ÁGUIA DOURADA

ÁGUIA  DOURADA

Todas as matérias podem ser veiculadas, desde que citada a fonte.

terça-feira, 21 de setembro de 2010

UMA VIAGEM ESPIRITUAL - Wagner Borges

A luz que brilha nas estrelas é a mesma luz que brilha dentro de cada coração. A mesma essência que criou toda aquela imensidão sideral coalhada de estrelas é a mesma consciência que mora dentro de cada ser. Ao olhar para a vastidão do tapete sideral, vendo aqueles zilhões de astros brilhando em contraste com a imensidão escura do espaço, surge espontaneamente uma intensa admiração pela Grande Estrela que gerou todas as outras estrelas, O Grande Arquiteto do Universo que elaborou tudo isso.
Pelo fruto conhece-se a árvore. Observando o brilho das estrelas, o fruto, conhece-se, então, a árvore, ou seja, A Grande Estrela que gerou todas as estrelinhas-frutos. E nós também somos essas estrelas.
Ao olhar para o espaço sideral, com zilhões de astros, os problemas humanos tornam-se pequenos e se reduzem à sua devida proporção: são apenas dificuldades de uma raça que evolui no planeta Terra, ainda bem pequena no contexto sideral da vida, onde muitas coisas ocorrem. Há eventos grandiosos que escapam à compreensão do intelecto humano. E, também, eventos minúsculos que os olhos humanos não percebem.
A vida, em sua vasta manifestação no Universo, os seus orbes, as muitas humanidades viventes, algumas delas mais avançadas do que a humanidade terrestre, outras iguais à nossa, e outras ainda inferiores, evolutivamente falando, ao homem da Terra. Há pessoas iguais a nós, inferiores e superiores a nós, espalhadas por todo o Universo.
Ao olhar a abóbada sideral e o brilho das estrelas, aquelas miríades de luzes piscando, diminui tanto a dor dos problemas humanos, pois se percebe que, muitas coisas que as pessoas valorizam demais, são tão pequenas quando comparadas com aquela vastidão.
Então, por obra de uma inspiração sutil, por obra de uma Causa Superior, abre-se o canal no próprio ser humano e, surpreso, ele descobre zilhões de estrelas dentro do universo do seu próprio coração.
Inspirado por instâncias invisíveis superiores, ele percebe que o universo exterior não é maior do que o universo interior de si mesmo. E que os universos, exterior e interior, são permeados pela mesma luz, pela mesma essência.
Essa essência é puro amor, não fala, mas comunica-se de alguma maneira no silêncio da própria alma. Ao observar a abóbada celeste, com zilhões de estrelas brilhando, qual é o ser humano que poderá achar que é deserdado da luz?
Olhando para o espaço sideral, diminui a arrogância humana diante do infinito e isso faz pensar numa grandeza maior, além de qualquer medida humana. Faz pensar naquela vastidão de consciência que gerou tudo isso e que, ao mesmo tempo, é mais simples do que o mais simples que está dentro de cada um. A mesma essência sutil, que permite que todo universo funcione ativamente, é a mesma essência que está no coração de cada ser.
Triste é a humanidade que não percebe a luz viajando dentro de seus corpos e almas. Sim, paradoxalmente, tão rica de luz por dentro. Tão luminosa e tão estelar, mas sem perceber a riqueza que carrega em si mesma.
O espaço sideral é, portanto, nosso irmão. As estrelinhas que brilham são nossas irmãs, e todos os outros seres humanos (brancos, negros, vermelhos e amarelos), também fazem parte da mesma raça do universo: a raça da luz, a raça das estrelas.
Essa é a verdadeira raça da humanidade, a raça das estrelas. Somos todos cidadãos cósmicos (encarnados, desencarnados, terrestres e extraterrestres; todos, sem exceção). Crianças, velhos, adultos, mulheres, homens e pessoas de todas as religiões são estrelas oriundas da Grande Estrela, que é quem faz o brilho da vida acontecer em todos os planos de manifestação.

terça-feira, 7 de setembro de 2010

O SENTIDO DE ROSH HASHANÁ & YOM KIPUR

O ano judaico inicia-se na lua nova de setembro, no primeiro mês, que se chama Tishri, e os dias um e dois são comemorados como a festa de ano novo, Rosh haShaná. Teria sido nesta data que D'us criou Adão, o primeiro homem, marcando, portanto, o início da humanidade. (Em respeito ao terceiro mandamento ("Não tomarás em vão o nome de YHWH"), no Judaismo costuma-se usar um apóstrofo nos nomes divinos mais sagrados, de forma que o nome da Divindade não venha a ser profanado por estar escrito em um objeto comum).

O calendário judaico segue a natureza que D'us criou e não as convenções dos seres humanos. É um calendário luno-solar, ou seja, baseado no ciclo mensal da lua e no ciclo anual das estações do sol.

Quem estabeleceu o calendário cristão desconhecia a duração exata do ano e então, com o tempo, ele apresentou uma discrepância crescente entre a data e as estações do ano. No ano de 1582, a igreja decidiu ajustá-lo, pulando do dia 4 de outubro para o dia 15 e eliminando10 dias, cujas datas simplesmente deixaram de existir. Mesmo o calendário “alterado” é falho e, há anos, há uma recomendação apoiada pela ONU no sentido de retificar a situação. Hoje em dia, um aparato científico pode medir a rotação terrestre. A rotação lunar também pode ser medida com precisão, utilizando um prisma de vidro colocado na lua por astronautas americanos e assim puderam divulgar o tempo exato que a lua demora para se deslocar em torno da Terra. Ele contou com o auxílio de um relógio atômico, um raio laser que é refletido no prisma e com telescópios potentes. É impossível obter resultados precisos sem estes instrumentos, que foram ativados somente recentemente. No entanto, as normas que regulamentam o calendário judaico foram formuladas por volta do séc. III e até hoje, foi estabelecido o calendário anual, que se conforma perfeitamente com as estações do ano e o aparecimento mensal da lua. Discrepância alguma jamais foi encontrada. A duração da rotação lunar que Rav Gamaliel recebeu do seu avô era de 29,5 dias e 793/1080 horas e é idêntica ao número obtido pelos cientistas atuais, com uma diferença de 5 dígitos após o ponto decimal.

Na Torá encontraremos a benção de D'us para o ano novo: "Vocês estão de pés firmes hoje diante de D'us com a finalidade de entrar num pacto com Ele".Trata-se de um momento único de reflexão e balanço nas nossas vidas, com abertura para um novo período com renovação de chances e oportunidades.

Rosh ha Shaná em hebraico significa a "cabeça do ano". Rosh quer dizer cabeça. Mas também significa chefe, início, cume. Como adjetivo, tem o significado de superior, principal. Shaná significa ano e, como verbo, repetir, reiterar, estudar, aprender. Enquanto Rosh é a cabeça, e portanto, a razão, traz a idéia de que somos chefes de nós mesmos. Já Shaná está ligada à emoção.

d 11">

A base do serviço a D'us durante os dez dias entre Rosh haShaná e Yom Kipur se ergue sobre três pilares: Teshuvá (penitência, arrependimento, retorno), Tefilá (prece) e Tsedacá (caridade). Teshuvá é comumente interpretada como arrependimento, mas significa mais precisamente como nova conduta, ou seja, arrependendo-se de ter cometido uma ação má / deixado de praticar uma boa ação e o desejo de se comportar de forma diferente à partir de então. Tefilá significa estabelecer forte ligação com D’us por intermédio da prece. Tsedacá é a generodidade da doação de uma parte daquilo que recebeu do Todo Poderoso, lembrando-se que não está dando o que é seu e sim o que lhe foi confiado por D'us para dar aos outros. Uma vez que todos dependem do Todo Poderoso para prover suas necessidades - embora D'us certamente não tenha obrigações para com ninguém – há a obrigação de retribuir "medida por medida" e dar aos outros, mesmo que nada se deva a eles.

Na véspera de Yom Kipur, o Dia da Expiação, reliza-se o antigo costume de Kaparot, que é o último resquício dos rituais de sacrifício, uma uma espécie de Ebó à moda africana: o homem pega um galo, a mulher uma galinha, gira a ave nove vezes sobre a cabeça, recitando a prece Benei Adam: "Seja esta a minha expiação..." Trata-se do antigo ritual mágico de permuta, quando a pessoa, através da morte ritual de um animal, assegura nova vida e recomeço auspicioso.

Desde antes do pôr-do-sol de Yom Kipur até o completo anoitecer do dia seguinte, realiza-se completo jejum. O exame de consciência e arrependimento realizados durante os dez dias culmina aí, lembrando o perdão de D`us referente ao episódio do bezerro de ouro. Então Yom Kipur é o Dia da Expiação, da purificação de todos os males cometidos durante o ano anterior.

Após um dia de jejum dedicado inteiramente às rezas, é cantado o Kol Nidrei, com preces adicionais especiais que são rezadas apenas em Yom Kipur. Ao término do serviço de Yom Kipur, o shofar (trompa feita com o chifre de carneiro) é tocado. Ele simboliza o toque das trombetas dos exércitos vitoriosos ao voltarem do campo de batalha, anunciando a vitória sobre os nossos pecados e tentações – ou seja, sobre nós mesmos. Recorda o simbolismo da oportunidade do segundo recebimento das Tábuas da Lei (já que Moysés havia quebrado as primeiras, como reação à rebeldia do povo).

Ao término do jejum de Yom Kipur o shofar proclama: "Vão e comam o pão com alegria, pois D'us aceitou suas preces e os perdoou”.

Segundo o Judaísmo, temos o poder de mudar o nosso destino através de respostas ao chamado de D'us através da oração, da caridade e do arrependimento, que deverão assegurar a inscrição da pessoa no Livro dos Justos, recebendo a oportunidade de sobreviver e se sair bem em mais um ano de vida. Por isso a saudação para o ano novo é: "Que sejas inscrito no Livro da Vida para um bom ano".

É o retorno ao que é mais essencial no nosso Ser. Retorno, após a ruptura do auto-exame e a transformação que não é apenas fruto da vontade, mas da criação da possibilidade.

Este ano de 5771 que agora se inicia, é regido, segundo a tradição cabalística, pela sefirá deTiferet. Tiferet é a medida e o bom senso, é a avaliação do valor da estética, da forma e da sensibilidade. Tiferet equilibra a nobreza do espírito. Também sugere questionamentos: Como você define e insere o seu Ser no mundo? Qual é o seu sentido na Existência?