ÁGUIA DOURADA

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quarta-feira, 27 de fevereiro de 2013

IFISMO - Os Ensinamentos de Orunmilá (parte 2)

Pelo fato de Ifá e o dele decorrente culto aos Orixás não possuir códigos de conduta do tipo "Dez Mandamentos" formou-se a idéia errônea de que se trata de uma prática amoral de comportamento, que desconhece os conceitos do bem e do mal. No entanto, vários Odus - caminhos de aconselhamento de Orunmilá - atestam a importância do bom caráter - denominado Iwà Pèlé - que, invariàvelmente, se reflete na conduta dos seres humanos.



Ifá exalta a necessidade do controle das emoções onde a paciência, a dignidade, a honestidade, o respeito, devem superar a mentira, o orgulho, a prepotência, a arrogância e a ambição desmedida. Não sob ameaça de castigo, mas como consequência da Lei Universal de ação / reação.
O compromisso de se construir um bom caráter é o maior desafio a que somos permanentemente submetidos perante os conflitos e tensões na nossa existência na Terra.
Para Ifá a verdadeira felicidade decorre de se ter Ìwà Pèlé, pois evita confrontos nocivos com os outros seres humanos, resultando num poderoso escudo de proteção, também nas esferas não terrenas.
A essência da espiritualidade se resume em cultivá-lo. Tem a ver com coração e não com reputação, pois esta é conferida pela sociedade, é transitória e não habilita ao mérito da eternidade.


O sincretismo religioso criou, reproduzindo o exemplo do Deus judaico-cristão, a falsa idéia de um Orixá que "castiga".
No entanto, reconhecendo o Ori (mente humana) como soberano no seu livre-arbítrio, Ifá aponta todo sofrimento como fruto do desequilíbrio nas atitudes. Eventos favoráveis ou nefastos são a manifestação de energias geradas pelo caráter, ou seja, resposta ao Ori : àquilo que verdadeiramente somos na intimidade e que, por vezes, podemos até mascarar diante de outros ou nós próprios, mas é plenamente conhecida da nossa centelha Divina e do Divino Orixá que nos impulsionou à Vida.
Apesar das regras e sanções religiosas, nossa civilização prioriza cada vez mais os bens materiais, em detrimento de valores reais e eternos, não hesitando em desrespeitar o direito alheio e até da Natureza, na sede de obter "coisas" que não fazem parte da nossa bagagem eterna. Coisas que integram o transitório mundo tridimensional do "ter" e nos desconectam de "ser" o nosso Eu Superior na sua plenitude.


Ifá assinala que, além da importância de se cultivar o bom caráter é preciso exercê-lo. Chama atenção do poder ilusório que serve aos interesses pessoais, na crença arrogante de possuir salvo-conduto para algum privilégio especial. O Odu Ogbe Iwori chega a advertir que honrar demasiadamente o dinheiro, impede ou leva a perda do bom caráter. A fortuna material deveria ser sempre um meio e não um fim.

Quando cultivamos e exercemos Iwà Pèlé atuando com integridade, na verdade estamos armazenando e difundindo boa energia (Asè/Axé) para cumprir da melhor forma o destino que escolhemos mediante desígnio cármico, conquistando um lugar no Universo de Olòdúmarè (Deus Supremo Criador) e sempre agradecendo ao nosso Ori - pois unicamente a ele devemos todas as nossas escolhas.