ELIANE HAAS

ELIANE HAAS

Todas as matérias podem ser veiculadas, desde que citada a fonte.

segunda-feira, 10 de agosto de 2020

BEIJA-FLOR, MENSAGEIRO DA CURA

O Trabalho xamânico, ainda que numa linha que contemple os elementos de contemporaneidade da Era de Aquário, mantém vínculo com seus Aliados de Poder – no caso, os totens animais. Os animais na sua essência grupal, são espíritos poderosos com seus próprios dons e sempre prontos a nos ensinar com seu exemplo e auxiliar em áreas específicas.

Então, muitas pessoas até no nosso círculo mais próximo, se admiram e indagam o porque dessa insistência em se vincular o Trabalho de Cura à presença do Beija-flor.
Reconhecido por todas as tradições ancestrais das Américas e na nossa tradição amazônica, especialmente dos índios Ashaninka, este pássaro está associado ao nosso instrumento de Cura por excelência, que é a Ayahuasca.


O Beija-flor é, como todos os pássaros, um mensageiro do Grande Mistério e sua mensagem é de cura para a humanidade, na medida em que atinge diretamente o emocional, onde surgem todas as doenças. 
A característica principal do Beija-flor é a maneira como estimula a alegria, a doçura e a delicadeza, através da sua altíssima frequência vibratória. Representa a própria presença da beleza Divina, portadora de boa sorte e felicidade.

 


"Passarinho da manhã vem trazendo a luz do dia
anunciando o alvorecer, mensageiro da alegria.
É o colibri real. Ele vem lá do astral
enfeitando a nossa vida com seu canto divinal.

Pequenina flor sonora do jardim da natureza,
semeando a liberdade e renovando a beleza.
Passarinho bate asas dentro do meu coração
me fazendo agradecer e louvar toda a Criação".
(Mensagens das Estrelas nº5)

 

Ele nos induz a encontrar a suavidade em cada situação, conduzindo a uma autoexame que promova uma cura sem traumas, firmada no Amor da Mãe Natureza, amenizando os mais graves conflitos emocionais e dores de todas as origens.


O Beija-flor nos transmite claridade e serenidade para enfrentar todos os obstáculos, ensinando a suavidade no viver e na resolução de todos os problemas, buscando um estado de graça e união com a egrégora amorosa que sustenta todo o Universo manifestado.
É dentro desse clima de leveza e alegria pelos obstáculos transpostos e sombras superadas que buscamos conduzir o nosso Trabalho de Cura - contando com a necessária transformação que a tornará, então, efetiva.

 

 

sábado, 8 de agosto de 2020

SEMPRE DÊ O SEU MELHOR - quarto compromisso tolteca

 Nas nossas práticas com os Quatro Compromissos Toltecas, chegamos ao Quarto, que se resume na ação que permeia a concretização dos três Compromissos anteriores.

Quando damos o que acreditamos ser o melhor, com o máximo esforço, da maneira mais esmerada possível e dentro dos nossos limites, é quando estamos alinhados com nossos ideais e passando bem longe da sede que o ego tem de angariar reconhecimento. Nada tem a ver com possível recompensa, mas com o fazer em si. Se agimos pelo puro prazer de empenhar o coração no agir, as recompensas virão. Quando fazemos o que gostamos, sempre damos o nosso melhor, por não sentir tédio ou preguiça. Quando se faz por necessidade, dificilmente conseguiremos dar o nosso melhor. Dar o melhor significa revisar e corrigir eventuais falhas.

Como a necessidade de agradar nos torna vulneráveis e concede Poder ao “outro”, é importante que nos atenhamos à real utilidade das nossas ações.É importante ter consciência de que a unanimidade não existe e ninguém consegue agradar a todos. O importante é a realização do trabalho e a certeza de que ele faz sentido e tem função.

Dar o seu melhor traz no seu cerne a semente do perfeccionismo, que acaba se tornando um hábito e sempre foi a mola impulsionadora das grandes realizações. Dar o melhor de si está ligado a Presença no Agora. Quando nos centramos no Agora, estamos focados em cada detalhe e isso contribui para o perfeccionismo.

O parâmetro próprio de exigência deve ser uma constante, pois dele depende nosso constante aperfeiçoamento e  superação dos próprios parâmetros anteriores. Perfeccionismo implica na exigência para assumir responsabilidades - que são a contrapartida dos direitos - e coerência reta perante a exigência de se recusar a premissa deteriorada que afirma que “os fins justificam os meios”.

Então, dar o seu melhor está intimamente ligado à Ética. Não se trata aqui de um código legal ou religioso, mas da Consciência liberta que conhece e re-conhece o seu papel, assumindo responsabilidades e riscos.


A Felicidade que tanto almejamos se encontra no desabrochar do momento breve da realização do “nosso melhor”... para prosseguir e continuar buscando o melhor do melhor.

 

NÃO TIRAR CONCLUSÕES - terceiro compromisso tolteca

Nossas conclusões acerca de opiniões e atitudes alheias decorrem quase sempre da nossa própria perspectiva e a sensação de aparente segurança que certezas pessoais e absolutas nos conferem. A maior agravante decorrente desse hábito é quando, por conta de generalização, rotulamos as pessoas – como frequentemente acontece em meio aos ânimos exaltados pelas discussões.

Apontar causas e justificativas nos dá uma falsa sensação de segurança. Essa segurança é alimentada, fortalecida, e cresce na medida em que a conclusão é compartilhada por um grupo. Mesmo abdicando da independência do discernimento, é compensada pela segurança da sensação tribal, atávica, de “pertencer”. Como na torcida pelos times de futebol, independente do mérito, ou nas ideologias, quando a adoção das posições ideias “oficiais” do grupo a que se pertence ou da maioria, substitui o discernimento.


A necessidade da segurança de estar certos é tal que, se não tiramos conclusões e nos aferramos a essas certezas, nos sentimos ameaçados, passamos a encarar qualquer opinião contrária como inimiga e preferimos destruir relacionamentos para defender nossas posições “certas”.

Até a Ciência se tranquiliza procedendo desta forma, não hesitando em formular teorias absurdas para questões que absolutamente não consegue explicar, para não admitir que ignora respostas. 
Tiramos conclusões criando uma teia de controle, principalmente quando tagarelamos sobre elas. Não pedimos esclarecimentos, concluímos e acreditamos estar certos.

Ao defender nosso ponto de vista como “certo”, tentamos tornar a outra pessoa automaticamente “errada” e ruim – mesmo não estando no lugar da pessoa para enxergar sob o seu foco.
Enxergamos e escutamos seletivamente o que queremos – inclusive ignorando fatos - à fim de endossar conclusões e fortalecer o rótulo que colocamos em alguém ou alguma situação. Interessante notar que o rótulo, por si, tem caráter profético e parece já definir acontecimentos futuros.

Mesmo quando vemos e escutamos, mas não compreendemos, tiramos conclusões. 

Quando nos contam algo, tiramos conclusões e tomamos partido. Se não nos contam, a necessidade de “saber” é preenchida com conclusões, pois é imperioso emitir opinião e tomar partido.

Para uma comunicação mais fluida e sem mal entendidos, é sempre melhor sermos mais assertivos e não nos furtarmos a perguntar, ao invés de partirmos do pressuposto de que conhecemos a verdade dos outros.

É sempre melhor perguntar diretamente do que fazer suposições. O diálogo é sempre melhor do que a discussão.

 

NADA TOMAR COMO PESSOAL - segundo compromisso tolteca

 Este seria o segundo passo para a liberdade dos padrões restritivos que nos aprisionam, examinado na nossa Jornada.

Medo, Cobiça e Desejo de Poder são os três pilares da percepção distorcida que, invariavelmente, está por trás dos conflitos e guerras.
Ocorrências são fatos. Já as suas causas são passíveis de interpretações errôneas - com atenuantes e agravantes - pois dependem da perspectiva do observador. Essas perspectivas advindas de um foco individual geram reações e “julgamentos” também pessoais. 
Da mesma forma que nenhuma pessoa é igual a outra, a perspectiva também muda. Não havendo duas pessoas iguais, não há Verdade absoluta fora da Consciência individual.
Criticar ou “condenar” alguém, gera a satisfação de se sentir superior.
O Medo atávico arraigado na natureza humana também produz a necessidade do coletivo, de fugir da solidão, de se alimentar da ilusão de “pertencer”. Essa consciência coletiva que vai desde as corporações esportivas até as ideologias políticas cria a robotização que obedece a palavras de ordem, embotando o Ser Sagrado individual, deixando de operar o seu próprio discernimento e de assumir as suas próprias responsabilidades.
Se juntam na ilusão de se proteger e fortalecer, sem saber que a verdadeira Força está na própria Consciência.
Nós x Eles – implica numa opinião grupal que embota a Consciência, pois assim como não há duas pessoas iguais – além do factual incontestável - só pode haver Verdade na consciência individual. 
Não se permitir ser atingido pelo que pensam, dizem ou fazem não é fácil, mas constitui um instrumento libertador por excelência.
Poucos tem objetividade para observar o externo com isenção e só enxergam o mundo através dos seus próprios olhos. O que pensam, dizem ou fazem é motivado por eles mesmos ou pela mentalidade grupal na qual elegeram se inserir, na ilusão de se fortificar.


Toda vez que levamos alguma atitude alheia para o lado pessoal, permitindo que nos atinja, estamos concordando com o que está sendo dito/feito. É importante notar que não passa de projeção da realidade do outro. Portanto, toda vez que nos ofendemos é porque sentimos no íntimo que há ali um fundo de verdade.
No momento em que nos ofendemos, já fomos capturados pela auto - importância expressada no orgulho que tenta encobrir que nós não somos sempre o centro das atenções.

Se somos insultados diretamente, independente de ser justo ou não - não importa. Quem se ressente está aceitando e incorporando o veneno propagado.
Ninguém consegue agradar a todos. Unanimidade não existe.
Nada do que o outro pensa, diz ou faz, é problema seu. É dele.
O ressentido concede Energia ao ofensor e energia é Poder.
E por que isso é ruim ? Cada vez que concedemos Poder ao outro, isso gera ira e tristeza. Cada vez que acolhemos esse parasita, ele nos captura e se torna poderoso, abrindo espaço para emoções negativas que acabam nos invadindo.

Os Seres humanos estão viciados em sofrer, se enredam e se escoram uns nos outros para alimentar esse vício.
Todo aquele que ainda não despertou totalmente, sente a Dor de estar aqui sem saber por que, de onde veio, para onde vai, atropelado pela poderosa atração da Matéria.
Quem sabe quem é, ama-se com suas qualidades e defeitos, Luz e Sombra. Confia no seu valor e responsabilidade perante a vida, não sentindo a necessidade de ser aceito.

O Guerreiro Espiritual cuida da sua missão primordial de Despertar, examinando e cultivando suas emoções com as próprias armas : a plena atenção e a disciplina. 
Nessa empreitada, a Ayahuasca é um aliado valorosíssimo, pois facilita que foquemos a nossa atenção em outra direção que não a do pessoal.
... não nos esquecendo que, para onde dirigimos nossa atenção, flui a Energia. E a Energia fecunda, muitas vezes, o que não queremos.

A IMPECABILIDADE DA PALAVRA - primeiro compromisso tolteca

 “Ser impecável com a própria palavra é empregar corretamente a sua energia e usá-la na direção da verdade e do amor por você mesmo” – Don Miguel Ruiz – Os Quatro CompromissosToltecas 

Desde que aprende a falar, o ser humano utiliza as palavras exaustivamente, falando por falar, na maioria das vezes dizendo coisas sem significado e importância. Apenas pelo gosto de não precisar se confrontar com o seu tagarelar mental e não se sentir sozinho consigo mesmo, confrontando-se com um vazio que lhe parece sem sentido.

Então entrega-se a um passatempo que vai do inútil “jogar conversa fora” até a nociva fofoca. Disseminar informações cuja veracidade não podemos comprovar ou, pior, que absolutamente nada acrescentam em benefício de quem quer que seja, é uma das piores formas de envenenamento mental através da palavra. Envenena também porque influencia, com a palavra descuidada e leviana, a opinião de terceiros. Conquistar a opinião de terceiros significa o apoio para o próprio ponto de vista que nos confere a ilusão de engrandecimento e poder. 

A Palavra é um atributo da mente humana, única espécie capaz de se manifestar, comunicando e expressando uma intenção.
Impecável é uma palavra com origem latina – impecabille - cujo significado é “incapaz de pecar”. 
A palavra pecado deriva do latim ‘
peccatum, i’ , que significa “delito”(do verbo ‘pecco, as, vi, ātum, are’), tropeçar , dar um passo em falso, enganar-se. Em grego é “hamartia” - errar o alvo, sair da rota. 

Impecabilidade significa “sem pecado” Então, a Impecabilidade da Palavra seria a capacidade de utilizarmos esse maravilhoso instrumento à serviço do melhor nível que o nosso caráter possa atingir e não contra nós mesmos – que é o alvo onde refletem todas as nossas intenções e ações .

A linguagem verbal, como manifestação do pensamento racional, é o principal instrumento de comunicação da mente humana. Instrumento que, devido a conotações subjetivas dá origem a mal-entendidos, mas, ainda assim, tem sido extremamente útil como expressão do conhecimento.

A existência de uma suposta “palavra de Deus” é uma consideração bem recente na História da humanidade. Embora os Vedas sejam reverenciados como uma escritura sagrada, ninguém considera que tenham saído, literalmente, da “boca” divina. O verdadeiro livro Divino, dada a extrema complexidade não linear da Manifestação Universal, não caberia nas limitações da comunicação verbal. Sua linguagem é simbólica. O “livro” é a própria Natureza Cósmica.

Na área devocional o ser humano tem, desde sempre, se utilizado da palavra para melhor canalizar e expressar suas emoções, chegando ao ponto de  materializa-las com mais eficiência. Bênçãos e pragas pertencem a todas as culturas.

A vivência comprova que, quando focalizamos nossa mente em algo, e a isto somamos o sentimento e a emoção para finalmente expressá-lo verbalmente, estamos exteriorizando e materializando um Poder capaz de afetar a dimensão material densa.

As tradições espirituais do Hinduísmo e do Budismo utilizam mantras como técnica meditativa para alcançar determinados estados mentais. Já a yorubá, que tem suas raízes na mais remota antiguidade e foi, até os últimos séculos, exclusivamente oral, utiliza três modalidades principais que poderíamos denominar genericamente “rezas”:Oriki (invocação),Adura (louvação) e Ofó (encantamento).

A intenção dos Oriki e Adura é facilitar a conexão com o Divino. O Ofó (encantamento) direciona uma intenção. Considerando a boca um dos mais potentes transmissores de energia, o Ofó pronunciado e acrescido de elementos de magia dos diversos elementos da Natureza tem grande poder de concretização.   

Diante da energia liberada em cada palavra que pronunciamos, podemos nos conscientizar de que elas afetam não só a quem as dirigimos, como também a nós mesmos. Alguns psicólogos chegam a afirmar que “tudo o que dizemos aos outros, primeiramente estamos dizendo a nós mesmos”.

Em decorrência desse enorme Poder, é importante essa conscientização da influência da palavra tanto para o Bem como para o Mal, pois pode se tornar um veículo de Justiça ou de Manipulação. Promove tanto a Conciliação quanto alimenta o Conflito.

Expressão do nosso livre arbítrio, ela é capaz se mudar nosso destino e o de nações inteiras.

Se por um lado a Palavra, como fonte sublime da poesia, atinge o auge da expressão da inteligência, sensibilidade e criatividade da nossa espécie, pode se tornar também um perigoso instrumento escravizador.
Como vemos no mito bíblico da Torre de Babel, a palavra mal empregada tornou-se um obstáculo ao entendimento, promovendo guerras. A palavra não só liberta, como também é capaz de captar ideias à ponto de transformá-las em agentes da mentira e da opressão. 

Palavra Impecável é a que só transmite aquilo em que se acredita, ou seja, a sua própria Verdade, uma vez que esta, fora da realidade factual, é opinião relativa e depende do foco.

Opinião é apenas opinião e raramente nos deparamos com a Verdade absoluta, mas apenas com opiniões. A Verdade não precisa de quem a defenda e dispensa que se diga : eu estou certo e vc errado.
Este primeiro Compromisso é talvez o mais difícil de ser honrado e interage com todos os outros. Por isso, é importante que atentemos para o mau uso da Palavra, que pode requerer muitas frases para construir algo positivo e uma única para tudo destruir.
A motivação inconsciente por trás do ego é estar sempre fortalecendo a imagem que paulatinamente construímos de nós, pois todas as suas atividades são governadas pelo medo de não ser alguém.

Na esfera cotidiana podemos considerar a mente  como um terreno fértil onde sementes são plantadas continuamente. O seu desabrochar só depende de nós.

Segundo os estudos de Eric Berne que geraram a Análise Transacional, o estado de consciência denominado Ego Pai é formado a partir das primeiras influências de pais/cuidadores da criança não só através de gestos e atitudes, mas grande parte também através de normas, valores, conceitos, regras e programas de conduta expressados verbalmente. Assim se formam opiniões, ideias e (pré)-conceitos emitidos e replicados ad infinitum. A pessoa acaba – sem refletir se naquilo acredita ou não – repetindo o que, durante anos, ouviu. 

O medo, que é o ponto central do nosso drama terrestre - que é o medo da não existência, a dor da própria finitude, de saber que nenhuma forma é permanente e que tudo e transitório. 

Impecabilidade é ser coerente perante a Verdade do seu coração. É ter a idoneidade de assumir a responsabilidade por todos os atos, sem se julgar ou culpar, sem atribuir culpa a outras pessoas ou a fatores externos.

Ser impecável é amar e respeitar a si próprio, pois a auto-rejeição significa a destruição da própria vida. 

No nosso Trabalho com o primeiro Compromisso Tolteca à Luz da Ayahuasca contamos com seu Poder Aliado para detectar, reconhecer e começar a superar toda a nossa falsidade em torno da utilização da Palavra, como primeiro passo para a Libertação rumo a uma vida mais pacificada – e agradável. 

No decorrer da vida, palavras capazes de captar nossa atenção vão nos influenciando, podem alterar nosso posicionamento no mundo e também influenciar outros.

Não há possibilidade de Iluminação, ascensão espiritual (ou como é moda se dizer hoje em dia: mudar o DNA ) se não nos libertarmos desses padrões de comportamento – a começar pela Impecabilidade da Palavra – reflexo do medo atávico.

Não há passe de mágica para transcender esse nível de falsos condicionamentos que fazem da nossa estadia neste planeta uma batalha incessante que só nos leva a frustração e ao sofrimento. 

Por ser tão difícil limpar o veneno emocional de toda uma vida programada pela insegurança e pela auto-rejeição, a Ayahuasca pode ser um valioso instrumento de trabalho para uma clara autoanálise. Se existir, evidentemente, o desejo sincero de se entregar a essa empreitada.


Com a finalidade de autoexame se reconhecendo dentro da nossa mais profunda intimidade, examinamos alguns pontos recorrentes: 

Mal entendidos - com relação as palavras vem do fato de pensarmos que ao vincularmos um termo a uma determinada coisa, captamos o seu significado e sabemos o que ela é. No entanto, essa palavra é apenas um rótulo. Rótulos verbais tornam a realidade mais superficial e vazia, podendo transmitir informação, mas nunca pleno conhecimento.

Ofensas - ser impecável com a palavra significa, em primeiro lugar, não revertê-la contra si mesmo. Se a palavra ofensiva contra mim chega ao ponto de me ofender, é porque me identifico emocionalmente com ela. Estou dando crédito e me envenenando com essa energia. Da mesma forma, se me deixo empolgar com elogios que me envaidecem, mas que, na verdade, bem sei que são desproporcionais e  não  correspondem a realidade que só eu conheço. Há que ter cuidado com as palavras alheias para que não se incorporem ao nosso sistema de crenças.

Críticas – como o ego está permanentemente lutando pela sua sobrevivência e supremacia, precisa se fortalecer. Esse fortalecimento depende do seu oposto: o outro, o “oponente inimigo”. Dentro desse padrão egoico da consciência surge a compulsão de diminuir, de encontrar defeitos nos outros a fim de ganhar força e superioridade. É preciso que se atente para comentários “inocentes” que mencionam fatos ou aspectos desabonadores a respeito de terceiros, por vezes até exprimindo falsa simpatia, enquanto a intenção oculta e real é revelar a inferioridade do outro para salientar a própria superioridade.

Incoerência – dizer uma coisa e fazer outra. Acaba com a credibilidade, gerando descrédito e desrespeito. A Palavra Impecável assume responsabilidade por suas convicções e só promete o que tem certeza de poder – e querer – cumprir.
Pregar um princípio e defender atitudes contrárias com dois pesos e duas medidas faz a pessoa sustentar o protecionismo do “ aos meus, tudo; aos outros, nada”.

Reclamações - esse padrão aplica rótulos negativos a situações ou pessoas, com a intenção e se justificar ou se engrandecer. É óbvio que não se trata aqui de se manter passivo e tolerar situações inadequadas ou ofensivas. Mas tudo depende de como essas falhas são apontadas. Neste caso elas serão objetivas, impessoais e direcionadas para a mudança em questão - e não voltadas para o ataque pessoal.

Queixas – quase sempre acompanhadas de ressentimento vitimizador, com pessoal / falsa(?) interpretação de fatos , a projeção de uma mente condicionada a ver inimigos por toda parte, para justificar seus fracassos e poder se colocar como certa e superior. Pode descambar para a raiva, que vai ruminando o diálogo interior e acaba envenenando a pessoa que, no final, até se perde de onde tudo começou.
De toda forma, elas sempre buscam nutrir um sentimento de superioridade, pois nada fortalece mais o ego do que estar “certo”.
Toma por verdade e compartilha informações que alguém afirmou sobre um terceiro, deturpando-lhe a palavra que, à custa de repetição cria um rótulo que acaba se aderindo a pessoa e se torna "verdade" oficial de um personagem.

Tagarelices - identificadas com o fluxo incessante da Mente que não quer calar, transmitindo pensamentos compulsivos, pois parece se sentir incomodada com a própria Presença. Precisa fugir do confronto com o mistério da sua própria solidão. Não tendo algo relevante a ser dito, apenas se distrai com o ruído da própria voz e as sucessivas cascatas de relatos e comentários sem conteúdo importante. Conhecido como “jogar conversa fora”.

Fofocas – a satisfação em mostrar que “sabe” o que o outro desconhece, que vai passar uma informação, dar uma notícia, não importa se boa ou má. Pode vira acompanhada de um falso tom de compaixão ou solidariedade, mas bem no íntimo carrega em si uma crítica velada e a sensação vitoriosa de “comigo não aconteceu” , colocando-se numa posição de vantagem.
Insinua-se como veneno sorrateiro até usando como alvo pessoas que diz amar, pois a intenção primordial é captar a atenção e a aprovação de quem ouve.
Pode conter os elementos ciúme e inveja. Se alguém tem mais ou sabe mais, nosso ego se sente ameaçado, diminuído e procura se recuperar menosprezando e reduzindo o valor da capacidade do outro. Tenta depreci-a-lo aos olhos dos demais.
Toma por verdade e compartilha informações que alguém afirmou sobre um terceiro, deturpando-lhe a palavra original que, à custa de repetição cria um rótulo que acaba se aderindo a pessoa e se torna "verdade" oficial de um personagem.

Feitiços – comentários e opiniões emitidas por pessoas que prezamos já geram, por si, influência. Muitas vezes uma palavra tendenciosa já é suficiente para captar nossa atenção à ponto de mudar o nosso foco e alterar os fatos. No momento em que nela acreditamos sem examinar outros aspectos, ela se perpetua como parte do nosso sistema de crenças, transformando-se em veneno. Daí a importância da imparcialidade. Á partir de um certo nível de Consciência emancipada, já passam a ser nocivas as associações de natureza “tribal” como ideologias, partidarismos e demais corporativismos próprios da mente adolescente, à moda do “um por todos, todos por um”.

Xingamentos – é mais um rótulo sobre pessoas e situações que exprime nossa necessidade de triunfar. Linguagem chula e palavras de baixo calão são a expressão mais primitiva de quem não tem o que argumentar e são incompatíveis com a boca que se propõe comunicar com o Divino. Verbalizar reforça a intenção e acessa o pensamento, dentro do campo energético correspondente.

Esses pontos recorrentes são uma sugestão e permanecem em aberto para outras questões que eventualmente surjam no prosseguimento desses estudos. 

OS QUATRO COMPROMISSOS TOLTECAS

Dentro da programação de estudos e práticas nos Trabalhos do Céu da Águia Dourada, que já contemplou o Gokkai ( os Cinco Princípios do Reiki), abordamos agora os Quatro Compromissos Toltecas..

A civilização pré- colombiana Tolteca foi um império notável, localizado onde hoje é a região central do México. Introduziu na América o calendário, desenvolveu a escrita, a fundição de metais e trabalhos em pedra, tendo seu florescimento no período denominado pós-clássico,a (aproximadamente 700 d.C., a 1250 d.C.) considerada uma cultura refinadíssima, que introduziu não só novos padrões arquitetônicos, mas primou pela busca e destinguiu-se pelo cultivo do mais alto nível de aperfeiçoamento espiritual que um ser humano pode almejar na Terra – conhecido como Toltequidad. 
O reflexo da sua sabedoria, certamente herdada de tradições ancestrais, incorporada e transmitida por diversas linhagens até hoje, encontra seu expoente máximo em Teotihuacan, a “cidade onde o homem se torna Deus”.
Os Compromissos foram compartilhados conosco pelo xamã e pesquisador Don Miguel Ruiz.

Nossa Mente é constantemente invadida por energias psíquicas que criam toda sorte de sentimentos desagradáveis e perturbadores, como tristeza, frustração, discórdia, ciúme, inveja, carência, egoísmo, dependência, irritabilidade, etc. São verdadeiros parasitas que se alimentam de brechas abertas por emoções negativas, quase sempre produzidas pelo medo. Tudo isso acaba se incorporando num sistema de crenças onde a pessoa acaba aprisionada – como se fizesse parte irreversível da sua personalidade – viciando-se na dor, no sofrimento, na ausência de uma plenitude que se distancia cada vez mais, num futuro inalcançável.
Examinar cada Compromisso à luz da Ayahuasca facilita a identificação e o treino do controle da emoção por trás de cada parasita, à fim de parar de alimentá-lo. Não se trata de tarefa fácil e daí a importância de se contar com a Ayahuasca como Aliada, pois a cada Compromisso nós nos defrontamos com essas formas vivas que emergem poderosa e sorrateiramente no nosso dia a dia.
Vigiar e deixar de cultivar as emoções que alimentam os parasitas requer treino e determinação onde muitas vezes falhamos, mas nem por isso se desanima e deixa de refazer o acordo perante o Compromisso. 
A finalidade de se trabalhar para honrar os Compromissos Toltecas é tornar a vida na Terra mais leve e agradável. É cumprir seu tempo aqui como verdadeiro Guerreiro/a, aumentando seu Poder Pessoal, na condição de um Ser Livre.

Estes são os Quatro Compromissos, conforme apresentados por Don Miguel Ruiz : 

1 - SEJA IMPECÁVEL COM SUA PALAVRA

É o compromisso mais importante. É através da palavra que expressamos nosso poder criativo, seja através da fala ou do pensamento. Nosso mais poderoso instrumento, que tanto pode ser usado para nos libertar como para nos escravizar.

O primeiro passo é ter consciência do poder da palavra e então, torná-la impecável. Impecável significa "sem pecado". "Pecado" significa ir contra a nossa essência. Nossa natureza mais íntima. Nossa Verdade.

Se formos, cada vez mais, nos tornando impecáveis com nossa palavra, poderemos re-criar nossa vida na direção do bem, do amor, da harmonia. Realizando exatamente o que dizemos.

Alinhando palavra e ação, sem mentiras que muitas vezes só nos reconhecemos, podemos nos libertar de todo tipo de conflito.

Este é um compromisso difícil de assumir, pois vai contra a "programação" que nos foi ensinada. 

Por isso é fundamental que se esteja consciente do poder da palavra, pois foi o uso inadequado deste poder que criou tanto conflito e trauma em nossa vida.

Assumindo o compromisso de sermos impecáveis com nossa palavra, é preciso observar o que pensamos e o que dizemos. Observar nosso diálogo interior, evitando toda crítica, julgamento e culpa. Substituir tudo isso por intenções de apoio, afeto, confiança, aceitação. Aos poucos vamos realizando esse processo na forma como lidamos com os outros, como falamos com eles, como pensamos sobre eles.

Ser impecável com nossa palavra é usá-la para cultivar a semente do amor que existe em nós. É só em terreno fértil que esse amor pode crescer e frutificar.


O RITUAL DE SACRIFÍCIO na religião yorubá - parte 2

A religião africana, tratando-se aqui especìficamente da vertente yorubá, tem por finalidade, além do desabrochar da semente de Energia Divina - o Orixá - que gerou a vida da pessoa na presente encarnação, promover harmonia na sua existência presente na Terra, a fim de que cumpra o seu carma, da melhor maneira possível.
Num Universo em constante movimento, esta harmonia se viabiliza mediante o intercâmbio energético para restauração do equilíbrio de forças que transitam entre o orun (o além) e o ayiê (o mundo material). Esta energia, contida nos diversos elementos da Natureza - que é viva – denomina-se “axé” e permeia os reinos animal, vegetal e mineral . Uma das três categorias de axé encontradas no reino animal é o sangue.
O sangue, veículo da Vida por excelência, é considerado Divino, não pode ser fabricado artificialmente (sangue não é plasma) e é a sagrada essência da Vida em matéria.
Como religião das mais antigas ainda atuante no planeta Terra, com suas instruções ritualísticas registradas na literatura de Ifá que, segundo a tradição, foram estabelecidas diretamente pelo Orixá da Sabedoria e Testemunha da Criação (Orunmilá), mobiliza e transfere axé através de rituais de sacrifício de várias espécies.
Os sacrifícios animais são oferendas que movimentam o fluido vital liberado – axé - que, atuando num âmbito não-físico, tem o poder de alterar situações indesejadas na vida humana. Há uma crença simplória e não destituída de preconceito maldoso, que identifica um suposto primitivismo dos Orixás como “espíritos apegados ao ato de comer”.
Como Forças / Energias da Natureza, é óbvio que os Orixás não necessitam de comida e, muito menos, de sangue. O sangue é o fluido vital que corre nas nossas veias nos assegurando a sobrevivência e é inerente à vida orgânica na Terra. Mediante os rituais de sacrifício, no momento em que a Vida é liberada, este sagrado fluido vital é transferido e usado para operar, sanando o problema do ser humano necessitado.
Quem afirma que esta prática pode estar superada, alegando que os mesmos resultados podem ser obtidos sem derramamento de sangue animal, desconhece o que seja axé. Pode até estar inventando uma nova religião mas, certamente, não estará lidando com a energia dos Orixás.
Os sacrifícios animais praticados pela religião yorubá, além de movimentar e utilizar axé, servem para alimentar as pessoas, uma vez que a carne é, na quase totalidade das vezes, consumida como alimento.
Ali o animal é encaminhado de forma indolor, com rezas, respeito e gratidão. Nenhum sacrifício é realizado de forma leviana e jamais o sangue é derramado em vão. Uma religião multi milenar que venera a Mãe Natureza (Onilé) só poderia respeitar a vida animal e encará-los como nossos parceiros na saga da vida terrestre.
Muito nos surpreende a veemência com que pessoas que ignoram esses fundamentos e, incapazes de resolver as situações gravíssimas com que a religião yorubá muitas vezes se defronta e soluciona, atacam a prática do sacrifício ritual como “incivilizada”.
Civilizada é, para eles, a situação dos matadouros que fornecem carne de animais crescidos e torturados em confinamento para saciar a simples gulodice das classes mais abastadas no seu dia a dia e inclusive nas suas festas religiosas. São as touradas na Espanha católica, os safaris e caçadas na Inglaterra protestante. As brigas de galo e de cães.
Civilizado é o consumismo de caros acessórios de couro e pele. Curiosamente, não se costuma questionar como e por que animais são mortos quando se trata de algum petisco gastronômico, um sapato ou casaco de couro ou uma forração de pele que não salvam a vida ou restabelecem a saúde de alguém, mas se destinam exclusivamente a saciar a sua vaidade.
Vista grossa se faz para o tráfico e extinção de animais exóticos, para os pássaros em cativeiro enfeitando gaiolas domésticas e a tortura a que são submetidos os animais marinhos.
Mais grossa ainda, para a intolerância com que o Cristianismo - a religião que, segundo eles, veio implantar o amor na Terra - dizimou civilizações inteiras em vários continentes e assassinou centenas de pessoas, durante séculos, nas fogueiras da Inquisição. Discriminar e perseguir a religião alheia é, certamente, um crime bem mais grave do que oferecer animais aos Deuses e, posteriormente, comê-los.
A religião yorubá não é hipócrita e não tem a pretensão de criar na Terra condições de vida que ignorem o ciclo da Vida e da Morte.
Enquanto estivermos encarnados em matéria, nestes corpos fabricados pela Terra,
onde corre sangue como fluido vital em nossas veias e ininterruptamente seres vivos comem uns aos outros para sobreviver, dentro e fora dos nossos corpos
- onde a própria Terra é um manancial de Vida proveniente de um grande cemitério, alimentada por todos os corpos animais e vegetais que aqui se decompuseram desde o início dos tempos, constataremos que, mesmo as plantas estão impregnadas de sangue - qualquer pretensão que transgrida essas Leis, será, no mínimo, utópica.

O RITUAL DE SACRIFÍCIO através dos tempos - parte 1

O sacrifício de animais é a mais antiga expressão de re-ligação com o Divino e presente em todas as civilizações da Terra, tendo sido praticado em todos os continentes. Este ritual data da época em que, segundo os mitos, os “deuses habitavam a Terra” e ensinaram aos humanos esta forma de conexão e culto à Divindade Suprema através das suas múltiplas formas de expressão.

Sua prática é historicamente conhecida dentre egípcios, gregos, romanos e todos os povos do Mediterrâneo e do Oriente Médio.
Tendo como base achados arquelógicos, podemos constatar que na totalidade das civilizações das Américas, do Alasca à Patagônia, a prática dos sacrifícios animais foi uma constante. Incas, maias, astecas, nos seus períodos de franca decadência, recorreram também a oferendas humanas. Aliás, a prática sacrificial dos povos derrotados em guerra foi uma constante em quase todas as civilizações da Terra, inclusive dentre as diversas etnias do nosso atual Brasil.
O Yajurveda, um dos quatro Vedas, contém grande parte da liturgia e dos rituais necessários para a prática religiosa hindu, incluindo os ritos sacrificiais. No período de 1000 a 800 a.C., o Hinduísmo passou a basear seu sistema de crenças na constante necessidade de sacrifícios. A população podia consumir a carne apenas de animais abatidos por sacerdotes. Neste período surgiu no Hinduísmo o sistema de castas, o conceito de Carma, reencarnação e a concepção de que almas animais podiam evoluir até a condição humana.
Textos como o Ramayana e outros demonstram que os sacrifícios de animais eram comuns na prática religiosa hindu. Mais tarde, com o advento de novas concepções religiosas, os sacrifícios foram abandonados, em sua maior parte. Por não ser, no entanto, uma religião organizada, o Hinduísmo permite uma variedade de rituais nitidamente destoantes. Enquanto que na maior parte dos lugares os Templos abriguem animais desamparados e os devotos lhes ofereçam alimentos como parte de seu rito, em outras regiões cadáveres humanos expostos acabam sendo consumidos pelos mesmos animais por eles preservados.
Devido a profunda ignorância em que decaíram muitas concepções religiosas no seio das populações mais primitivas da Índia, de vez em quando ocorrem intervenções policiais detendo pessoas que tentam oferecer sacrifícios humanos, principalmente à deusa Kali.
É um ironia que, justamente na terra que, para todos os efeitos, prega o vegetarianismo e a não violência (embora seja, na prática, onde sangrentos distúrbios determinem a tônica política) degenerações desta ordem se manifestem.
Sacrifícios eram, e por vezes ainda são, também praticados no seio das antigas religiões da Ásia. Confúcio descreve a existência de sacrifícios na China do século VI a.C.
No Islam, o período de peregrinação à Mecca (Hajj) é marcado por um rito sacrificial denominado Eid-ul-Adha (comemoração do sacrifício). Este sacrifício lembra que Abraão esteve prestes a sacrificar seu filho (que, de acordo com a tradição muçulmana não era Isaac, mas Ismael) e, passando na prova de obediência a Deus, acaba oferecendo um animal surgido de repente mediante intervenção divina. Na peregrinação, quem tem condições leva um cabrito, uma cabra, uma ovelha, um camelo ou uma vaca, para serem sacrificados. A carne destes sacrifícios é compartilhada com a família e os amigos e um terço é dada aos pobres. Todos estes preceitos estão contidos na Surata Al-Hajj (o capítulo do Al-Corão que trata da peregrinação a Mecca).
No Al-Corão (22:37) está explicado que Deus não se beneficia da carne nem do sangue dos animais que são sacrificados, mas que a fé do devoto e sua boa intenção é que são considerados. O animal deve ser abatido tendo sua jugular cortada e seu sangue drenado. Não é permitido supliciar o animal. Só assim esta carne é considerada “halal” - própria para consumo.
O sacrifício animal sempre existiu entre os hebreus, muito antes da entrega da Torah (Lei recebida por Moysés no Monte Sinai). Caim e Abel, Abraão e filhos, Noé e família, todos ofereciam sacrifícios. Quando as leis de sacrifício foram entregues aos filhos de Israel na Torah, a pré existência de um sistema de oferta de sacrifício foi então regulamentado e praticado no Templo de Jerusalem. Esta prática foi interrompida no ano 70 da era atual, devido à destruição do Templo pelos romanos.
Como a Torah autoriza os rituais de sacrifício exclusivamente naquele local (Deut. 12:13-14), sòmente com a chegada do Messias e o conseqüente restabelecimento deste local de culto, os sacrifícios poderão ser retomados. Como o Judaísmo não reconhece poder centralizado, certa vez um grupo de rabinos emitiu parecer para a prática de sacrifícios em outro lugar e algumas comunidades retomaram esta prática em ocasiões específicas.
No entanto, a maioria baseou-se na Torah para se pronunciar contra e os sacrifícios rotineiros cessaram. Por enquanto os judeus realizam serviços de oração para a vinda do Messias, a restauração do Templo e o restabelecimento dos rituais que a Torah preconiza, incluindo os sacrifícios.
Os judeus procedem hoje o ritual de abate de animais para alimentação da mesma forma respeitosa com que realizavam os sacrifícios, com rezas e uma lâmina afiada que cause morte rápida e indolor.

Vamos encontrar na Lei judaica os três conceitos fundamentais subjacentes ao sacrifício (Korban) que norteiam as Leis de sacrifício também nas religiões africanas atuais : doação, substituição e louvor.
O primeiro aspecto é a doação: o sacrifício exige a renúncia de algo que de melhor pertence à pessoa que está ofertando. Assim , os sacrifícios são realizados com animais domésticos que sirvam para alimentação. Animais selvagens estão excluídos, por não constituírem patrimônio. Os objetos de sacrifício devem ser fisicamente perfeitos, sem marcas ou lesões, preferivelmente jovens e sadios.
Também a oferta de alimentos, na forma de cereias (minchá) e derivados, por exigirem trabalho / sacrifício no seu preparo. Representa a devoção dos frutos do trabalho do homem para o seu Criador, algo obtido e confeccionado através do seu próprio esforço. Dentro deste mesmo princípio há também a oferta de bebida (nesekh) .
O de substituição é a idéia de que o objeto que está sendo oferecido é um substituto para a pessoa que faz a oferta. A oferta substitui o ofertante em sistema de troca. Trata-se de um procedimento bem comum nos rituais de Magia.
O terceiro é a idéia de reverência e homenagem, com a finalidade de estabelecer aproximação com o Divino, como gesto de amor de gratidão. Esta oferenda, ao invés de ser consumida como alimento é completamente queimada no altar exterior, pois representa a completa submissão à vontade de Deus, expressando o desejo de comunhão com Ele.
Embora o Cristianismo, ao se estabelecer como religião, não tenha adotado sacrifícios animais como prática ritual, os cristãos primitivos, sem dúvida, praticavam sacrifícios no Templo de Jerusalém até a sua destruição.
Jesus e seus pais quando se dirigiram ao Templo (no conhecido episódio em que ele discutiu a Torah com os sacerdotes), para lá se encaminharam com a intenção de participar do ritual da páscoa (Pessach), que òbviamente incluía o oferecimento de um animal para sacrifício.
Há, no entanto, resquícios de práticas sacrificiais na tradição católica ibérica como podemos verificar na selvageria das touradas e nos “sacrifícios” humanos impostos pelo Santo Ofício, à título de expiação de pecados.
A teologia cristã estabeleceu que todos os sacrifícios teriam sido substituídos pelo sacrifício de Jesus na crucificação e a mera fé neste fato conduz o devoto à sua salvação. No entanto, o culto e a eucaristia são práticas que remontam ao sacrifício, representando o vinho o sangue e a hóstia a oferenda de carne ( no caso católico). O simples fato de Jesus ter sido considerado uma oferenda válida, demonstra, porém, que o Cristianismo aceita, teologicamente, a validade dos sacrifícios.
Com efeito, sem a idéia de que Jesus serviu como cordeiro sacrificial para expiar os pecados do mundo, o Cristianismo ficaria destituído do seu sentido de existência.

domingo, 2 de agosto de 2020

PELO DESPERTAR DE UM NOVO TEMPO

No atual estágio em que nos encontramos na Terra, é imperioso que - nós que realizamos um Trabalho que consiste em auxiliar a nossa missão de aprendizado e despertar - dediquemos toda a atenção à sincronicidade com as mais altas Consciências que comandam a Terra e tudo o que aqui ocorre.
Assim, o Trabalho do Céu da Águia Dourada se volta para o equilíbrio interno que nos permite aprender, desenvolver e explorar nosso potencial espiritual - que é o que nesse momento realmente importa.
Sabemos que o Planeta-água, como Ser vivo, é sensível as nossas emanações vibratórias.
Estamos aqui para, através da nossa transformação interna, dar nossa pequena parcela de contribuição para a elevação da gama vibratória que abrigará a Nova Mentalidade. Mentalidade esta que, em meio ao caos, vai despontando e seguindo o fluxo da Alma coletiva para, inexoravelmente, evoluir.
Se pessoas indagam por que não tomamos posição perante os gravíssimos problemas sócio-políticos, respondemos que é porque estamos convictos de que eles são reflexo do interior de cada um e não serão resolvidos através de medidas externas. Essas medidas jamais atingirão a consciência das pessoas.
Isso não significa que não estamos cientes dos acontecimentos, porém a implantação de um novo paradigma requer, como única solução, uma transformação das mentalidades.
Até o presente, todas as tentativas no sentido de buscar soluções externas só mascararam as "boas" intenções e geraram hipocrisia, opressão, violência e injustiça - porque só houve uma mudança de lado nos conflitos, enquanto a essência permaneceu a mesma.
Toda vez que uma palavra se perde em discussões inúteis e disputas infindáveis, não constrói e deve se calar. Portanto, quem está desperto segue com calma e firmeza perante a certeza de que, em decorrência das ações coletivas pelas quais todos somos responsáveis, tudo ocorre como deve ser e a seu tempo se transformará, quando a medida de cooperação generosa for atingida.
Assim, estaremos engrossando as fileiras daqueles que, cada vez mais numerosos, despertam para a Fraternidade de um Novo Tempo.
Esta é a Instrução para aqueles que, ao longo das décadas tem, nesta Casa, usufruído dos ensinamentos e esclarecimentos proporcionados por essa Luz Divina que é a nossa Sagrada Ayahuasca.


“ O Novo Tempo é Deus no Céu quem determina.
É liberdade, paz, justiça e emoção.
Que a Imperatriz afaste os véus da ilusão
e aqui na Terra vingue a Lei do Coração”
(As Filhas da Lua – Hinário da Era de Aquário nº13)



 

Muitas são as cobranças para que nos posicionemos perante as ocorrências que se sucedem em nosso meio, por parte de pessoas até então ligadas entre si por laços de amizade e hoje separadas em facções opostas.

Temos a convicção de que existe um Comando Superior na Terra, que independe do poder das potências políticas e respeitando o livre-arbítrio, permite e assiste pacientemente a tudo que acontece. Por ter sido este o caminho escolhido pelo nosso coletivo, nada há o que dizer e sim vibrar para que se fortaleçam as energias positivas, cada vez mais em consonância com as decisões de quem realmente decide: o verdadeiro Governo da Terra.
No momento estamos em plena colheita de tudo o que foi semeado pelo inconsciente coletivo do país e do mundo.

Quando todo o malefício for purgado e as forças involutivas forem se enfraquecendo, as mudanças ocorrerão de forma rápida. Toda Crise é o olho do furacão da mudança. Seu ponto de mutação.

Assim como uma Nova Consciência vai nascendo nos corações e nas mentes, o velho paradigma vai morrendo e aqueles que o sustentam e dele se alimentam, pressentem o perigo da morte e se debatem ferozmente contra isso. Por este motivo, a separatividade, o egoísmo, a ganância, a injustiça, a perversidade e o desrespeito a tudo e a todos, parecem ganhar força - pois ainda encontram eco dentro de um número suficiente de corações.

No entanto, muitos corações estão sendo tocados e quando o processo evolutivo espiritual atingir o nível necessário, a hora vai chegar.

Mesmo em meio a essa aparente carência de consciências alinhadas com o Bem Superior, aqueles que então se sentirão convocados para implantar o novo modelo de desenvolvimento e convivência humana – que não contemplará as obsoletas ideologias que até agora conhecemos – estarão preparados.

O que temos a fazer no momento é nos recolher em meditação e focar nas nossas palavras, pensamentos e emoções, contribuindo para que, através das nossas ações, essa transição seja a mais breve e menos dolorosa possível.