ÁGUIA DOURADA

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terça-feira, 31 de maio de 2011

DANÇAS CIRCULARES SAGRADAS - Vanessa Matos

As Danças Circulares Sagradas sempre estiveram presentes desde o início da história da humanidade. As pessoas dançavam em roda para agradecer colheitas, celebrar estações, brincar, comemorar, rezar, meditar, confraternizar, enfim, para sintonizar a força da união que o grupo tem quando dança em roda.

Por isso as Danças Circulares abrangem todos os povos e épocas, nas mais diferentes culturas, desde os ritos mais sagrados e tradicionais, até as compostas atualmente, criadas por coreógrafos que consideraram os benefícios que o movimento dançado em roda é capaz de proporcionar ao ser humano inserido na coletividade.
Dançar em roda traz a liberdade de dançar sem o compromisso de erro e acerto, saber ou não, ter talento ou não, ter esse ou aquele corpo. Simplesmente dançar porque é uma delicia sentir a música impregnando o Ser. Cada corpo tem a sua própria dança. A possibilidade de unir diferenças e singularidades, pois todos são importantes para fazer a roda girar. A invocação do sentimento de comunhão e acolhimento de mãos que se tocam fechando uma corrente.
O coletivo faz a roda girar inscrevendo mandalas no espaço. As mandalas arcaicas que, segundo Jung, possuem a capacidade de agregar as diferentes partes ao Todo.
O grande pioneiro moderno que pesquisou e coletou danças étnicas “ redescobrindo” e sistematizando as Danças Circulares Sagradas foi o bailarino e coreógrafo Bernhard Wosien (1908-1986). Seus primeiros experimentos desta arte foram realizados em Findhorn – Escócia (1960). Faz parte deste movimento a sua parceira na dança clássica, Friedel Kloke, que contribuiu com coreografias atuais de belíssimas mandalas coletivas. A filha de Bernhard Wosien, Marie-Gabriele Wosien é pesquisadora dos mitos e religiões e com seu entusiasmo e conhecimento vem mantendo viva a tradição das Danças Circulares. As filhas de Friedel Kloke, Nanni e Saskia também compartilham dessa vocação, realizando workshops no mundo inteiro.
Atualmente a grande aldeia global Terra conta com muitos grupos que se reunem para dançar em salões, praças, praias, jardins.
Grande parte dos males da sociedade atual advém da desconexão do ser humano com os ciclos da natureza, esquecendo-se de que é parte integrante dela. Portanto, relembrar o corpo-natureza faz parte do nosso trabalho. O ser humano que se sente e que se escuta, percebe o seu bem-estar e onde reside o seu mal-estar. Assim, esta é uma considerável forma de prevenção.
Cientificamente, sabemos que a dança mobiliza o sistema nervoso e neste, a conexão das sinapses e a ativação dos neurotransmissores capazes de liberar substâncias químicas como a serotonina, a dopamina e a acetil-colina.
Exemplificando fisiologicamente, concluímos que a felicidade, o bem-estar e as funções psíquicas superiores - pensamento, raciocínio e memória - estão intimamente relacionadas à ativação dos neurotransmissores acima citados. Por outro lado, a inativação dos mesmos, reverbera nas doenças que assolam a nossa sociedade, como stress, depressão, TOC, Parkinson e Alzheimer, dentre outras.
A dança se apropria do instrumento-corpo no tempo e espaço, proporcionando a integração da funcionalidade, da sensibilidade, da emoção, da memória gestual, dos reflexos do corpo humano - por meio dos movimentos dançados.
Dando prosseguimento à linhagem de Friedel Kloke, estamos realizando um curso livre de Danças Circulares Sagradas, com música étnica de diversas culturas, na Escola Angel Vianna /Rio de Janeiro. Não há pré requisito além de querer dançar. As danças são simples e se comunicam diretamente com o coração – que sempre responde com alegria.

Escola Angel Vianna – R.Jornalista Orlando Dantas 2 – Botafogo 3as e 5as – das 17:30h às 19h 21 / 2551 0099 1x por semana - mensalidade R$ 80,00 2x por semana - mensalidade R$ 100,00

Vanessa Matos - focalizadora do Curso, formada pela Escola de Dança do Teatro Guaíra, Curitiba/PR, é licenciada em Dança e pós graduanda em Metodologia pela Faculdade Angel Vianna. Trabalha com aulas de dança, inclusive para pessoas especiais. vanematosr@gmail.com

segunda-feira, 16 de maio de 2011

O QUE VEM A SER IFÁ


Em decorrência das repetidas perguntas que me chegam à respeito da tão popular e distorcida religião dos Orixás, venho introduzir o assunto, discorrendo sobre Ifá, que é a fonte de todo conhecimento e procedimentos sobre como cultuar e utilizar em nosso benefício, essas energias da Natureza.



O sagrado corpo literário de Ifá coloca a seguinte questão: - como saber se estamos cumprindo satisfatòriamente a missão do nosso destino ? Segundo os velhos sábios, quando nossa vida se preenche com paz e harmonia. Isso não significa que o sofrimento e a dor sejam abolidos - pois são inerentes à encarnação na Terra - mas quando se consegue obter equilíbrio interior, dentro do aprendizado que a vida traz. Citando mais literalmente: “se comermos apenas coisas doces, evitando as amargas, todo alimento perderá o seu sabor”.
Ifá é um sistema oracular voltado para a cura, transformação interior e crescimento espiritual. Quando nos deparamos com um problema, o oráculo é consultado e o caminho prescrito será associado à possível solução.



A finalidade da consulta ao aconselhamento oracular é elucidar e solucionar conflitos, evitando comportamentos ou atitudes ( auto-) destrutivas. É um instrumento destinado a buscar solucionar impasses e não um recurso adivinhatório. Ifá não prediz eventos , mas explica as conseqüências que certamente poderão advir de determinadas atitudes.
Se houvesse algum benefício em operar milagres e predizer fatos, a pessoa se tornaria dependente do oráculo e não aprenderia a por em prática a solução das suas questões, exercer o seu livre arbítrio e, por conseguinte, evoluir segundo o seu próprio mérito.
Ifá não instrui sobre como conseguir o que se deseja, mas como obter o que se necessita – naquele momento, naquela circunstância. Sempre que, apesar do aconselhamento, insistimos obstinadamente num determinado querer, perdemos uma oportunidade de aprendizado e auto-transformação. Se gastamos tempo querendo ter o que achamos que nos caberia por direito, perdemos a chance de descobrir o que realmente nos seria útil. Uma vez resolvidos os conflitos internos, abre-se naturalmente espaço para que se manifeste a positividade que nos é destinada, em todos os níveis.
A resistência à mudança é a fonte daquilo que Ifá denomina elenini – ou seja, formas-pensamento gerados e alimentadas pela própria psiquê, que atuam contra nós, criando subterfúgios para não realizarmos aquilo que sabemos ser o mais adequado para o nosso sucesso. Elas são identificadas pela teologia cristã como “demônios”, colocados fora da esfera psíquica como entidades independentes que, com vida própria, comprazem-se em prejudicar as nossas boas intenções. Este recurso do “bode-expiatório” acaba resultando num entrave para o amadurecimento psíquico e evolução espiritual, pois todo fracasso é creditado a “outrem”, impedindo assim que se assumam responsabilidades. São uma fonte de desculpas e justificativas para todos os nossos fracassos.
É preciso ter em mente que, nos casos em que eventualmente ocorrem influências negativas externas, nós mesmos é que criamos condições de afinidade para que isso ocorresse. Ifá não se baseia em dogma, mas numa forma de encarar o Universo através de uma única permanência : movimento e constante mudança. Ao invés de propagar uma doutrina, renova-se a cada instante, lançando o desafio da auto-descoberta.