ÁGUIA DOURADA

ÁGUIA  DOURADA

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sábado, 1 de agosto de 2015

A ANCIÃ DE AGOSTO - "AQUELA QUE CURA" - por Jamie Sams


A tribo de todos os Seres Verdes é, às vezes, chamada de Tribo do Cobertor da Terra, pois juntando todos os Seres Plantas e Árvores,  formam um grande tapete que protege o solo da Mãe Terra de erosões e mantém em equilíbrio o ciclo das renovações. “Aquela que cura” é a guardiã dos usos medicinais de todas de plantas que cobrem a Mãe Terra. Ela conhece quais as plantas e suas partes que devem ser usadas nos remédios, assim como e quando devem ser ministrados.


Enquanto Guardiã dos Mistérios da Vida e da Morte, ela recepciona os novos espíritos que chegam a este mundo, assumindo um corpo humano. Quando um indivíduo completa sua caminhada na Terra, ela canta aos seres que estão “tirando suas vestes”, ou seja, que estão morrendo e voltando ao mundo dos espíritos. Ela também serve as Crianças da Terra costurando seus cortes, consertando seus ossos, dando Luz aos seus bebes e curando seus corpos e espíritos durante a sua caminhada na Terra.

“Aquela que cura” é também a guardiã dos ciclos de crescimento da Roda de Cura e de todos os Ritos de passagem. Ela nos ensina os passos da gestação, do nascimento, do crescimento, da morte e do  renascimento. Ela nos mostra como a Grande Roda de Cura da Vida gira, quando é hora de lutar pela Vida e quando desapegar, quando devemos permitir que nosso Espírito faça a escolha e como devemos aceitar a morte como mais um passo que nos conduzirá ao renascimento. 

“Aquela que cura” provê a cada ser humano a habilidade de largar o medo da morte e aceitar a mudança como uma nova  aventura. Se a morte é o fim de um relacionamento, o fim de um trabalho ou emprego, ou o fim da vida nesse plano físico, ela nos mostra como enxergar além da ilusão de um encerramento e celebrar cada curva na estrada como um passo que nos levará ao Todo.


A oitava anciã incorpora o Principio Feminino que serve às crianças da Terra dando assistência nos processos de Cura dos seres humanos. Ela enxerga a Essência Espiritual que esta nos seus corpos desde o nascimento. Ela enxerga as doenças que são criadas quando se perde a conexão com a Essência Espiritual durante a vida.

Ela ajuda na reconexão com a Chama Eterna do Amor quando  decidimos curar o corpo físico e prosseguir nossa caminhada sobre a Terra. 
Ela nos mostra como saber quando a missão na Terra está completa, quando estamos prontos para seguir em frente e nos prepararmos para o renascimento no Mundo dos Espíritos.



sábado, 21 de março de 2015

BUDISMO E ECOLOGIA PROFUNDA - por Jostin Khirsty


Os sistemas espirituais são mais do que a crença em uma divindade transcendente ou um meio para atingir o estado pós-vida. Eles são um modo de compreender tanto o cosmo quanto o nosso papel em sua preservação. Desse modo, estamos intimamente ligados à ecologia, que abarca a percepção cultural do parentesco e a dependência do ambiente natural para a continuidade da vida. 

O Budismo, um dos maiores sistemas espirituais do mundo, oferece uma filosofia bem desenvolvida de nossa ligação com a natureza. A ecologia profunda está focada na sobrevivência e na autorrenovação de todos os seres vivos. O casamento de sistemas espirituais com a ecologia profunda promove a percepção moral e cultural do parentesco do ambiente natural com a continuidade de toda a vida. 
Ouvimos falar da ocorrência de desastres ecológicos em todo o mundo com muita frequência. Quase todas essas crises resultam da negligência, apatia e avidez humanas. Elas variam do esgotamento de recursos naturais, da extinção de espécies, do crescimento da poluição e das mudanças climáticas à explosão populacional e ao consumo exacerbado. Desde de 1992 a Liga de Cientistas Engajados (Union of concerned scientists), com mais de cem ganhadores do prêmio Nobel e 1.600 outros cientistas de 70 países, tem advertido sobre a crise ecológica que se aprofunda, causada pelas atividades humanas no planeta. 
Os cientistas afirmam que é necessária uma grande mudança na administração da Terra e da vida sobre ela, se quisermos evitar uma enorme miséria e a irrecuperável mutilação do nosso planeta. Quase todos os avisos desse tipo são ignorados e ridicularizados. Uma proeminente fonte de desinformação a respeito do aquecimento global, por exemplo, foi governo Bush-Cheney. Eles silenciaram os cientistas que trabalhavam para o governo a respeito desse problema e empossaram profissionais céticos, recomendados por companhias petrolíferas para o posto de principais negociadores. O mundo tem estado atônito com a arrogância e a ignorância desses líderes políticos e seus apadrinhados. 
As razões para as ameaças à natureza, especialmente no Ocidente, não são difíceis de detectar. Espíritual e psicologicamente vivemos dentro de uma bolha, a bolha do "eu" e o restante do mundo "lá fora". Segundo o pensamento Budista, esse senso de separação se manifesta sob a forma de três venenos: ganância, má vontade e ilusão. Exemplos desses venenos podem ser vistos em toda a parte, no atual quadro de crise ecológica. A ganância tem raízes no crescimento econômico desenfreado, e o consumismo é a religião secular das sociedades industriais avançadas. Ao mesmo tempo, o complexo industrial-militar promovem a má vontade, o medo e o terror, enquanto os sistemas de propaganda, politica ou não, são bem conhecidos por iludir o público a respeito. A questão fundamental de nosso tempo é se podemos ou não fazer oposição a essas forças, desenvolvendo atitudes de respeito, responsabilidade e cuidado com o mundo natural, e assim criar um futuro sustentável. 
Desde sua origem na Índia, 500 anos antes do nascimento de Cristo, o Budismo disseminou-se pela Ásia e atualmente exerce influência crescente sobre a cultura ocidental. Nós no ocidente, estamos despertando para o fato de que existe uma ciência da mente mais antiga do que a nossa. 
O filósofo Allan Watts assinalou que, historicamente Buda (563-483 a.C) foi o primeiro grande psicoterapeuta da humanidade. Ele não apenas reconheceu o significado da ansiedade existencial( ou Sofrimento) que estamos sempre experimentando como também apresentou maneiras de tratá-la. Muitos psicólogos e psiquiatras consideram a atual descoberta da filosofia budista no Ocidente como uma espécie de segunda renascença. 
Ao longo dos séculos, a filosofia budista tem sido cuidadosamente estudada e documentada por estudiosos e praticantes pelo mundo afora. Um ponto de partida é o princípio central referente à interconexão de toda a vida- seres humanos, animais e vegetais - O ensinamento ético budista enfatiza que essa interdependência vem com um componente moral. Para nós, humanos, isso significa manter um senso de responsabilidade universal em tudo o que fazemos. 
A pedra angular de todo o ensinamento budista são as Quatro Nobre Verdades. A primeira verdade é a do sofrimento(a ansiedade existencial), começando com o nascimento, estendendo-se com o envelhecimento e, depois, inevitavelmente com a morte. A segunda verdade é que a ganância e o desejo humano são a raiz de nosso sofrimento. A terceira verdade afirma que é possível eliminar o desejo, a ganância e o sofrimento pela transformação da mente. A quarta verdade é o Nobre Caminho Óctuplo, um conjunto de práticas para cultivar essa transformação, levando à extinção tanto do desejo quanto do sofrimento. Os budistas asseguram que a cuidadosa percepção da ansiedade existencial produz uma empatia compassiva por todas as formas de vida. 
Dois outros conceitos formam a base do pensamento budista: a impermanência e a interdependência. Todos os fenômenos são impermanentes, porque tudo está em transição. A interdependência se refere ao fato de que tudo é parte de tudo o mais. 
As raízes filosóficas do movimento chamado de ecologia profunda podem ser encontradas nos escritos de Henry David Thoreau, Theodore Roszak, Lewis Mumford, Rachel Carson e outros, remontando a Baruch Spinoza e aos filósofos budistas. Mas foi em 1982 que o filósofo norueguês Arne Naess cunhou o termo, para distingui-lo de uma ecologia rasa, antropocêntrica e tecnocrática. Desde então, Naess tem divulgado detalhadamente uma plataforma abrangente, descrevendo o significado e o escopo da ecologia profunda, delineada num resumo de oito pontos: 
1- O bem-estar da vida humana e não humana é valioso em si mesmo
2- A interdependência, a riqueza e a diversidade das formas de vida contribuem para a realização desse valor
3- Os seres humanos não têm o direito de reduzir essa riqueza e essa diversidade, a não ser para satisfazer necessidades vitais. 
4- A atual interferência humana no mundo não humano é excessiva, e essa situação está piorando rapidamente
5- O florescimento da vida e da cultura humana é compatível com a diminuição gradual da população humana. Além disso, o florescimento da vida humana requer essa diminuição
6- Portanto, as políticas devem ser mudadas. As mudanças na política afetarão a economia básica e a estrutura tecnológica 
7- É necessária uma mudança ideológica que passe a enfatizar a qualidade de vida ao invés da luta por um padrão de vida sempre mais elevado
8- Aqueles que subscrevem os itens acima têm a obrigação de ajudar a implementar essas mudanças. 
Imaginar um ego isolado de tudo o mais e trancafiado num saco de pele é uma alucinação. Na verdade, tudo está conectado com tudo mais. Dada à enorme similaridade do pensamento budista com a ecologia profunda, não é difícil compreender que a egocentricidade precisa ser substituída pela ecocentricidade. 
Como podemos aproveitar a óbvia interconexão entre o pensamento budista e ecologia profunda para lidar com os problemas urgentes que ameaçam os seres vivos neste planeta? Como escreveu Vaclav Havel,ex-presidente da República Tcheca, "a única opção para nós é uma mudança na esfera do espírito, na esfera da consciência humana. Não basta inventar novas máquinas, novas regras e novas instituições. Devemos desenvolver uma nova compreensão do verdadeiro propósito de nossa existência na Terra. Somente ao efetuarmos essa mudança fundamental, seremos capazes de criar novos modelos de comportamento e um novo conjunto de valores para o planeta." 
Assim como Havel, dezenas de filósofos, economistas e políticos têm reconhecido que a crescente crise humana é resultado da falta de raízes espirituais profundas, produzidas em grande parte pelo fato de o significado e a identidade espiritual terem se divorciado da vida. Mas como podemos despertar para enfrentar essa crise? 
Atualmente existem evidências de uma mudança cultural emergente, já que milhões de pessoas e seus líderes estão se mexendo para lidar com essas questões, como se estivessem saindo de um transe. Aqui estão algumas possíveis vias de aproximação:
- Despertar coletivo
- Construção de sistemas sustentáveis
- Transformação da economia mundial
- Transformação da ética
Dizem que quando as pessoas viram Buda logo após a sua iluminação, ficaram tão perplexas pela extraordinária quietude de sua presença que pararam para perguntar: "O que sois? Sois um deus, um mago ou um feiticeiro?". A resposta foi surpreendente. Buda disse simplesmente:"Eu estou desperto." Sua resposta tornou-se o seu título, pois isso é o que significa a palavra buda em sânscrito: aquele que está desperto. Enquanto o restante do mundo estava em sono profundo, sonhando um sonho conhecido como estado de vigília, Buda livrou-se do sono e despertou. 
Embora o chamado para o despertar de Buda tenha ocorrido há muito tempo, tendo desde então se repetido inúmeras vezes por quase todos os sistemas espirituais conhecidos, é desastroso que uma metafísica mal compreendida nos tenha levado à alienação entre nós e a Terra e entre nós e os outros seres vivos. É imperativo que restauremos a percepção dessa interdependência. Naturalmente, uma transformação assim requer profunda reeducação a cada passo de nossas vidas. As fundações particulares, organizações não governamentais, instituições acadêmicas e organizações religiosas têm igual interesse em estabelecer prioridades nesse esforço. 
É importante que perdoemos as destruição do passado e reconheçamos que ela foi produzida pela ignorância. Ao mesmo tempo, devemos reexaminar, do ponto de vista ético, que tipo de mundo herdamos, tudo aquilo por que somos responsáveis, e tudo, o que lograremos às gerações futuras.


terça-feira, 6 de janeiro de 2015

O TRABALHO COM A CHAMA TRINA

A manifestação Universal está subdividida em sete Raios primordiais que representam as energias fundamentais do Cosmos. Tudo interpenetram, desde os aglomerados galáticos até as ínfimas partículas sub atômicas. Cada um na sua gama vibratória emana uma cor, um som e uma qualidade  próprias. Cada ideia da Mente Universal é permeada pela característica vibratória de determinado Raio e cada um, por sua vez, contem um pequeno percentual dos demais, uma vez que o Universo, em todas as suas dimensões, é um holograma.
Interpenetrando a aura da Terra eles imprimem, cada um, padrões estruturais vibratórios específicos de acordo com o plano evolutivo correspondente a determinada espécie que ela abriga, dentro dos diferentes reinos elementais.
No plano humano os Raios vibram irradiando estímulos das altas linhagens hierárquicas, auxiliando no propósito superior de moldar e adequar a espécie humana a sua trajetória de retorno a sua origem Divina.

Quando  a matéria primordial da qual, no futuro, surgiria a espécie humana - emergiu do caos indiferenciado, fluiu através desses distintos canais fundamentais – os Raios.  Da mesma forma que cada espécie formou-se preponderantemente de um raio, cada ser humano proveio de um desses determinados Raios, marca registrada da sua essência Superior Divina.



No estudo dos Raios, que concerne a Chama Trina, note-se que a manifestação do Logos do nosso sistema solar – ao qual as religiões se referem como “Deus” - emanam três aspectos, conhecidos como os três primeiros Raios. Em cada Era, com suas sucessivas raças que encontraram o seu apogeu e declínio, preponderaram as características de um determinado Raio, com a finalidade de auxiliar a sua plena evolução.
A Chama Trina é um foco de energia sagrada composta por esses três primeiros Raios e emanada à partir do chakra do coração. Trata-se de uma força direcionada e específica  com a intenção de maximizar a abertura do portal para os chakras superiores, ligados as nossas atividades espirituais. É uma pequena Chama ígnea que se manifesta nas vibrações de cor azul, rosa e dourada, formando o módulo primário dos três primeiros aspectos do Logos Solar :

O Raio Azul manifesta o Poder e a Vontade empreendedora necessária para que se concretize toda a ação. Determinação e iniciativa que no plano humano resulta no domínio de si mesmo e no conhecimento do Eu, que não se deixa governar por outros. O absoluto arbítrio do seu destino é a sua fortaleza. Seu verbo é “querer”.

O Raio Rosa manifesta o Amor e o Desapego. Entrega incondicional à Fonte da Vida, compaixão e altruísmo. É o harmonizador que faz florescer o Bem em potencial no humano, já que inerente ao seu Eu Superior. A empatia que percebe o estado de consciência do próximo e se coloca no lugar dele. Fraternidade que ultrapassa a cooperação, pois provém do sentimento de unidade, enquanto a segunda vem da ação. Seu verbo é “amar”.

O Raio Dourado manifesta o conhecimento com Compreensão, que leva à Sabedoria, pois o conhecimento meramente racional é próprio do 5º Raio. Adaptabilidade, versatilidade decorrente de múltiplos interesses, capacidade de distanciamento e abstração para penetrar os mistérios do Universo e as Verdades absolutas. Traz a abertura para várias vertentes que facilitam a solução de problemas e também múltiplos interesses. Seu verbo é “pensar”.

A Chama Trina foi ancorada pelo Mestre Saint Germain dentro do seu Projeto Aquariano. Sua divulgação e todo o trabalho prático para o seu desenvolvimento é mais um recurso para a intensificação de potenciais, cura e Iluminação, dedicado aos buscadores alinhados com a mentalidade espiritual da Nova Era.
No Céu da Águia Dourada o ano de 2015 será dedicado a este Trabalho do seu patrono e Mestre Saint Germain.


quinta-feira, 25 de dezembro de 2014

AS ORIGENS HISTÓRICAS DO NATAL

No período anterior aos dois últimos milênios, grande parte das civilizações desde a Ásia, passando pelo Egito, todo o Mediterrâneo, Europa, até a atual América do Norte, festejava o novo ciclo do Sol como sendo o acontecimento mais importante da Terra. O chamado solstício de inverno (no hemisfério norte) acontece anualmente no período que varia entre 17 e 25 de dezembro, dependendo do ciclo solar de cada ano, quando o sol ingressa no signo de capricórnio.
Nas arcaicas culturas solares, o solstício de inverno, marcando a mais longa noite e o mais curto dia do ano - a partir de quando a duração do dia começa a aumentar - simbolizava o início da vitória da luz sobre a escuridão.
A mitologia hindu-iraniana fala do Sol como “sol vencedor” e, representando a Luz, era associado ao deus Mithra. Representava também o Bem e a libertação da matéria. Junto aos persas, Mithra nasce como filho de Ahura-Mazda, Deus do Bem, segundo as imagens dos templos e os escassos testemunhos escritos que não foram queimados. O culto era celebrado em grutas sagradas e após a vitória de Alexandre sobre os persas, o culto a Mithra se propagou por todo o mundo grego.
A partir do século II, o Mithraismo passa a ser um dos cultos mais importantes no Império Romano, que o incorporou como “sol invictus” e em sua honra, numerosos santuários foram construídos, a maior parte em câmaras subterrâneas.


Roma sempre se caracterizou pela liberdade religiosa, mas isto acabaria se tornando um problema para os planos de expansão e dominação, pois as revoltas regionais baseavam-se nas diferentes identidades religiosas das províncias. Assim, o imperador Constantino, decidido a criar uma ideologia suficientemente forte para manter coesas as províncias romanas, optou pelo nascente e ainda não organizado Cristianismo, que por ser uma doutrina dotada de forte caráter repressivo, poderia se adequar aos seus objetivos.
Constantino oficializou sua conversão oficial ao Cristianismo, justificada em torno de uma lenda e, no ano de 325, convocou um concílio em Nicéia, com a finalidade de estabelecer normas de apoio ao seu projeto de expansão e solidificação do Império. Os membros do concílio realizaram adulterações e adaptações no Cristianismo então praticado, acrescentando à personalidade de Jesus diversos elementos e mitos pagãos.
Dentre as dezenas de relatos – denominados Evangelhos - selecionaram quatro narrativas que, após adaptações que evitassem contradições, foram decretadas incontestáveis. Os demais foram considerados “apócrifos” e, portanto, proibidos. Quem neles acreditasse ou preservasse seria condenado à pena de morte. Outro ponto importante foi a total descaracterização de Jesus como judeu e a ênfase numa suposta culpa do povo judeu na sua condenação e morte. Este aspecto acompanharia o cristianismo através dos milênios, gerando e apoiando o antissemitismo em todas as suas nuances, justificando a perseguição e a conversão forçada.
Em 336 o Cristianismo foi decretado religião oficial de todo o Império Romano, tornando todas as outras ilegais. Se até então, Roma era uma potência mais preocupada com o recolhimento de impostos nos territórios ocupados, deixando que os povos praticassem livremente as respectivas religiões, com o imperador Constantino tornou-se um império religioso, sediando a Igreja Católica Apostólica Romana.
No entanto, como os povos não esqueciam e prosseguiam praticando culto as suas Divindades ligadas à Natureza, a Igreja passou a fazer coincidir as datas dos festejos cristãos àquelas das efemérides astrológicas. O calendário oficial também começaria a ser modificado. As festas associadas aos Deuses de todas as culturas arcaicas começaram a ser cristianizadas onde quer que se manifestassem.  Ao mesmo tempo em que se tentava destruir a memória ancestral, embutiam seus símbolos e significados no Cristianismo, a religião oficial do Império, criada e adotada para atender seus interesses políticos.

Tomando por molde alguns significados místicos e mitologias sagradas legadas pelas antigas civilizações, os diversos concílios construiram as bases de sustentação para o que hoje se conhece por Cristianismo.
Incorporando essas tradições milenares, possibilitou que fossem adotados como originais os hoje conhecidos relatos sobre o nascimento virginal numa caverna, vida repleta de milagres, morte e ressurreição da sua divindade principal e única: Jesus.
A simbologia do nascimento da Luz na sempre Virgem Mãe Terra, dos Seres Divinos que junto a nós operavam curas e milagres foram recolhidas e readaptadas com o intuito de escrever a sua própria história, formatando uma nova religião, que deveria ser única para todo o Império – e, quiçá, para o mundo inteiro.
A imposição do Cristianismo resultou num banho de sangue que “lavou” a Europa, norte da África, Oriente Médio e Américas, sempre servindo aos interesses políticos no decorrer da sua História. Com o édito do imperador Teodósio, todos os cultos pagãos foram proibidos e demonizados, passíveis de pena de morte. Com a queda do Império Romano, a Igreja Católica manteve as estruturas políticas e militares do Estado sob seu controle. Agora ela passaria a desenhar a Europa medieval à sua imagem e semelhança, implantando o feudalismo, à medida que convertia reis e nobres, mediante guerras e violência ou simplesmente baseada em conchavos. A “idade das trevas” estava instalada e, com as grandes navegações, atingiu o continente americano. Assim, o Cristianismo foi implantado sob pretexto de “civilizar” as culturas nativas, saqueando e submetendo os povos à sua sanha “salvadora”.
Como o nascimento de Mithra era celebrado em 25 dezembro, a Igreja Católica, com a intenção de abolir os cultos pagãos - e na ausência de registros históricos sobre o nascimento de Jesus - passou a adotar várias datas e firmou-se no 25 de dezembro, data de comemoração do “sol vencedor”, como o dia do seu nascimento.
Assim, as celebrações do nascimento do Sol, o filho da Luz, esvaziaram-se do seu real significado e foram substituídas pela festa que receberia o nome de Natal, coincidindo com o solstício de inverno no hemisfério norte.


Desta forma, a data de 25 de dezembro, destituída do seu simbolismo milenar, passou a assinalar a comemoração máxima do mundo cristão.


segunda-feira, 8 de dezembro de 2014

100 ANOS DE UMBANDA

Em decorrência de suas raízes, a Umbanda é fruto do amálgama de elementos provenientes das diversas crenças e práticas religiosas que contribuiram para uma formação cultural-religiosa que se pode designar genuinamente brasileira. Brasileira e mestiça , pois desenvolveu-se e consolidou-se através da fusão de cultos afroameríndios e da espiritualidade popular de origem ibérica. Tem apresentado, no decorrer de um século de existência, um conjunto dinâmico e pleno de ramificações, com uma liturgia pluralista e eclética.
Sem ser fundamentada numa teologia específica, sem ter tido um fundador, não está atrelada a uma codificação que lhe unifique o ritual e possibilite uma estruturação oficial.
A Umbanda é um organismo vivo, livre de dogmas, absorvendo influências e, por sua vez, influenciando.

Raízes
As raízes da Umbanda resultam da fusão dos cultos das diversas etnias africanas com a Pajelança, o Catimbó, o Espiritismo e o Catolicismo. Como não dispõe, a exemplo das religiões formalizadas, de um sistema filosófico -doutrinário ou liturgia unificados, o grau de importância destas influências variam de acordo com a região ou até mesmo as afinidades espirituais do líder local.
O Catolicismo está presente em todas as formas de cultos nascidos no Brasil, uma vez que, desde a sua implantação à época do descobrimento até as primeiras décadas do séc. XX, a sua influência era tal que seria pràticamente 
impensável alguém ser brasileiro e não ser católico. O Catolicismo era a religião hegemônica e então a única verdadeiramente reconhecida como tal, em solo brasileiro.
Durante quase quatro séculos, africanos aqui se estabeleceram como escravos.
Ao longo deste tempo, inúmeras etnias com idiomas e culturas milenares bastante diferentes entre si, aqui chegaram, predominando, até o séc. XVIII, grupos de bantos e posteriormente de sudaneses. Nas últimas décadas do
regime escravista, os sudaneses (yorubás) preponderavam na população negra da Bahia, a ponto da sua língua acabar prevalecendo em relação as demais. Embora dispersados de seus grupos de origem, começaram a se organizar, buscando a preservação das suas tradições religiosas, formando o que hoje se entende por religião afro-brasileira: Candomblé na Bahia, Batuque no Rio Grande do Sul, Tambor de Mina no Maranhão, Xangô em Pernambuco.
Na esfera das religiões afro-brasileiras, a contribuição banto foi fundamental, pois sob sua influencia formou-se o Candomblé de Caboclo e outras variantes regionais de culto ao antepassado indígena, como o Catimbó, que contribuiram
para a formação da Umbanda.
A influência ameríndia se deu a princípio no âmbito da convivência entre “negros da terra” e “negros da Guiné” nos povoados onde eram confinados e, posteriormente, quando escravos foragidos buscavam abrigo junto aos índios,
encontrando semelhanças e paralelos para as suas crenças e tomando emprestado material que substituisse o normalmente usado nas suas práticas religiosas. Assim, na fusão de crenças e magias, a mesclagem de costumes
gerou novas alterações.
Onde quer que se organizassem grupos de culto às divindades africanas havia também uma tendência ao culto dos antepassados, na condição de espíritos de pessoas desencarnadas, sendo este ligado igualmente ao universo indígena ou ibérico. Esta tendência encontrou reforço quando da difusão da Doutrina Espírita no Brasil, por volta de 1873 . O Espiritismo teve boa recepção junto a uma elite mais culta e assim, toda esta mescla afro-ameríndia fundamentada no culto aos antepassados e crença na reencarnação encontrou um denominador comum que acabou influenciando os círculos que, até então, pelo menos perante o censo, se declaravam católicos.
A influência do Espiritismo conferiu à Umbanda o seu perfil ideológico. A falta de afinidade com o modelo austero e repressor do Catolicismo propiciou terreno fértil para a disseminação dos ideais éticos da doutrina de Allan Kardec
(1804 -1869) através da prática abnegada da caridade e da crença na reencarnação . Como no Espiritismo, também na Umbanda a incorporação tem por função possibilitar que espíritos venham à Terra trabalhar em prol da humanidade. Os fenômenos da mediunidade e a invocação de espíritos
tornaram-se, à partir daí, bastante populares em todas as regiões do Brasil.
No Nordeste os espíritos eram denominados Mestres e tanto podiam ser de índios como de mestiços ou brancos. Se das práticas religiosas indígenas herdaram o uso do tabaco, bem como a ingestão cerimonial da beberagem Jurema, por outro lado, dos africanos adotaram o uso das folhas como
defumação ou sob a forma de banhos.
Já no Maranhão e no Pará, as práticas religiosas são mais ligadas aos espíritos de encantados, ou seja, seres de outros reinos da natureza, pertencentes a hierarquias diferentes da humana. Aliás, se na Amazônia encontramos botos que se transformam em pessoas, esta tradição de encantaria já estava presente também na cultura européia, com suas fadas, bruxas, príncipes e animais fantásticos.
Sendo o sincretismo a combinação de dois ou mais sistemas religiosos gerando um terceiro, a Umbanda é sincrética por excelência, uma vez que mescla culturas distintas a ponto de gerar um culto próprio, com matizes diversificados, mas mantendo uma concepção doutrinária comum. Embora não
disponha de uma literatura oficial como fonte de estudos, conta, por outro lado, com um rico cancioneiro destinado a invocar e saudar as entidades, conhecidos como pontos ou curimbas.
Dependendo do local, encontramos ramificações onde podemos identificar diferenciadas influências indígenas (Umbanda de Caboclo), Espíritas (Umbanda Branca), Africanas (Omolokô, Umbanda Traçada) e diversas outras
de cunho esotérico nìtidamente influenciada pelas tendências da Nova Era (Umbanda Esotérica).
Oficialmente considera-se 1908 como o ano da criação da Umbanda, quando Zélio Fernandino de Moraes incorporou na cidade de Niterói, no Estado do Rio de Janeiro, o Caboclo das Sete Encruzilhadas, proclamando as regras básicas
de uma nova seita que acabaria sendo institucionalizada como religião. À partir daí, uma profusão de terreiros surgiu, seguindo as mais diversas orientações e tendências locais.
Embora o significado do próprio termo Umbanda se preste hoje até a especulações esotéricas ligadas a mantras hindus ou uma suposta raiz atlante, na realidade teve sua origem nos quilombos.
Como cada quilombo seguia o culto que preponderava nas etnias africanas que o constituiam, era usual, no encontro de negros procedentes de quilombos diferentes, que se indagasse qual era a sua “ banda” – ou seja, a que nação
pertenciam. Uma vez absorvidos elementos de outras proveniências, no Rio de Janeiro do início do século XX, muitos terreiros simplificaram ou aboliram as práticas ritualísticas africanas, passando cada um a ser identificado de acordo com a sua “ banda”. Aí se consolidou a demarcação clara entre as práticas ligadas às nações africanas – hoje conhecidas como Candomblé – e as
“ bandas”. Assim nasceu o termo “ umbanda”.
Em meados do século XX a Umbanda sofreu mais uma absorção sincrética, desta vez decorrente da influência do ocultismo oriental divulgado pela contracultura da década de 60. Inspirada nestes ensinamentos e também no estudo da Teosofia, surgiu a Umbanda Esotérica.




Transe e Mediunidade
Todas as formas de culto nascidas no Brasil que resultaram numa religião cabocla, não se caracterizam pela regulamentação moral ou pela simples
adoração, mas pelo transe. As entidades cultuadas ou mesmo os espíritos de desencarnados encontram o seu ponto culminante de atuação na manifestação mediúnica.
Enquanto na religião africana pura o medium entra em transe sem uma finalidade prática, mas apenas para poder vivenciar uma catarse, incorporando uma centelha ínfima do Orixá de onde provém a sua essência , na Umbanda essas incorporações ocorrem com finalidade mágico-curativa e de
aconselhamento.
Nos cultos das nações africanas todo procedimento e aconselhamento individual é determinado pela consulta ao oráculo, considerado o único instrumento legítimo e capaz de transmitir as instruções da Divindade. Como esta consulta não depende de intuição ou mediunidade, mas de uma
preparação sacerdotal complexa de natureza iniciática da qual as religiões caboclas e a Umbanda não dispunham, esta prática passou a ser suprida pela consulta oral às entidades incorporadas nos médiums, tornando a incorporação o elemento primordial, a razão de ser, da Umbanda.
Então, todos os procedimentos de limpeza áurica,
reequilíbrio energético ou espiritual que na religião africana são realizados pelo sacerdote, na Umbanda ficam à cargo do médium, incorporado ou não, que deverá captar e dissipar a energia negativa que estiver prejudicando o consulente. No caso de um obsessor, normalmente é incorporado pelo médium e encaminhado para doutrinação através de procedimento bastante semelhante ao adotado pelo Espiritismo.

Os Orixás
Embora não haja, na Umbanda, uma concepção oficial e padronizada, as divindades africanas da natureza denominadas Orixás ocupam um papel fundamental e há uma tendência quase geral de se antropomorfizá-los.
Os séculos de perseguição religiosa forçaram uma assimilação entre os santos católicos e os Orixás, como estratagema para encobrir a verdadeira devoção dos negros.
Embora a liberdade de crença tenha sido instituida por ocasião da proclamação da República, sob o pretexto das sessões serem barulhentas, gerarem conflitos e desordens, até 1934 – quando conseguiram atuar livremente - era
costume policiais invadirem os locais onde se celebravam cultos africanos, agredindo as pessoas e levando-as a prisão. Sem dúvida, os séculos de perseguição religiosa, de preconceito e de sincretismo de Orixás com santos católicos acabou levando muitos negros a aceitarem a evangelização com sinceridade e deste expediente consolidou-se no Brasil o que podemos identificar como Catolicismo Popular: com suas benzeduras, superstições, rezas, simpatias e outras práticas nada ortodoxas aos olhos do Catolicismo oficial ditado pelo Vaticano.
A presença dos Orixás, constante em todas as vertentes praticadas pela Umbanda, torna-se portanto o ponto comum mais marcante, estabelecendo assim um vínculo muito profundo com a religiosidade africana. Embora algumas particularidades desta devoção estejam, de acordo com as tradições africanas, corretas, não se pode considerar que a Umbanda pratique verdadeiramente um culto aos Orixás.
Segundo a concepção yorubá, que é predominante no Brasil e conhecida como Ketu ou Nagô, os Orixás são energia pura e expressão das facetas múltiplas da Divindade Suprema ( Olodumare / Olorun ). São divindades primordiais que
estiveram presentes na formação do planeta Terra e presidem, até hoje, as atividades dos diversos reinos da natureza. São um componente dessas forças e estabelecem também uma espécie de elo entre a humanidade e o Ser
Supremo – já que cada ser humano é, energèticamente, proveniente desses elementos vitais.
Como entidades pertencentes a uma hierarquia não humana, não compartilham conosco a capacidade de verbalização e a forma de cultuá-los é ùnicamente através do ativamento e direcionamento das suas energias
particulares. Isto tem a ver com a manipulação de energia que se chama magia e não com atividades educativas ligadas a orientação ou doutrinação.
Já os Orixás assimilados pela Umbanda são freqüente e errôneamente concebidos como espíritos ligados aos diversos elementos da natureza que, já liberados do processo reencarnatório, dariam continuidade a sua evolução espiritual, mediante a missão de organizar e orientar uma legião de espíritos menos adiantados. Cada pessoa estaria ligada a um ou mais desses Orixás e
suas características, deles recebendo proteção e auxílio.
Por conta do sincretismo , costuma-se , na Umbanda, associar um Orixá à imagem de algum santo católico. No entanto, Ogun não é São Jorge , Iansã não é Santa Bárbara e tampouco Yemanjá encarnou no corpo da Virgem Maria,
mãe de Jesus. Esses personagens históricos jamais poderiam, dentro da limitação da sua condição humana, atingir a dimensão de uma manifestação Divina como é o Orixá. Então, quando um médium de Umbanda incorpora uma entidade que utiliza o nome do Orixá, está , na verdade, incorporando não o Orixá, mas um caboclo ou preto-velho que se manifesta dentro desta faixa vibratória.
Assim, podemos verificar que a Umbanda concebe uma hierarquia que, abaixo de Deus Supremo , denominado Olorun ou Olodumare (yorubá) ou Zambi (banto) é seguido por Jesus Cristo, identificado com o Orixá Oxalá, que
compartilharia com Deus a criação do planeta Terra (concepção da doutrina espírita). Como a tradição africana considera Oxalá como o próprio Sol doador da Vida, não poderia ser identificado com um ser humano, por mais evoluído que seja.
Na Umbanda os Orixás são submetidos a Jesus e, por sua vez, chefiam as Linhas onde, subdivididos em falanges, atuam como guias ou protetores os caboclos, pretos-velhos e crianças, além de vários segmentos de exús. As falanges de caboclos assumiram uma importância decisiva, constituindo, na maioria das vezes, a chefia da Casa. Os pretos-velhos destacaram-se na função de psicólogos, sempre prontos a escutar, aconselhar e resolver problemas, principalmente de saúde. Outras representações míticas dos tipos regionais surgiram, como desdobramento dos 
caboclos: os boiadeiros e os marinheiros. O boiadeiro, sertanejo valente, símbolo de resistência e determinação e o aventureiro marinheiro, com sua capacidade de adaptação
diante de qualquer mudança. As crianças, englobadas na falange dos infantes católicos Cosme e Damião representando a inocência e a alegria do ser humano em seu estado puro, atuam igualmente eficientes na resolução de problemas através de aparentes brincadeiras.
Cabe ressaltar que caboclos não se tratam, necessàriamente, de índios desencarnados e tampouco pretos-velhos foram escravos negros. Humanos ou não, são padrões vibratórios arquetípicos, cada tipo representando um diferente estilo de ser da nossa identidade mestiça e um modelo de conduta.

As Linhas
Linhas são faixas de vibração correspondentes a um determinado elemento da natureza.
A Umbanda clássica considera sete linhas:
1.Oxalá - 2. Yemanjá - 3. Oriente - 4. Oxossi - 5. Xangô - 6. Ogun - 7. Africana
Já a Umbanda esotérica comporta as seguintes :
1. Ogun - 2. Xangô - 3. Oxossi - 4.Yemanjá - 5. Yori - 6.Yorimá - 7. Oxalá
Com isto, Orixás e caboclos se mesclam, estabelecendo uma quebra de hierarquia incompatível com a concepção original de Orixá, colocando todos, juntamente com caboclos (encantados da natureza, na grande maioria não humanos)
e pretos-velhos (humanos desencarnados) pràticamente no mesmo patamar.
Por outro lado, submetem sereias (Yara e Janaína) e Orixás (Nanã, Iansã e Oxum) à chefia de Yemanjá.
Sem pretender julgar os motivos de tal arranjo, o fato é que esta miscelânea confusa em nada contribui para uma compreensão básica do que vem a ser esta raiz fundamental que é o Orixá, divindade africana da natureza.
Além dessas há também, como algo independente ou por vezes colocada em lugar da Linha do Oriente, mais voltada para a cura de males físicos, a Linha de Exu.
Muitas vezes se misturam e confundem desencarnados, mestres do Catimbó e o Orixá Omolu.
Seja como for, respeitando a liberdade que cada Casa de culto tem o direito de tomar, o fato é que tais entidades que ali se apresentam sob o nome de Exu, algumas realizando feitos extraordinários e a maioria assumindo linguagem
vulgar, tomando atitudes desrespeitosas e incompatíveis com qualquer prática religiosa séria, muito distante estão do Orixá Exu que lhes empresta o nome.
Como no caso dos Orixás, não é Exu quem incorpora nos médiums, mas desencarnados das mais variadas origens e estirpes espirituais, ainda demasiadamente apegados ao plano material.

Exu
O real conhecimento do Orixá Exu foi o que mais se deturpou e pràticamente perdeu no decorrer das décadas.
A concepção cristã de um mundo maniqueísta que se movimenta entre o certo e o errado, o bem e o mal, trouxe consigo a face inconfessa da “ sombra”, reprimida e personificada igualmente segundo o modelo do diabo cristão.
Da mesma forma como haviam anteriormente sincretizado os Orixás com santos católicos, associaram este personagem satânico – inexistente na mentalidade e no panteão africano - ao Orixá Exu, chegando a representa-lo
com chifres e tridente. Através dele puderam extravasar as práticas anti-sociais e as atividades marginais de moralidade questionável.
Personagens transgressores mas altamente benquistos pela sua simpatia tìpicamente humana, esses exus e seus equivalentes femininos, as pombagiras, atuam nos âmbitos que lhes são afins. São capazes de resolver com rapidez e eficiência as mais intrincadas questões ligadas, principalmente, aos aspectos financeiro e sentimental, como também os casos de desobsessão que envolvem o acesso a planos espirituais densos.
Na realidade, o panteão umbandista de exus e pomba-giras, composto de desencarnados comuns, vem redimir os tipos sociais normalmente rejeitados e marginalizados. Houve também uma absorção de outros tipos regionais, como o mestre do Catimbó, Zé Pelintra, a mestra da Jurema, Maria Padilha, e malandros da boemia carioca para a linha de Exu na Umbanda.
Com o acesso e popularização de práticas mágicas estranhas à cultura brasileira que se deu no final do século XX, até entidades do restrito e particular universo cigano passaram também a integrar as falanges de exus e,
principalmente de pomba-giras.
Se, por um lado, há na Umbanda o compromisso do trabalho pelo aprimoramento espiritual das entidades e consulentes, neste mundo subterrâneo das “ giras “ de Exu não há limitações éticas e os desejos de sua vasta e entusiasmada clientela são atendidos e legitimados pelo fato das referidas entidades terem sido “ batizadas” e, portanto, ali se encontrarem trabalhando em missão de caráter evolutivo.

Considerações Finais
Das suas matrizes africana e ameríndia a Umbanda herdou o senso de liberdade e respeito às diferenças, exercendo o respeito ao próximo e a convivencia pacífica com todos os credos religiosos.
Como negros e índios, não adota a prática do proselitismo tão difundida entre os cristãos que, sob o pretexto de melhor saber o que mais convém ao próximo, tantos assassinatos e sofrimentos semeou na história da humanidade.
Por outro lado, devido à organização doméstica dos terreiros e a prioridade que se confere ao exercício da caridade pura e simples, em detrimento de uma estrutura que lhe provenha meios de subsistência e desenvolvimento , a prática da Umbanda permanece marginal, idealista e, de certa forma, improvisada.
Calcada na máxima da Doutrina Espírita “dai de graça o que de graça recebeste” , absorvida do próprio Espiritismo, vai sendo desprestigiada e perdendo terreno para religiões que, embora muito pouco tenham a oferecer em termos de conexão com o Divino, adquirem maior visibilidade através de sensacionalistas manobras de marketing. Se a mediunidade é um dom gratuito, toda a estrutura material que sustenta o funcionamento de uma Casa religiosa tem custos que não podem ser supridos apenas com doações voluntárias e, por vêzes, exporádicas de - nem sempre -
gratos freqüentadores.
A difusão de conhecimento é cara. Os médiums têm gastos e desgastes que, não raro, acabam afetando o seu cotidiano e a sua saúde. Seria muito simplicista atribuir percalços mal sucedidos a um necessário resgate cármico.
Embora haja a versão segundo a qual os mentores espirituais tenham determinado que o período entre 1979 e 2049 seria de afirmação doutrinária e expansão da Umbanda, não se consegue ainda detectar qualquer estratégia neste sentido.
Mesmo assim, sob o aspecto cultural, uma prova da plena vitalidade da Umbanda está na efervescência com que ainda absorve influências. Podemos destacar, como exemplo restrito mas significativo, a introdução da bebida sagrada de origem xamânica, Daime, nas giras de Umbanda de alguns
terreiros cujos membros pertencem a esta doutrina. Surge aí, talvez, uma nova vertente cujos desdobramentos ainda não podemos vislumbrar.
Cabe ao futuro definir o papel que a Umbanda exercerá no seu próximo século de atuação.

quinta-feira, 13 de novembro de 2014

METATRON E A NOVA ERA

Metatron é um Serafim, mais alto posto na Hierarquia Angélica e a origem etimológica de “seraf” (שרף) vem de “abrasar, consumir no fogo”. Por isso, segundo a tradição da Kabbalah judaica, seria Ele quem apareceu a Moysés no Monte Sinai, sob forma de uma sarça ardente que não se consumia, por ocasião da entrega dos 613 preceitos da Torah. É também mencionado pelo profeta Isaías numa de suas visões:
"... vi o Senhor sentado sobre um trono alto e elevado... Acima Dele, em pé, estavam Serafins, cada um com seis asas: com duas cobriam a face, com duas cobriam os pés e com duas voavam".(Isaías 6,1-2)
Como emanações da Mente Divina no seu mais elevado grau, os serafins são cumpridores dos Seus desígnios, purificando e iluminando as  consciências em condição de acessá-los.
Metatron trabalha com a energia do Raio Platina, da onipotência, da ascensão, do recomeço, da pureza na frequência multidimensional agora atuante na quarta dimensão, na gama vibratória mais alta atualmente ativa no nosso sistema solar.   Um espiral de platina e dourada Luz cristalina. A frequência do Raio Platina é de ressonância yin/yang, bem adequada ao ancoramento do paradigma que deverá nortear o futuro do planeta Terra.
Comanda o salto cósmico que estamos para empreender e que levará a Terra a um patamar mais elevado. Muitos recursos e aspectos que no momento emergem com aparência catastrófica e podem até deixar uma impressão de descontrole, são reações normais e, por vezes, violentas, à poderosa e inevitável adaptação vibratória que já começa a se manifestar. A Luz, no seu aspecto ígneo, desencadeia violentos choques quando avança sobre as trevas.
Então, o aumento do número de ciclones, terremotos, tempestades solares, atividades vulcânicas e instabilidade climática, bem como o acirramento de desentendimentos e embates entre os humanos, são consequências das  consideráveis transformações em todos os níveis, que já estão sendo levadas a termo e se manifestam no aquecimento global e alterações no eixo da Terra. 
Em termos cronológicos da Terra, não significa que essa mudança ocorra na velocidade de gerações contemporâneas - pois poderá demorar muitos séculos - ou mesmo de forma global. Não existem previsões e tudo vai depender do quociente de Luz alcançado pelas consciências. A forma – tranquila ou traumática - como a espécie humana vai reagir a tudo isso e encontrar o equilíbrio, depende de cada um. Metatron está à frente desse renascimento de energia.
O conhecimento e trabalho com cristais – ciência resgatada de outras eras - é essencial para esta Era do Campo Quântico Cristalino, que se aproxima, e é a ferramenta básica de trabalho de Metatron. Os cristais se relacionam não só no reino mineral como também diretamente com a consciência e a ação manifestada, sendo capazes de fortalecer o campo áurico.
Da mesma forma que o Reino Mineral é um arquivo da memória da Terra, também o Reino Vegetal é um receptáculo de saber. No caso específico das Plantas Mestras, elas são um passaporte interdimensional e também para o nosso mundo interior. A comunicação com o espírito inteligente da planta depende de uma interação para que ocorra o despertar que as torna agentes curadores ou veículos multidimensionais.
Para Metatron, trabalho, disciplina , empenho e devoção  constituem a  chave capaz de trazer a vibração cristalina da impecabilidade para o nosso cotidiano e assim contribuir para a elevação do quantum de Luz no planeta: fazer aquilo que diz, honrar a palavra proferida na emoção fortuita do êxtase Divino e incorporá-la ao dia a dia.
Amar a si mesmo com coragem suficiente para arrancar suas mascaras e revelar seus hábitos duvidosos que o ego varreu para baixo do tapete. Soltar sem apego aquilo que não serve, para fazer resplandecer, cada vez mais, o seu Eu Superior.
A cada dia se “scannear” para selecionar o que serve e o que não serve, entender seus medos e raivas para poder manifestar a sua vontade essencial, renovando seu propósito do “por que” estar aqui. Ter isenção para que o julgamento não turve a clareza do que somos e aquilo que queremos aparentar ser..
As mais elevadas civilizações arcaicas da Terra compreendiam que toda a Natureza está ordenada segundo os princípios da Geometria Sagrada, desde o átomo até as galáxias.  Seu estudo foi a base da arquitetura, das artes e da ciência. Platão menciona no “Timeo” cinco sólidos convexos cujas arestas formam polígonos planos regulares congruentes. A existência destes sólidos como base de toda a Criação já era conhecida pelos pitagóricos e os egípcios os utilizaram na arquitetura e na ourivesaria.
Segundo Galileu Galilei, "O Universo não pode ser lido até que tenhamos aprendido a linguagem dos próprios caracteres em que está escrito – e ele é escrito em linguagem matemática, suas letras são triângulos, círculos e outras figuras geométricas. Sem o entendimento do significado desses códigos é  impossível compreender uma única palavra ".



Metatron resgata, na Geometria Sagrada, a importância da Flor da Vida, que é um símbolo universal retratado em vários monumentos das civilizações arcaicas da Terra, posteriormente permanecendo oculto. Cada molécula de Vida, cada célula do nosso corpo e do corpo do nosso planeta Terra segue este padrão, que é o código secreto e geométrico da criação cósmica. Tudo está contido neste padrão da Flor da Vida, inclusive o nosso DNA.

O Cubo de Metatron, um dos componentes da Flor da Vida, é composto por treze círculos, formando cada círculo um nó que, por sua vez, é ligado a outro por uma única linha reta, perfazendo um total de 78 linhas. Assim, o Cubo de Metatron é um sólido derivado diretamente da Flor da Vida.

Metatron convoca os mensageiros da Luz Cristalina, seja do passado ou do futuro. Todos a serviço do Novo Paradigma que possibilitará a ascensão da Escola Terra a um patamar superior. Não faz distinção entre crenças religiosas ou práticas espirituais, pois os caminhos são inúmeros e a integridade, o estudo e o trabalho compõem a única rota para a Luz onde somos todos partículas do mesmo holograma..