ÁGUIA DOURADA

ÁGUIA  DOURADA

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sexta-feira, 18 de março de 2011

A CURA E A MENTE

Se na África ocidental a divindade Orunmilá ofereceu um conjunto de 256 caminhos desdobrados em várias vezes mais possibilidades de aconselhamento, no Egito helenístico, Hermes era tido como o autor de um conjunto de textos sagrados, ditos "herméticos", contendo ensinamentos sobre artes, ciências e religião e filosofia - o Corpus Hermeticum - cujo propósito seria o esclarecimento da humanidade através da sabedoria Divina. Hermes Trismegisto (Hermes, o três vezes grande) é o nome dado pelos neoplatônicos, místicos e alquimistas ao deus egípcio Thot (ou Tehuti), que na nossa tradição africana é Orunmilá, conhecido como Ifá.

Simbolizando a lógica organizada do Universo, é o deus do verbo e da sabedoria.

A filosofia hermética compreende 7 Leis, cuja primeira é o Principio do Mentalismo - o Todo é Mente - o Universo é Mental. Este Princípio concebe tudo como Mental, ou seja, que o Todo é uma inteligência incognoscível e indefinível em si mesma,
podendo ser considerado como uma mente infinita e universal. Estabelecendo a Natureza Mental do Universo, explica a verdadeira natureza da Força, da Energia e da Matéria, como e porque elas são subordinadas ao Domínio da Mente Universal.

O Universo funciona como uma super Mente que 'pensa' tudo que existe. É o Todo. Toda a emanação se iniciou como uma ideia da Mente Divina que continuaria a viver, a mover-se e a existir no que denominamos Divina Consciência.

A matéria se equivale aos neurônios de uma Mente infinita, um Universo Inteligente que 'pensa' e detem a totalidade de todo conhecimento. Por sua vez, o nosso limitado conhecimento flui e reflui desta Mente, já que Nela tudo se interliga. Não se trata, neste caso, de suposição mística, pois esta noção de "teia" interpenetrando o Universo manifestado vem sendo corroborada pela Física e até prevista na Teoria das Supercordas.

Tudo o que acontece em nossa vida tem um propósito específico. Sendo este propósito pré aceito pelo nosso Eu antes da encarnação, tudo a ser aprendido/assimilado ao longo da nossa jornada na Terra é uma pré determinação cármica.
Nosso livre-arbítrio não nos permite evitar o aprendizado, mas optar pela forma de aprendizado. Se será concretizado pela via do "bem" ou pela via da "dor" - ou simplesmente adiado para a oportunidade de uma reencarnação futura.
Dentro desta perspectiva, não existe castigo, mas aprendizado, buscando a razão pela qual padecemos de uma certa deficiência ou doença.
Muitas correntes da medicina, atualmente, já não concebem doenças, mas doentes.
Eliminar uma doença já manifestada no corpo físico, seja ela física ou emocional, requer, nesses estágios extremos, intervenção medicamentosa. No entanto, ao eliminar o sintoma, não eliminamos a razão inicial da sua manifestação e por essa razão, ela provàvelmente retornará, não raro com maior pujança, instalando-se de forma crônica, levando a intervenções mais invasivas e, por fim à morte muitas vezes prematura.
Mascarar o sintoma não é curar. Acreditando que eliminando os sintomas estamos eliminando a doença, esquecemos que o elemento que a gerou permanece dentro de nós.
O verdadeiro inimigo é nossa recusa em realizar através de autoexame o aprendizado necessário que possa limpar este trauma. Nossa mente, ao negar o aprendizado, pensando optar pelo caminho mais simples, promove uma reação física que tende a agravar a patologia.
Os medicamentos só funcionarão na medida em que a nossa mente esteja pronta para a mudança que gerou o mal estar. Pensamento positivo é importante mas não suficiente. Mais do que isso, só a descoberta da causa que está gerando a doença poderá reverter e remover os padrões destrutivos.
Durante o autoexame, na intimidade do nosso Trabalho, perante um fato desagradável ou conflito é necessária muita atenção para todo negativo, destrutivo ou duvidoso que emerge das profundezas do nosso Ser. Não se deve jamais aceitar as inúmeras justificativas tentando nos convencer da legitimidade desses sentimentos. São álibis que irrompem do nosso Eu Inferior, acomodado na inércia que compromete o discernimento e a verdadeira evolução . São Eus que se vitimizam e procuram adiar soluções ou justificar todas as nossas falhas e indícios de fraqueza.
Conforme o ensinamento de Ifá, só há um único Ser capaz de nos derrotar e, por conseguinte, comprometer a nossa imortalidade: - nós mesmos.
À Luz da Ayahuasca buscamos, na intimidade do nosso Eu mais profundo e secreto a honestidade inconfessável que revela a nossa Verdade implacável. Quase sempre dolorosa, mas sempre pronta a ser revelada.
Encarando de frente e superando situações negativas que impõem uma mudança, estaremos à caminho da queima do carma que gera todo tipo de doenças, rumo a uma evolução espiritual verdadeira - pois vem de dentro para fora - e não mediante atitudes exteriores, destituídas de conteúdo.

quarta-feira, 2 de março de 2011

DEZ DOENÇAS ESPIRITUALMENTE TRANSMISSÍVEIS - Mariana Caplan

“uma parte crítica do discernimento da aprendizagem no caminho espiritual é a descoberta da doença generalizada do ego e auto-engano que está em todos nós.”

Será que realmente acreditamos que só pelo fato de alguém ter meditado por 5 anos ou feito 10 anos de prática de ioga, será menos neurótico do que outra pessoa ? Na melhor das hipóteses, talvez eles sejam um pouco mais conscientes disso. Um pouco mais.

Como vim a conhecer centenas de mestres e milhares de praticantes espirituais através do meu trabalho e viagens, fiquei impressionada pela maneira com que as concepções, perspectivas e experiências tornam-se da mesma forma “infectadas” por “conceitos contaminantes” – compondo um relacionamento confuso e imaturo para princípios espirituais complexos que se assemelham a doenças contagiosas, só que não físicas.

As seguintes 10 categorizações não se destinam a ser definitivas, mas são oferecidas como ferramenta para a conscientização de algumas das doenças mais comuns, transmitidas espiritualmente :

1. Espiritualidade Fast-Food - misture a espiritualidade com uma cultura que celebre a velocidade, a multitarefa e a gratificação instantânea. O resultado provável será a espiritualidade fast-food. A espiritualidade fast-food é um produto da fantasia comum de que o alívio do sofrimento da nossa condição humana possa ser ser rápido e fácil. Uma coisa é certa, porém : a transformação espiritual não pode ser obtida através de solução rápida.

2. Falsa Espiritualidade - a espiritualidade do falso é o padrão no falar, vestir e agir como se imagina o protótipo do Ser espiritualizado. É uma espécie de imitação da espiritualidade que imita a realização espiritual, da mesma maneira que o tecido estampado de pele de onça imita sua pele genuína.

3. Motivações Confusas - embora nosso desejo de crescer seja genuíno e puro, muitas vezes ele se confunde com motivações menores, incluindo o desejo de ser amado, admirado, o desejo de pertencer, a necessidade de preencher nosso vazio interno. A crença de que o caminho espiritual removerá nosso sofrimento e ambição. O desejo de ser especial, de ser melhor do que, para ser “o único”.

4. Identificando-se com Experiências Espirituais - nesta doença o ego se identifica com nossa experiência espiritual e a toma como sua própria. Nós começamos a acreditar que estamos, incorporando insights e “canalizando” idéias que surgiram dentro de nós. Na maioria dos casos isso não dura indefinidamente, embora tenda a perdurar por longos períodos de tempo para aqueles que se julgam realmente iluminados e/ou que trabalham como facilitadores espirituais.

5. O Ego Espiritualizado - essa doença ocorre quando a própria estrutura da personalidade egóica se torna profundamente integrada com conceitos espirituais e idéias. O resultado é uma estrutura egóica “à prova de bala.” Nós nos tornamos somos invulneráveis a auxiliar. Nós nos tornamos seres convictos e impermeáveis, tolhidos em nosso crescimento espiritual, tudo em nome de certezas espirituais.

6. Produção em Massa de Professores Espirituais – as inúmeras linhas espirituais da moda produzem pessoas que acreditam estar em um nível de iluminação espiritual, ou mestria, que porém está muito além do seu nível real. Esta doença funciona como uma correia transportadora espiritual . A pessoa está iluminado e pronto para iluminar os outros de maneira similar.

7. Orgulho Espiritual - o orgulho espiritual surge quando o profissional, através de anos de esforço trabalhado efetivamente alcançou um certo nível de sabedoria e que usa esse conhecimento para se desligar de novas experiências. Um sentimento de “superioridade espiritual” é outro sintoma desta doença transmitida espiritualmente. Ela se manifesta como uma sensação sutil de que “Eu sou melhor, mais sábio e acima dos outros porque já sou espirituaizado”.

8. Mente de Grupo - também conhecido como pensamento grupal, mentalidade de culto ou doença ashram. A mente de grupo é um vírus insidioso que contém muitos elementos tradicionais da co-dependência. Um grupo espiritual faz acordos sutis e inconscientes sobre as formas corretas de pensar, falar, vestir e agir. Indivíduos e grupos infectados com o “espírito de grupo” rejeitam indivíduos, atitudes e circunstâncias que não estão em conformidade com as regras tácitas do grupo.

9. O Complexo de Povo Escolhido - o complexo de pessoas escolhidas não se limita aos judeus ou aos crentes. É a convicção da manada : “ nosso grupo é mais poderoso, iluminado e evoluído espiritualmente, melhor do que qualquer outro grupo e beneficiado por Deus.” Às vezes também se manifesta na forma do preferido do guru, o discípulo dileto.

10. O Vírus Mortal: “Eu cheguei lá”: essa doença é tão potente que tem a capacidade de ser terminal e mortal para a nossa evolução espiritual. É a convicção do “cheguei na meta final do meu caminho espiritual”. Nosso progresso espiritual termina no ponto em que essa crença se cristalizou em nossa psique. No momento em que começamos a acreditar que chegamos ao fim do caminho, a evolução cessa.

À medida que enfrentamos os obstáculos que comprometem nosso crescimento espiritual, há momentos em que é fácil cair em um sentimento de desespero e auto diminuição, até perdendo nossa confiança no caminho. Precisamos manter a fé em nós mesmos e nos outros em quem confiamos, a fim de realmente fazer a diferença neste mundo.