ÁGUIA DOURADA

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terça-feira, 22 de novembro de 2011

INTOLERÂNCIA versus ERA DE AQUÁRIO

Os Mestres Ascensionados que atuam na Grande Loja Branca foram, pela primeira vez, apresentados ao grande público por Helena Blavatsky. Algumas décadas mais tarde, com a popularização da Era de Aquário e sua característica eclética, os Mestres passaram a ser citados – e até “canalizados”- em profusão, divulgados por uma espécie de doutrina. Em seguida foram acrescentadas as contrapartes femininas – companheiras das quais nunca se ouviu falar na Teosofia. Se Divindades masculinas, costumam ter uma shakti (seu aspecto feminino), jamais se ouviu falar que Mestres Ascencionados(as) tivessem companheiros(as) ou atuassem acompanhados(as) de “almas gêmeas”.

O Mestre Saint Germain, avatar responsável pela Era de Aquário, caracteriza-se pela introdução de um espírito eclético que se propôs resgatar todas as práticas da espiritualidade ancestral dos povos da Terra, que foram destruídas/proibidas pela religião estabelecida, justamente por ser um paladino da Liberdade. A começar pela Liberdade individual.
Uma vez que inúmeros Mestres já instruiram e forneceram à humanidade ensinamentos sobre como melhor proceder, chegou finalmente o tempo de se comprovar a assimilação do aprendizado. Não mais associado a culpa, castigo e uma hipotética redenção, mas através do entendimento profundo da Lei Cármica de Causa e Efeito. Responsabilidade sobre as atitudes e suas consequências.
Considera-se como "resgatável" - o que significa, capaz de se alçar a um patamar superior - 10% da humanidade encarnada.
Essa parcela, ou seja, milhões de pessoas, são aqueles que se destacam do "rebanho" massa indiscriminada , com maturidade espiritual suficiente para realizar seu processo de individuação, discernindo, optando e dispensando "guias" que lhe tolham a Liberdade. Esses estarão aptos a realmente vivenciar a mentalidade da Era de Aquário.
Subentende-se que a Era de Aquário seja a Era do exercício do livre-arbítrio pleno conferido pelo Supremo Poder Universal ao ser humano e que, conforme atesta a História, foi tão usurpado e desrespeitado durante a perseguição ao diferente, que imperou no mundo “civilizado”, sobretudo nos últimos dois mil anos.
Por isso, é motivo de grande estranhamento que pessoas que se declaram identificadas e se consideram inseridas no Projeto da Nova Era não demonstrem o mais básico comprometimento com a Liberdade do seu companheiro de jornada espiritual. 
Líderes de movimentos espirituais que floresceram e, graças a esse espírito libertário - que é a marca  do Mestre Saint  Germain - conseguiram sobreviver, pretendem exercer domínio completo sobre o direito de ir e vir das criaturas que optaram por lhes ser associadas - não subjugadas.
Patrulhar, aplicar sanções e determinar o que é bom e o que é  mau, proibindo pessoas de freqüentarem e vivenciarem as experiências espirituais que bem entenderem é atitude típica do obscurantismo intolerante e repressor da Era de Peixes. Cheira a Santa Inquisição.
É preferível que as pessoas, se não pretendem ampliar seus horizontes, se atenham àquilo que realmente sabem, ao conhecimento que de fato dominam, ao invés de pretenderem aderir a modismos com os quais não se identificam. Saint Germain e Era de Aquário nada têm a ver com proibições, autoritarismo, exclusivismo e disputas de poder.
Seria, portanto, mais coerente manter-se na velha e boa linha do rígido dogma do certo/errado, onde o "pecado" é punido e a virtude não teme o erro, se seguir ancorada na "cartilha da doutrina"...e, por favor, esquecer o nome do Mestre Saint Germain e sua Era de Aquário.

sábado, 12 de novembro de 2011

SINCRETISMOS E O CULTO YORUBÁ

De acordo com os odus Osa Meji e Osetura (v. artigo Orunmila em 10/07/10) o poder especial simbolizado pelo pássaro - conferido à mulher por Olodumare ( Supremo Arquiteto Universal) - encerra obrigação moral de respeito ao feminino, como princípio essencial na estrutura e funcionamento do mundo.
Ao contrário das religiões posteriores, de cunho ético (Judaismo, Cristianismo e Islamismo), onde a figura feminina é excluída do processo criador, o culto Yorubá reconhece o elemento feminino como indispensável na manifestação física do Universo.
Isso é reafirmado através do mito no qual o devido respeito e reverencia é reivindicado por Oxun junto à Divindade Suprema e, à partir daí, as divindades masculinas são obrigadas a incluir o feminino em todos os processos de criação e manutenção do nosso planeta.
Então, não se trata aqui de um feminino importado para suprir alguma lacuna, na figura de alguma mulher encarnada na Terra. O Catolicismo, por exemplo, veio a resgatar de um quase anonimato a mãe de Jesus no Concílio de Éfeso, em 431, proclamando-a “mãe de Deus” – medida que os protestantes não aceitaram e continuam adotando uma concepção religiosa exclusivamente masculina.
Ao contrário de personagens femininas mártires assexuadas, no culto Yorubá venera-se o feminino gerador da Vida, ligado à Mãe-Terra, extensão de Gaia, o corpo que nos gerou, nutre e um dia acolherá nosso descarte físico.
Assim, o reconhecimento básico da autoridade feminina passa a se estender também à mulher no âmbito humano. No culto Yorubá, como na totalidade dos cultos “pagãos” – pré-patriarcais – o feminino está personificado nas grandes sacerdotisas.
Em Osa Meji está especificado que “os homens nada realizam de substancial sem a participação das mulheres”.
HUMANIZAÇÃO DO DIVINO
Quanto aos mitos (itans), que são a espinha dorsal do conhecimento e culto Yorubá, parece que seu simbolismo não tem sido bem assimilado pela sociedade que os importou, insistindo em personificar / humanizar energias arquetípicas.
À exemplo do que ocorria na mitologia grega – para citar apenas a mais popular – os atos amorais, impuros, incestuosos e violentos passaram a ser atribuídos, de forma degradante, àqueles a quem cultuamos como energias inteligentes criadoras e mantenedoras da Vida, que velam pela nossa trajetória na Terra. Sempre auto-referentes, não conseguiram, ou não quiseram, entender que se tratam de padrões-espelhos das nossas próprias fraquezas.
Com isso, passaram a sincretizar os Orixás (v. artigo Orixá 11/06/10) com seres humanos canonizados e cultuados pela igreja católica. O ápice da total incompreensão culminou na associação de Exu ao “demônio” – personagem importado de uma teologia opressora que o inventou com a finalidade de instilar o medo, pois inexiste na mentalidade Yorubá.
Houve um esvaziamento do Poder dos Orixás, deturpando-lhes a forma de culto, como se houvesse alguma possibilidade concreta de se manipular essas forças à maneira dos santos católicos, mediante rezas, pedidos e promessas.
Através do sincretismo, o nome dos Orixás se popularizou de boca em boca que sequer sabem do que estão falando.
O CULTO E INTERFERÊNCIA DOS ORIXÁS
Em primeiro lugar, qualquer trato com, ou manipulação que se pretenda das energias conhecidas como Orixás, depende dos oráculos sagrados. Esses oráculos não se baseiam na intuição mediúnica auto-proclamada, mas em conexão legitimada e estabelecida com essas Forças, mediante rituais específicos e tradicionais, onde não cabe improvisação. Só eles determinam se é cabível e há possibilidade de sucesso no empreendimento.
Isto porque tudo depende de uma permissão cármica. De nada adianta alcançar uma dádiva que não nos cabe por direito e pela qual, mais cedo ou mais tarde, teremos que responder e compensar, já que usurpada a nosso favor.
A própria idéia de se pretender a atenção e a intervenção de um ser superior como espécie de pistolão que nos satisfaça os desejos, é pueril e estranha à mentalidade Yorubá.
Quando consultada, a interferência dos Orixás só se dá dentro da tradição que os trouxe à Terra, ou seja, através de oferendas, sacrifícios e rezas / encantamentos. O resto são crendices e emprego da força mental – que também pode ser capaz de operar milagres...mas não é Orixá.
O BEM E O MAL
No culto Yorubá, Bem e Mal coexistem como faces de uma única moeda, pois sustentam toda a Manifestação Universal. Sem a escuridão, a Luz não seria percebida.
A belíssima imagem de um Cosmos absolutamente negro onde pontilham luzes estelares que provém da Luz maior é um exemplo desta realidade.
O Mal é relativo e os seres humanos procuram aprender com ele e superá-lo na Roda de Encarnações, rumo a sua evolução.
No entanto, um ser maléfico que rivalize e desafie o Poder da Divindade Suprema, Olodumare, é inconcebível no culto Yorubá.
Imaginar que pessoas que se pretendem espiritualizadas assim pensem, é motivo de grande estranhamento, pois para nós, nada / ninguém se oporia à Vontade Divina, já que o Supremo é Absoluto.