Responsabilidade sobre as atitudes e suas consequências.
Considera-se como "resgatável" - o que significa, capaz de se alçar a um patamar superior - 10% da humanidade encarnada.
Essa parcela, ou seja, milhões de pessoas, são aqueles que se destacam do "rebanho" massa indiscriminada , com maturidade espiritual suficiente para realizar seu processo de individuação, discernindo, optando e dispensando "guias" que lhe tolham a Liberdade. Esses estarão aptos a realmente vivenciar a mentalidade da Era de Aquário.
Subentende-se que a Era de Aquário seja a Era do exercício do livre-arbítrio pleno conferido pelo Supremo Poder Universal ao ser humano e que, conforme atesta a História, foi tão usurpado e desrespeitado durante a perseguição ao diferente, que imperou no mundo “civilizado”, sobretudo nos últimos dois mil anos.
Por isso, é motivo de grande estranhamento que pessoas que se declaram identificadas e se consideram inseridas no Projeto da Nova Era não demonstrem o mais básico comprometimento com a Liberdade do seu companheiro de jornada espiritual. 
Líderes de movimentos espirituais que floresceram e, graças a esse espírito libertário - que é a marca  do Mestre Saint  Germain - conseguiram sobreviver, pretendem exercer domínio completo sobre o direito de ir e vir das criaturas que optaram por lhes ser associadas - não subjugadas.
Patrulhar, aplicar sanções e determinar o que é bom e o que é  mau, proibindo pessoas de freqüentarem e vivenciarem as experiências espirituais que bem entenderem é atitude típica do obscurantismo intolerante e repressor da Era de Peixes. Cheira a Santa Inquisição.
É preferível que as pessoas, se não pretendem ampliar seus horizontes, se atenham àquilo que realmente sabem, ao conhecimento que de fato dominam, ao invés de pretenderem aderir a modismos com os quais não se identificam. Saint Germain e Era de Aquário nada têm a ver com proibições, autoritarismo, exclusivismo e disputas de poder.
Seria, portanto, mais coerente manter-se na velha e boa linha do rígido dogma do certo/errado, onde o "pecado" é punido e a virtude não teme o erro, se seguir ancorada na "cartilha da doutrina"...e, por favor, esquecer o nome do Mestre Saint Germain e sua Era de Aquário.

sábado, 12 de novembro de 2011

SINCRETISMOS E O CULTO YORUBÁ

De acordo com os odus Osa Meji e Osetura (v. artigo Orunmila em 10/07/10) o poder especial simbolizado pelo pássaro - conferido à mulher por Olodumare ( Supremo Arquiteto Universal) - encerra obrigação moral de respeito ao feminino, como princípio essencial na estrutura e funcionamento do mundo.
Ao contrário das religiões posteriores, de cunho ético (Judaismo, Cristianismo e Islamismo), onde a figura feminina é excluída do processo criador, o culto Yorubá reconhece o elemento feminino como indispensável na manifestação física do Universo.
Isso é reafirmado através do mito no qual o devido respeito e reverencia é reivindicado por Oxun junto à Divindade Suprema e, à partir daí, as divindades masculinas são obrigadas a incluir o feminino em todos os processos de criação e manutenção do nosso planeta.
Então, não se trata aqui de um feminino importado para suprir alguma lacuna, na figura de alguma mulher encarnada na Terra. O Catolicismo, por exemplo, veio a resgatar de um quase anonimato a mãe de Jesus no Concílio de Éfeso, em 431, proclamando-a “mãe de Deus” – medida que os protestantes não aceitaram e continuam adotando uma concepção religiosa exclusivamente masculina.
Ao contrário de personagens femininas mártires assexuadas, no culto Yorubá venera-se o feminino gerador da Vida, ligado à Mãe-Terra, extensão de Gaia, o corpo que nos gerou, nutre e um dia acolherá nosso descarte físico.
Assim, o reconhecimento básico da autoridade feminina passa a se estender também à mulher no âmbito humano. No culto Yorubá, como na totalidade dos cultos “pagãos” – pré-patriarcais – o feminino está personificado nas grandes sacerdotisas.
Em Osa Meji está especificado que “os homens nada realizam de substancial sem a participação das mulheres”.
HUMANIZAÇÃO DO DIVINO
Quanto aos mitos (itans), que são a espinha dorsal do conhecimento e culto Yorubá, parece que seu simbolismo não tem sido bem assimilado pela sociedade que os importou, insistindo em personificar / humanizar energias arquetípicas.
À exemplo do que ocorria na mitologia grega – para citar apenas a mais popular – os atos amorais, impuros, incestuosos e violentos passaram a ser atribuídos, de forma degradante, àqueles a quem cultuamos como energias inteligentes criadoras e mantenedoras da Vida, que velam pela nossa trajetória na Terra. Sempre auto-referentes, não conseguiram, ou não quiseram, entender que se tratam de padrões-espelhos das nossas próprias fraquezas.
Com isso, passaram a sincretizar os Orixás (v. artigo Orixá 11/06/10) com seres humanos canonizados e cultuados pela igreja católica. O ápice da total incompreensão culminou na associação de Exu ao “demônio” – personagem importado de uma teologia opressora que o inventou com a finalidade de instilar o medo, pois inexiste na mentalidade Yorubá.
Houve um esvaziamento do Poder dos Orixás, deturpando-lhes a forma de culto, como se houvesse alguma possibilidade concreta de se manipular essas forças à maneira dos santos católicos, mediante rezas, pedidos e promessas.
Através do sincretismo, o nome dos Orixás se popularizou de boca em boca que sequer sabem do que estão falando.
O CULTO E INTERFERÊNCIA DOS ORIXÁS
Em primeiro lugar, qualquer trato com, ou manipulação que se pretenda das energias conhecidas como Orixás, depende dos oráculos sagrados. Esses oráculos não se baseiam na intuição mediúnica auto-proclamada, mas em conexão legitimada e estabelecida com essas Forças, mediante rituais específicos e tradicionais, onde não cabe improvisação. Só eles determinam se é cabível e há possibilidade de sucesso no empreendimento.
Isto porque tudo depende de uma permissão cármica. De nada adianta alcançar uma dádiva que não nos cabe por direito e pela qual, mais cedo ou mais tarde, teremos que responder e compensar, já que usurpada a nosso favor.
A própria idéia de se pretender a atenção e a intervenção de um ser superior como espécie de pistolão que nos satisfaça os desejos, é pueril e estranha à mentalidade Yorubá.
Quando consultada, a interferência dos Orixás só se dá dentro da tradição que os trouxe à Terra, ou seja, através de oferendas, sacrifícios e rezas / encantamentos. O resto são crendices e emprego da força mental – que também pode ser capaz de operar milagres...mas não é Orixá.
O BEM E O MAL
No culto Yorubá, Bem e Mal coexistem como faces de uma única moeda, pois sustentam toda a Manifestação Universal. Sem a escuridão, a Luz não seria percebida.
A belíssima imagem de um Cosmos absolutamente negro onde pontilham luzes estelares que provém da Luz maior é um exemplo desta realidade.
O Mal é relativo e os seres humanos procuram aprender com ele e superá-lo na Roda de Encarnações, rumo a sua evolução.
No entanto, um ser maléfico que rivalize e desafie o Poder da Divindade Suprema, Olodumare, é inconcebível no culto Yorubá.
Imaginar que pessoas que se pretendem espiritualizadas assim pensem, é motivo de grande estranhamento, pois para nós, nada / ninguém se oporia à Vontade Divina, já que o Supremo é Absoluto.

terça-feira, 25 de outubro de 2011

SALTO QUÂNTICO DE CONSCIÊNCIA - Ricardo Kelmer

A cada dia mais e mais pesquisadores ligados ao estudo da consciência, antropologia, psicologia e botânica se debruçam sobre uma possibilidade no mínimo intrigante e polêmica. É provável que as plantas psicoativas (que induzem a mente a funcionar em estados especiais) possam ter contribuído significativamente para o surgimento da autoconsciência, fator decisivo que proporcionou aos nossos ancestrais, num determinado ponto da evolução, as condições para sobreviver e gerar a incrível espécie a qual pertencemos: o Homo sapiens.

Admitir tal hipótese é mexer num vespeiro. Muita gente se indagará: “Quer dizer que nós humanos só existimos porque um bando de macacos comeram umas plantinhas e ficaram doidões?” Imagino os mais religiosos: “Era só o que faltava! Deixa só Deus escutar isso!” Pois infelizmente para muita gente, e até para alguns deuses, essa hipótese vem sendo estudada com seriedade e encontra ressonância positiva no meio científico.
Quem já passou por uma experiência com as tais “plantas sagradas”, como a Ayahuasca, o Peiote e a Jurema, sabe perfeitamente do imenso poder que elas guardam. E sabe também que elas não se prestam a um consumo recreativo, exatamente porque costumam tocar muito fundo em nosso interior, abalando nossa compreensão da realidade e de nós mesmos e nos fazendo emergir da experiência profundamente transformados.
Xamãs e pajés do mundo inteiro as utilizam há milhares de anos em contextos religiosos e terapêuticos. Atualmente médicos e pesquisadores de vários países estão unindo medicina acadêmica com antiquíssimas práticas xamânicas que envolvem o uso de plantas psicoativas e, com essa curiosa união, vêm obtendo resultados animadores na cura de muitas doenças como a dependência química.
Atualmente no Brasil proliferam-se seitas e dissidências de seitas que em seus rituais utilizam chás à base dessas plantas, chamando a atenção de estudiosos para o emergente fenômeno.
Toma-se o chá para entrar num estado de consciência não ordinário, onde é possível viver experiências sensoriais e cognitivas as mais diversas.
Há quem encontre pessoas vivas ou mortas, santos, entidades animais ou espíritos de plantas.
Há os que experimentam capacidades psíquicas incomuns ou vivenciam uma intensa sensação de união com a Natureza e tudo que existe.
Há quem passe por profundas experiências de auto-investigação psicológica como também de autocura ou seja tocado por revelações importantes que podem mudar toda uma vida.
Pode não acontecer nada mas também pode ser prazeroso ou doloroso. Pode ser infernal ou divino mas será sempre construtivo. Depende de cada um e de seu momento. Os religiosos radicais, sempre obcecados, diriam que é coisa do demônio. Alguns psicólogos talvez usassem o termo “terapia de choque”. Talvez nada mais seja que um providencial reencontro consigo mesmo e com sua verdade mais íntima.
Por que a crescente procura atual pelas plantas de poder dos xamãs? Por qual razão tantas pessoas ousam se submeter a uma experiência incerta, largando a segurança de sua mente cotidiana e desafiando o desconhecido de si mesmo? Minha impressão é que isso tudo talvez signifique, em última instância, uma forma de religação à Natureza. Religação sim, porque, na verdade, nós também fazemos parte da Natureza. O que houve é que, infelizmente, passamos a nos ver separados dela e com isso nos distanciamos demais da sabedoria natural do planeta e agora, perdidos num mundo cada vez mais caótico e insano, buscamos com avidez crenças e experiências que nos reconectem ao sentido maior da vida e às nossas verdades mais profundas. Entendo isso como um anseio natural e legítimo de uma espécie adoecida: o anseio de cura, liberdade, totalidade e harmonia com a Mãe Terra.
O que liberta também escraviza.
Por minha própria experiência, sei que plantas psicoativas podem ser bastante úteis porque nos fazem olhar para dentro, nos reconectam às leis naturais e ao sagrado de nossas vidas, nos lembram de nosso potencial para a autocura e ajudam a nos libertarmos de medos, culpas e bloqueios. Não há como não se transformar após um profundo encontro consigo mesmo. É por isso que quem passa por tais experiências xamânicas engrossa a legião dos que entendem o mais importante: somente a profunda mudança interior de cada um é que fará finalmente com que o mundo mude para melhor.
Este talvez seja o convite que as plantas sagradas fazem neste momento à nossa espécie: quanto mais pessoas se religarem à sua verdade mais íntima, mais próxima a humanidade estará de seu ponto de equilíbrio. Por outro lado, sei também que a espécie humana está doente e que, na busca angustiada pela cura, é capaz de exagerar no remédio. Por isso, nessa urgente busca por valores espirituais, é preciso, acima de tudo, priorizar a liberdade e atentar para o risco sempre presente de cairmos escravos exatamente daquilo que um dia elegemos como libertador.
As plantas sagradas não ficam de fora desse perigo. Tenho amigos que fazem parte de seitas que utilizam tais plantas e certamente discordarão. Respeito o que eles pensam e admiro sua busca pessoal. Porém, como tudo o mais que existe, as plantas sagradas também possuem dois lados. Se um lado liberta, o outro está lá prontinho para escravizar caso você não se mantenha atento, equilibrado e sem apegos excessivos.

Religiões, seitas e gurus funcionam muito bem para os que necessitam de regras ou se sentem mais seguros pertencendo a um certo grupo. Eles estão em seu caminho e isso deve ser respeitado. Mas há pessoas que conseguem beber em todos os ensinamentos e usufruir do melhor que eles lhes oferecem sem ter de se enquadrar em nenhum específico. É um caminho mais solitário, evidente, e exige um contínuo “estar aberto” - mas que exatamente por isso recompensa quem o trilha com a liberdade que nenhum outro caminho pode oferecer. As regras da seita ou as palavras do guru podem até iluminar durante um tempo, sim, mas até mesmo essa luz pode cegar para os horizontes seguintes da jornada.
O principal ensinamento das plantas de poder (assim como deveria ser o de todo guru) é este: devemos abandonar todas as muletas e aprender a caminhar por nós mesmos. O atual processo coletivo de reconectar-se aos valores da Natureza através das plantas psicoativas não significa uma espécie de retrocesso evolutivo e que devemos voltar a saltar pelas árvores. Nada disso. Uma vez ultrapassados, os marcos da evolução da consciência sempre nos impulsionam para o novo, jamais para trás. Acontece que a verdadeira evolução avança em forma de espiral e é por isso que quando o caminho parece retornar a um determinado ponto, na verdade ele está sim passando novamente por lá - porém num novo nível, mais acima, numa nova dimensão.
alvez essas poderosas plantas, que acompanham nossa espécie desde seu nascimento numa impressionante relação simbiótica, estejam agora nos oferecendo a preciosa oportunidade de mais um salto quântico da consciência, uma intensa transformação da mente e de sua interpretação da realidade - como fizeram nossos peludos antepassados em algum ponto de sua jornada. Agora, porém, diferente deles, possuímos razão e discernimento. Possuímos milênios e milênios de experiência sedimentados no inconsciente comum da espécie e temos nossos próprios erros para nos guiar.
Retornaremos à Mãe Terra e ao sagrado, sim, porque não há outro caminho se quisermos de fato sobreviver como espécie. Mas o faremos num novo nível porque agora estamos mais capacitados para enfrentar o grande mistério da vida, esse mistério que nos maravilha e assombra cada vez que olhamos para o sem-fim do mundo lá fora ou para o infinito interior de nós mesmos.
fonte: site Universo Místico

terça-feira, 18 de outubro de 2011

QS - o QI ESPIRITUAL

Todo o século XX foi marcado pelo conceito de QI como medida de inteligência através de testes. Os defensores da causa consideravam a inteligência a mais valiosa das qualidades humanas, passando a testar e classificar os diferentes atributos cognitivos em crianças e adultos, à fim de determinar seus lugares na sociedade.

Alguns cientistas argumentaram que a inteligência é um conceito demasidamente complexo para ser condensado num valor numérico.
No final da década de 90, o psicólogo Wilhelm Gardner propos a Teoria das Inteligências Múltiplas, de acordo com a qual, os seres humanos poderiam apresentar diversas maneiras de aprender e processar informações, contrapondo uma fator de inteligência geral a habilidades correlatas.Assim, Gardner identificou oito tipos de inteligência:
Lingüística – habilidade em se expressar através da liguagem escrita e falada.
Lógica-matemática – capacidade de raciocínio abestrato, análise e proposição de hipóteses e teorias científicas e tecnológicas.
Interpessoal – capacidade de entender, motivar e lidar com pessoas.
Intrapessoal - capacidade de conhecer a si-próprio.
Corporal-cinestésica – capacidade de usar o corpo humano no seu limite.
Naturalista – total sinergia com a natureza.
Musical – habilidade nata em compor e reproduzir música.
Existencial – capacidade de formular e questionar a existencia de si e do que o cerca.
Agora Dana Zohar e Ian Marshall lançaram o livro QS – Inteligência Espiritual (editado no Brasil pela Record) – propondo a existência de mais um tipo de inteligência, capaz de expandir o horizonte das pessoas, torná-las mais criativas e atuantes na busca pelo significado da vida.
O livro foi matéria de capa nas revistas americanas Newsweek e Fortune e baseia-se em pesquisas sobre o Quociente Espiritual (QS) , que seria o chamado “ponto de Deus”, uma área nos lobos temporais responsável pelas experiências místicas e que nos faz buscar significado e valor para a nossa vida.
Segundo a Dra. Zohar, tudo que influencia a inteligência passa pelo cérebro e seus prolongamentos neurais. Um tipo de organização neural permite ao homem realizar um pensamento racional, lógico. Dá a ele seu QI, ou inteligência intelectual. Outro tipo permite realizar o pensamento associativo, afetado por hábitos, reconhecedor de padrões, emotivo. É o responsável pelo QE, ou inteligência emocional. Um terceiro tipo permite o pensamento criativo, capaz de insights, formulador e revogador de regras. É o pensamento com que se formulam e se transformam os tipos anteriores de pensamento. Esse tipo lhe dá o QS, ou inteligência espiritual.
A Inteligência Espiritual coloca nossos atos e experiências num contexto mais amplo de sentido e valor, tornando-os mais efetivos. Ter alto quociente espiritual (QS) implica em ser capaz de usar o espiritual para obter uma vida mais rica e mais cheia de sentido, adequado senso de finalidade e direção pessoal.
O QS amplia nossos horizontes e nos torna mais criativos. É uma inteligência que nos impulsiona a abordar e solucionar problemas de sentido e valor. O QS está ligado à necessidade humana de ter propósito na vida e é utilizado para desenvolver valores éticos e crenças que vão nortear nossas ações.
Enquanto a inteligência emocional nos permite julgar em que situação nos encontramos e como nos comportar apropriadamente dentro dos limites de determinada situação, a inteligência espiritual nos permite perguntar se queremos estar nessa situação particular. Implica em trabalhar com os limites da situação.
Daniel Goleman, o teórico do Quociente Emocional, fala das emoções. Inteligência espiritual fala da alma.
O QS tem a ver com o significado de algo e não apenas como as coisas afetam nossa emoção e como reagimos a isso.
Dana Zohar identificou dez qualidades comuns às pessoas espiritualmente inteligentes. Segundo ela, essas pessoas:
- Praticam e estimulam o autoconhecimento profundo.
- São levadas por valores idealistas.
- Demonstram capacidade de encarar e contornar as adversidades.
- São holísticas.
- Celebram a diversidade.
- São independentes.
- Dispõem de grande curiosidade estimulada pelo estudo dos enigmas da Vida e do Universo.
- Demonstram capacidade para conceber as coisas desde um contexto mais amplo.
- Demonstram espontaneidade.
- Demonstram compaixão.

domingo, 25 de setembro de 2011

PROFECIAS & ASCENSÃO PLANETÁRIA

Diante da divulgação de inúmeras profecias apocalípticas e as evidentes transformações geológicas e ecológicas que vem ocorrendo no nosso planeta, seguidamente nos chegam questionamentos sobre o que teríamos a dizer sobre este momento de transição e o nosso futuro. Muitos interpretam esses sinais como uma catástrofe global e até possível extinção da civilização na Terra.

Gaia realmente está destinada a galgar um patamar superior na sua evolução e Toda Ascensão requer transformação.
Aproximadamente 10% da humanidade, ( ou seja, cerca de 6,7 bilhões de seres humanos encarnados ) está – consciente ou inconscientemente - comprometida com esse Projeto de Ascensão Planetária. Muitos já estão aqui para organizar e administrar uma Nova Consciência rumo ao patamar acima da terceira dimensão. Alguns com a tarefa de guiar e auxiliar nas calamidades e posteriormente reconstruir sobre as catástrofes que se sucedem. Alguns ocuparão posições de proeminente liderança, enquanto outros exercerão tarefas humildes, mas não menos importantes na missão de semear e expandir a Luz no nosso planeta. Certo é que todos serão faróis de sabedoria e lucidez, sem fanatismo dogmático, sempre influenciando através do exemplo de vida e do comportamento equilibrado, solidário e firme.
Embora, superficialmente, a situação política, econômica, ecológica e social pareça totalmente entregue as forças involutivas, um novo paradigma de união já germina sob a carcaça do que, inevitavelmente, vai desabar.
Brota um mundo acima da freqüência tridimensional que moldou o medo da finitude e a ganância selvagem. Um mundo construído por uma humanidade iqualitária, idealista e solidária. Amorosa ?, muito se fala em amor mas poucos sabem do que se trata. Este seria um tema para outra ocasião. O tão exaltado amor vem gerando mal entendidos capazes de provocar crimes, violência e guerras nos últimos 2000 anos em que tanto dele se falou.

O acréscimo no número de ciclones, raios, terremotos, furacões e tempestades, não se trata de “castigo” divino – como alguns simploriamente interpretam. A magnitude dos desígnios Divinos no âmbito cósmico está bem além dos nossos destinos individuais.

Cada um desses fenômenos – sob o nosso ponto de vista, catástrofe - tem a ver simplesmente com as mudanças no corpo de Gaia e são instrumentos da sua Ascensão. Tem a ver com a distribuição de energia e com o mecanismo de aquecimento global.

A emissão de gases poluentes produzindo o efeito estufa, de fato acelera o aquecimento, mas este, na verdade, ocorreria invariavelmente, pois faz parte do Projeto de Ascensão da Terra.

Sua causa provem do interior do planeta e é decorrente do aumento da velocidade de rotação do seu eixo interior.

A rotação da Terra está mais acelerada. Isso está provocando um atrito intenso entre o manto, a crosta e as camadas de magma do seu interior, elevando a temperatura do ferro que compõe o eixo central. A pressão da sua massa é que produz o aquecimento de toda a superfície, alterando as águas e nos ares, assim como o movimento das placas tectônicas.

Esse atrito é que está provocando o aquecimento, provocando também o derretimento das calotas polares, alterando as correntes e, por conseguinte, a atmosfera. Como parte do processo de Transição do planeta, é óbvio que nada poderia evitá-lo ou impedi-lo.

Então, com o derretimento das geleiras, o nível das águas vai subir, o número de terremotos e furacões não diminuirá e muitas alterações nos continentes acontecerão, fazendo desaparecer porções de terra e empurrando outras para a superfície. O derretimento é apenas um dos aspectos da grande complexidade desta Operação em curso, se levarmos em consideração também os códigos de freqüência e o campo magnético da estrutura cristalina do gelo das calotas.

Outros aspectos ligados a esse Projeto de Ascensão são a reversão dos pólos magnéticos e a inclinação do eixo da Terra. Cabe ressaltar que as reversões polares ocorrem no Sol, na Lua e não será a primeira vez que ocorrerá na Terra. Já a alteração na inclinação axial, atualmente de 23,8º, será provavelmente decorrente do derretimento, influindo na distribuição de peso entre as massas de água dos oceanos e da terra firme dos atuais continentes.

Embora muitos profetas, videntes e canalizadores fixem datas, como e exatamente quando, tudo isso se manifestará, ninguém sabe.

Ter a pretensão de conhecer os desígnios do Grande Mistério seria insensatez vaidosa.

Quando se profetiza a partir de um ponto específico do tempo-espaço o potencial de realização submete-se a um fluxo mutante. Por isso seria impossível fazer previsões na linha do tempo, quando tangem a esfera Cósmica.

Cabe a cada um procurar cumprir a sua parte, confiando sem medo, com tranqüilidade e entrega total, ciente de que está à serviço da Consciência Planetária e seu Projeto, ocorra ele de forma tranqüila a pouco afetar nossos destinos individuais ou atingindo proporção catastrófica global.

A forma como tudo se sucederá, dependerá do quociente de Luz e nível vibratório.

Acima de tudo, não podemos esquecer que:

- nossa importância no planeta não é mais relevante do que a de outras espécies. Não somos o centro da Criação e, muito menos, a razão de ser do planeta Terra. Nossa recente presença aqui é circunstancial na existência de um corpo celeste de mais de 4 bilhões de anos, que, aliás, já abrigou outras espécies, hoje extintas.

- e, principalmente, que nada ocorre sem planejamento e determinação das Sagradas Hierarquias Terrestre e Galáctica.

domingo, 18 de setembro de 2011

A AYAHUASCA NO CÉU DA ÁGUIA DOURADA

Segundo os ensinamentos iniciáticos das antigas tradições, nossa missão na Terra é, vivenciando a dualidade, evoluir, aprender, buscar a Luz onde toda a Vida teve origem. Passar pela experiência da encarnação em matéria buscando o conhecimento Maior, desvendando um pedacinho do Grande Mistério Cósmico onde estamos inseridos e admitindo a plena soberania do Eu Divino, que é a nossa essência.

Descobrir como o amor é a vibração de toda a Emanação Divina e o verdadeiro Conhecimento, a chave fundamental da evolução.

A beleza e a força das culturas ancestrais das Américas, vivendo em contato estreito e reverente com a consciência da Natureza, criaram Mestres Xamânicos que desenvolveram um profundo entendimento e aprenderam a trabalhar com o conhecimento das plantas, seus dons e limitações, com os Reinos das Quatro Direções e seus elementais. Assim, criaram um sistema próprio de evolução espiritual e suas civilizações passaram pelas fases naturais do desenvolvimento, apogeu e declínio, desintegradas pelos colonizadores europeus.

Como as línguas nativas não possuíam escrita, o conhecimento baseava-se na oralidade.

À medida em que as etnias iam sendo dizimadas ou conquistadas por meio da guerra, eram forçadas a assimilar os costumes e dogmas coloniais europeus. A maior parte do saber ancestral foi diluído ou sincretizado, uma vez que os remanescentes foram obrigados a adotar a doutrina cristã e acabaram finalmente absorvidos pela cultura industrial.

Uma nova mentalidade foi implantada. Uma mentalidade que trouxe benefícios tecnológicos, mas embotou a sensibilidade, a intuição e a espiritualidade.

No presente momento de despertar da Terra e resgate dos legados ancestrais em todo o planeta, (res)-surge um Neo Xamanismo, destinado a restaurar esses elementos perdidos de sabedoria e conhecimento.

Hoje, num contexto diferente, chegamos a um ponto onde essa ancestralidade valorosa pode ser honrada – por quem assim o desejar e estiver em sintonia com esse chamado – pois alguns dos Guardiões desta Medicina Sagrada caminham novamente pela superfície do planeta, encarnados nas mais diversas nações.

Na contramão das doutrinas religiosas formais, é um presente da Mãe Natureza, oferecendo a chave para a jornada Interior do auto-conhecimento e do êxtase, em conexão direta com o Divino, rumo à ascensão.

Seguindo esta linha, a finalidade das Jornadas no Céu da Águia Dourada com a Planta de Poder Ayahuasca, é romper filtros criados pelo inconsciente, tornando consciente, através de trabalho sistemático, grande parte dos nossos conflitos e aspectos reprimidos no decorrer desta ou de encarnações anteriores.

As chamadas Plantas Mestras são capazes de acelerar vivências e expandir nosso foco de consciência, tornando possível vislumbrar nossa Verdade mais íntima através de lentes multidimensionais. Esse acesso é possível quando as direcionamos no propósito de aquietar a mente consciente e iluminar as sombras corrosivas do que guardamos bem escondido no nosso íntimo - e nos recusamos a admitir ou enxergar.

Na conexão com o Divino não adotamos crenças dogmáticas, pois estamos convictos de que sectarismos maniqueístas fazem parte de um paradigma obsoleto que causou muitas dores à humanidade. Para esta mentalidade não haverá lugar dentro da espiritualidade universalista e cósmica da Nova Era.

No entanto, não há como ignorar no Céu da Águia Dourada a presença evidente e efetiva da egrégora que nos sustenta e ilumina, ligada à Hierarquia Dévica. Ela é encabeçada pelas primeiras energias inteligentes que comandam a Natureza do nosso Planeta, desde muito antes dele abrigar seres humanos. Essas energias, conhecidas e cultuadas em várias culturas no decorrer dos nossos quase 300 000 anos, foram, na era atual, identificadas pela cultura africana yorubá e denominadas “Orixás”.

O trabalho com a Ayahuasca, conforme o concebemos, é o processo mais eficiente para quem busca, através do Divino dentro de si, o acesso aos mundos interiores e também às dimensões mais elevadas do que os limites tridimensionais da nossa atual existência.

No entanto, cabe a ressalva de que o uso das Plantas Sagradas - como todas as medicinas na infinita diversidade do nosso Planeta - não é adequado a todas as pessoas, dependendo de uma afinidade física, psíquica e espiritual.

É um caminho para corajosos e responsáveis que se empenham em emprestar um sentido maior as suas existências, através do aprimoramento individual em termos de aprendizado e evolução, para ter uma missão cumprida a apresentar quando seu tempo aqui na Escola Terra se “esgotar”.

quarta-feira, 7 de setembro de 2011

ALIMENTAÇÃO VIVA - controvérsias

Uma das mais populares tendências junto aqueles que pretendem uma maior qualidade de alimentação é o Crudivorismo – a dieta composta exclusivamente de frutas, folhas, raízes e grãos crus, na convicção de que o fogo mata os nutrientes e que o corpo humano só estaria verdadeiramente adaptado a consumir os alimentos da forma como a natureza os fornece – assim como o fazem os animais.

Se, por um lado, a chamada “alimentação viva”, ou seja, de alimentos não-cozidos, vem conquistando cada vez mais adeptos, esta inovação vem suscitando controvérsias, inclusive do antropólogo Richard Wrangham, professor da Universidade de Harvard.
Ele sustenta que o hábito de cozinhar os alimentos remonta a 1,8 milhão de anos, época em que o homo erectus surgiu na África, e que graças justamente a esse hábito, pudemos nos tornar “humanos”. Segundo ele, no cozimento dos alimentos reside o segredo da nossa evolução.
Analisando os cardápios dos esquimós do norte do Canadá, dos kalahari africanos e dos aborígenes australianos, concluiu que não há registros de povos que tenham uma dieta inteiramente crua. O cozimento da refeição esquimó do final do dia foi objeto de estudo na Universidade de Oxford e a conclusão foi que viver de uma dieta inteiramente crua resultaria na perda de peso e deficiência crônica de energia.
Alimentos cozidos são digeridos mais facilmente , já que o organismo gasta menos energia para quebrar suas moléculas. Estudos sobre o amido cozido presente na aveia, no trigo, nas batatas e no pão, revelaram que 95% dele é digerido pelo corpo humano, enquanto que no cru a taxa cai pela metade.
Pesquisas do Dr. Wrangham junto a grupos crudívoros demonstraram que a proporção de alimentos crus diminui o índice de massa (relação entre peso e altura de uma pessoa), indicando talvez que os alimentos crus não proporcionem a quantidade suficiente de calorias para manter um corpo saudável.
Um estudo realizado com 513 pessoas, na Alemanha, comprovou que, além de perderem em média 10 kg quando passavam da dieta cozida para a crua, quase um terço das pessoas apresentava deficiência crônica de energia. 50% das mulheres pararam de menstruar e os homens apresentaram disfunções sexuais – o que, se não alterar objetivos pessoais, pode ser comprometedor para a manutenção da própria espécie humana.
Segundo o mito grego, o fogo nos foi concedido por Prometeus, após roubá-lo de Zeus.
Não há consenso sobre a data exata em que os humanos começaram a controlar o fogo, mas certa é a sua sacralidade atávica, em todas as civilizações da Terra, quando guardiões cuidavam para que não se extinguisse.
Presente dos deuses ou não, significou a maior conquista da humanidade, passo decisivo na nossa sobrevivência e evolução. Graças a ele os primeiros hominídeos puderam se defender de predadores e manter o calor necessário para a preservação da vida, além de forjar instrumentos para extensão da mão, que permitiram o desenvolvimento da agricultura e possibilitaram todo o avanço tecnológico que nos preservou a vida e nos transformou no que somos: criadores e destruidores.
O cozimento dos alimentos por parte dos nossos ancestrais, alem de conservá-los por mais tempo ( numa situação difícil e incerta, em que a comida não se encontrava à disposição nos supermercados ) também matava parasitas e outras bactérias que poderiam ser nocivas. Vale ressaltar também que sem a fervura da água, certamente não teríamos sobrevivido.
O cozimento tornou a digestão mais fácil, diminuindo também o tamanho dos maxilares, estômagos e intestinos.
Além disso, tudo indica que o cozimento estaria diretamente ligado ao desenvolvimento do neocórtex próprio do homo sapiens sapiens. Segundo Wrangham, a alimentação cozida produziu crescimento na caixa craniana dos habilinos (um tipo de símio) e esse fator teria também levado ao aparecimento do homo erectus – nosso antecessor -, com o aumento do cérebro em cerca de 40%. Devido a dieta cozida, o cérebro teria crescido de 870 cm³ até a caixa craniana atual, de aproximadamente 1 400 cm³.
Então, a arte, a filosofia e toda a contribuição científica e tecnológica que nos tornaram o que somos, só foram possíveis devido a esse crescimento de massa cerebral, decorrente da dieta cozida.
A questão está lançada e o debate está aberto.

sexta-feira, 2 de setembro de 2011

FACE À CRISE : 4 PRINCÍPIOS E 4 VIRTUDES - Leonardo Boff

Meu sentimento do mundo me diz que quatro princípios e quatro virtudes serão capazes de garantir um futuro bom para a Terra e à vida. Aqui apenas os enuncio sem poder aprofundá-los, coisa que fiz em várias publicações nos últimos anos.
A frase de Einstein goza de plena atualidade: “o pensamento que criou a crise não pode ser o mesmo que vai superá-la”.
É tarde demais para fazer só reformas. Estas não mudam o pensamento. Precisamos partir de outro, fundado em princípios e valores que possam sustentar um novo ensaio civilizatório. Ou então temos que aceitar um caminho que nos leva a um precipício. Os dinossauros já o percorreram.
Meu sentimento do mundo me diz que quatro princípios e quatro virtudes serão capazes de garantir um futuro bom para a Terra e à vida. Aqui apenas os enuncio sem poder aprofundá-los, coisa que fiz em várias publicações nos últimos anos.
O primeiro é o cuidado.
É uma relação de não agressão e de amor à Terra e a qualquer outro ser. O cuidado se opõe à dominação que caracterizou o velho paradigma. O cuidado regenera as feridas passadas e evita as futuras. Ele retarda a força irrefreável da entropia e permite que tudo possa viver e perdurar mais. Para os orientais o equivalente ao cuidado é a compaixão; por ela nunca se deixa o outro que sofre abandonado, mas se caminha, se solidariza e se alegra com ele.
O segundo é o respeito.
Cada ser possui um valor intrínseco, independetemente de seu uso humano. Expressa alguma potencialidade do universo, tem algo a nos revelar e merece exisitir e viver. O respeito reconhece e acolhe o outro como outro e se propõe a conviver pacificamente com ele. Ético é respeitar ilimitadamene tudo o que existe e vive.
O terceiro é a responsabilidade universal.

Por ela, o ser humano e a sociedade se dão conta das consequências benéficas ou funestas de suas ações. Ambos precisam cuidar da qualidade das relações com os outros e com a natureza para que não seja hostil mas amigável à vida. Com os meios de destruição já construidos, a humanidade pode, por falta de responsabilidade, se autoeliminar e danificar a biosfera.
O quarto princípio é a cooperação incondicional.

A lei universal da evolução não é a competição com a vitória do mais forte mas a interdependência de todos com todos. Todos cooperam entre si para coevoluir e para assegurar a biodiversidade. Foi pela cooperação de uns com os outros que nossos ancestrais se tornaram humanos. O mercado globalizado se rege pela mais rígida competição, sem espaço para a cooperação. Por isso, campeiam o individualismo e o egoismo que subjazem à crise atual e que impediram até agora qualquer consenso possível face às mudanças climáticas.
Os quatro princípios devem vir acolitados por quatro virtudes, imprescindíveis para a consolidação da nova ordem :
A primeira é a hospitalidade.
Virtude primacial, segundo Kant, para a república mundial. Todos tem o direito de serem acolhidos o que correspode ao dever de acolher os outros. Esta virtude será fundamental face ao fluxo dos povos e aos milhões de refugiados climáticos que surgirão nos próximos anos. Não deve haver, como há, extra-comunitários.
A segunda é a convivência com os diferentes.
A globalização do experimento homem não anula as diferenças culturais com as quais devemos aprender a conviver, a trocar, a nos complementar e a nos enriquecer com os intercâmbios mútuos.
A terceira é a tolerância.
Nem todos os valores e costumes culturais são convergentes e de fácil aceitação. Dai impõe-se a tolerância ativa de reconhecer o direito do outro de existir como diferente e garantir-lhe sua plena expressão.
A quarta é a comensalidade.
Todos os seres humanos devem ter acesso solidário e suficiente aos meios de vida e à seguridade alimentar. Devem poder sentir-se membros da mesma família que comem e bebem juntos. Mais que a nutrição necessária, trata-se de um rito de confraternização.
Todos os esforços serão em vão se a Rio+20 de 2012 se limitar à discussão apenas de medidas práticas para mitigar o aquecimento global, sem discutir outros princípios e valores que podem gerar um consenso mínimo entre todos e assim conferir sustentabilidade à nossa civilização. Caso contrário, a crise continuará sua corrosão até se transformar num tragédia. Temos meios e ciência para isso.

Só nos faltam vontade e amor à vida, à nossa, e a de nossos filhos e netos. Que o Espírito que preside à história, não nos falte.