ÁGUIA DOURADA

ÁGUIA  DOURADA

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terça-feira, 25 de outubro de 2011

SALTO QUÂNTICO DE CONSCIÊNCIA - Ricardo Kelmer

A cada dia mais e mais pesquisadores ligados ao estudo da consciência, antropologia, psicologia e botânica se debruçam sobre uma possibilidade no mínimo intrigante e polêmica. É provável que as plantas psicoativas (que induzem a mente a funcionar em estados especiais) possam ter contribuído significativamente para o surgimento da autoconsciência, fator decisivo que proporcionou aos nossos ancestrais, num determinado ponto da evolução, as condições para sobreviver e gerar a incrível espécie a qual pertencemos: o Homo sapiens.

Admitir tal hipótese é mexer num vespeiro. Muita gente se indagará: “Quer dizer que nós humanos só existimos porque um bando de macacos comeram umas plantinhas e ficaram doidões?” Imagino os mais religiosos: “Era só o que faltava! Deixa só Deus escutar isso!” Pois infelizmente para muita gente, e até para alguns deuses, essa hipótese vem sendo estudada com seriedade e encontra ressonância positiva no meio científico.
Quem já passou por uma experiência com as tais “plantas sagradas”, como a Ayahuasca, o Peiote e a Jurema, sabe perfeitamente do imenso poder que elas guardam. E sabe também que elas não se prestam a um consumo recreativo, exatamente porque costumam tocar muito fundo em nosso interior, abalando nossa compreensão da realidade e de nós mesmos e nos fazendo emergir da experiência profundamente transformados.
Xamãs e pajés do mundo inteiro as utilizam há milhares de anos em contextos religiosos e terapêuticos. Atualmente médicos e pesquisadores de vários países estão unindo medicina acadêmica com antiquíssimas práticas xamânicas que envolvem o uso de plantas psicoativas e, com essa curiosa união, vêm obtendo resultados animadores na cura de muitas doenças como a dependência química.
Atualmente no Brasil proliferam-se seitas e dissidências de seitas que em seus rituais utilizam chás à base dessas plantas, chamando a atenção de estudiosos para o emergente fenômeno.
Toma-se o chá para entrar num estado de consciência não ordinário, onde é possível viver experiências sensoriais e cognitivas as mais diversas.
Há quem encontre pessoas vivas ou mortas, santos, entidades animais ou espíritos de plantas.
Há os que experimentam capacidades psíquicas incomuns ou vivenciam uma intensa sensação de união com a Natureza e tudo que existe.
Há quem passe por profundas experiências de auto-investigação psicológica como também de autocura ou seja tocado por revelações importantes que podem mudar toda uma vida.
Pode não acontecer nada mas também pode ser prazeroso ou doloroso. Pode ser infernal ou divino mas será sempre construtivo. Depende de cada um e de seu momento. Os religiosos radicais, sempre obcecados, diriam que é coisa do demônio. Alguns psicólogos talvez usassem o termo “terapia de choque”. Talvez nada mais seja que um providencial reencontro consigo mesmo e com sua verdade mais íntima.
Por que a crescente procura atual pelas plantas de poder dos xamãs? Por qual razão tantas pessoas ousam se submeter a uma experiência incerta, largando a segurança de sua mente cotidiana e desafiando o desconhecido de si mesmo? Minha impressão é que isso tudo talvez signifique, em última instância, uma forma de religação à Natureza. Religação sim, porque, na verdade, nós também fazemos parte da Natureza. O que houve é que, infelizmente, passamos a nos ver separados dela e com isso nos distanciamos demais da sabedoria natural do planeta e agora, perdidos num mundo cada vez mais caótico e insano, buscamos com avidez crenças e experiências que nos reconectem ao sentido maior da vida e às nossas verdades mais profundas. Entendo isso como um anseio natural e legítimo de uma espécie adoecida: o anseio de cura, liberdade, totalidade e harmonia com a Mãe Terra.
O que liberta também escraviza.
Por minha própria experiência, sei que plantas psicoativas podem ser bastante úteis porque nos fazem olhar para dentro, nos reconectam às leis naturais e ao sagrado de nossas vidas, nos lembram de nosso potencial para a autocura e ajudam a nos libertarmos de medos, culpas e bloqueios. Não há como não se transformar após um profundo encontro consigo mesmo. É por isso que quem passa por tais experiências xamânicas engrossa a legião dos que entendem o mais importante: somente a profunda mudança interior de cada um é que fará finalmente com que o mundo mude para melhor.
Este talvez seja o convite que as plantas sagradas fazem neste momento à nossa espécie: quanto mais pessoas se religarem à sua verdade mais íntima, mais próxima a humanidade estará de seu ponto de equilíbrio. Por outro lado, sei também que a espécie humana está doente e que, na busca angustiada pela cura, é capaz de exagerar no remédio. Por isso, nessa urgente busca por valores espirituais, é preciso, acima de tudo, priorizar a liberdade e atentar para o risco sempre presente de cairmos escravos exatamente daquilo que um dia elegemos como libertador.
As plantas sagradas não ficam de fora desse perigo. Tenho amigos que fazem parte de seitas que utilizam tais plantas e certamente discordarão. Respeito o que eles pensam e admiro sua busca pessoal. Porém, como tudo o mais que existe, as plantas sagradas também possuem dois lados. Se um lado liberta, o outro está lá prontinho para escravizar caso você não se mantenha atento, equilibrado e sem apegos excessivos.

Religiões, seitas e gurus funcionam muito bem para os que necessitam de regras ou se sentem mais seguros pertencendo a um certo grupo. Eles estão em seu caminho e isso deve ser respeitado. Mas há pessoas que conseguem beber em todos os ensinamentos e usufruir do melhor que eles lhes oferecem sem ter de se enquadrar em nenhum específico. É um caminho mais solitário, evidente, e exige um contínuo “estar aberto” - mas que exatamente por isso recompensa quem o trilha com a liberdade que nenhum outro caminho pode oferecer. As regras da seita ou as palavras do guru podem até iluminar durante um tempo, sim, mas até mesmo essa luz pode cegar para os horizontes seguintes da jornada.
O principal ensinamento das plantas de poder (assim como deveria ser o de todo guru) é este: devemos abandonar todas as muletas e aprender a caminhar por nós mesmos. O atual processo coletivo de reconectar-se aos valores da Natureza através das plantas psicoativas não significa uma espécie de retrocesso evolutivo e que devemos voltar a saltar pelas árvores. Nada disso. Uma vez ultrapassados, os marcos da evolução da consciência sempre nos impulsionam para o novo, jamais para trás. Acontece que a verdadeira evolução avança em forma de espiral e é por isso que quando o caminho parece retornar a um determinado ponto, na verdade ele está sim passando novamente por lá - porém num novo nível, mais acima, numa nova dimensão.
alvez essas poderosas plantas, que acompanham nossa espécie desde seu nascimento numa impressionante relação simbiótica, estejam agora nos oferecendo a preciosa oportunidade de mais um salto quântico da consciência, uma intensa transformação da mente e de sua interpretação da realidade - como fizeram nossos peludos antepassados em algum ponto de sua jornada. Agora, porém, diferente deles, possuímos razão e discernimento. Possuímos milênios e milênios de experiência sedimentados no inconsciente comum da espécie e temos nossos próprios erros para nos guiar.
Retornaremos à Mãe Terra e ao sagrado, sim, porque não há outro caminho se quisermos de fato sobreviver como espécie. Mas o faremos num novo nível porque agora estamos mais capacitados para enfrentar o grande mistério da vida, esse mistério que nos maravilha e assombra cada vez que olhamos para o sem-fim do mundo lá fora ou para o infinito interior de nós mesmos.
fonte: site Universo Místico

terça-feira, 18 de outubro de 2011

QS - o QI ESPIRITUAL

Todo o século XX foi marcado pelo conceito de QI como medida de inteligência através de testes. Os defensores da causa consideravam a inteligência a mais valiosa das qualidades humanas, passando a testar e classificar os diferentes atributos cognitivos em crianças e adultos, à fim de determinar seus lugares na sociedade.

Alguns cientistas argumentaram que a inteligência é um conceito demasidamente complexo para ser condensado num valor numérico.
No final da década de 90, o psicólogo Wilhelm Gardner propos a Teoria das Inteligências Múltiplas, de acordo com a qual, os seres humanos poderiam apresentar diversas maneiras de aprender e processar informações, contrapondo uma fator de inteligência geral a habilidades correlatas.Assim, Gardner identificou oito tipos de inteligência:
Lingüística – habilidade em se expressar através da liguagem escrita e falada.
Lógica-matemática – capacidade de raciocínio abestrato, análise e proposição de hipóteses e teorias científicas e tecnológicas.
Interpessoal – capacidade de entender, motivar e lidar com pessoas.
Intrapessoal - capacidade de conhecer a si-próprio.
Corporal-cinestésica – capacidade de usar o corpo humano no seu limite.
Naturalista – total sinergia com a natureza.
Musical – habilidade nata em compor e reproduzir música.
Existencial – capacidade de formular e questionar a existencia de si e do que o cerca.
Agora Dana Zohar e Ian Marshall lançaram o livro QS – Inteligência Espiritual (editado no Brasil pela Record) – propondo a existência de mais um tipo de inteligência, capaz de expandir o horizonte das pessoas, torná-las mais criativas e atuantes na busca pelo significado da vida.
O livro foi matéria de capa nas revistas americanas Newsweek e Fortune e baseia-se em pesquisas sobre o Quociente Espiritual (QS) , que seria o chamado “ponto de Deus”, uma área nos lobos temporais responsável pelas experiências místicas e que nos faz buscar significado e valor para a nossa vida.
Segundo a Dra. Zohar, tudo que influencia a inteligência passa pelo cérebro e seus prolongamentos neurais. Um tipo de organização neural permite ao homem realizar um pensamento racional, lógico. Dá a ele seu QI, ou inteligência intelectual. Outro tipo permite realizar o pensamento associativo, afetado por hábitos, reconhecedor de padrões, emotivo. É o responsável pelo QE, ou inteligência emocional. Um terceiro tipo permite o pensamento criativo, capaz de insights, formulador e revogador de regras. É o pensamento com que se formulam e se transformam os tipos anteriores de pensamento. Esse tipo lhe dá o QS, ou inteligência espiritual.
A Inteligência Espiritual coloca nossos atos e experiências num contexto mais amplo de sentido e valor, tornando-os mais efetivos. Ter alto quociente espiritual (QS) implica em ser capaz de usar o espiritual para obter uma vida mais rica e mais cheia de sentido, adequado senso de finalidade e direção pessoal.
O QS amplia nossos horizontes e nos torna mais criativos. É uma inteligência que nos impulsiona a abordar e solucionar problemas de sentido e valor. O QS está ligado à necessidade humana de ter propósito na vida e é utilizado para desenvolver valores éticos e crenças que vão nortear nossas ações.
Enquanto a inteligência emocional nos permite julgar em que situação nos encontramos e como nos comportar apropriadamente dentro dos limites de determinada situação, a inteligência espiritual nos permite perguntar se queremos estar nessa situação particular. Implica em trabalhar com os limites da situação.
Daniel Goleman, o teórico do Quociente Emocional, fala das emoções. Inteligência espiritual fala da alma.
O QS tem a ver com o significado de algo e não apenas como as coisas afetam nossa emoção e como reagimos a isso.
Dana Zohar identificou dez qualidades comuns às pessoas espiritualmente inteligentes. Segundo ela, essas pessoas:
- Praticam e estimulam o autoconhecimento profundo.
- São levadas por valores idealistas.
- Demonstram capacidade de encarar e contornar as adversidades.
- São holísticas.
- Celebram a diversidade.
- São independentes.
- Dispõem de grande curiosidade estimulada pelo estudo dos enigmas da Vida e do Universo.
- Demonstram capacidade para conceber as coisas desde um contexto mais amplo.
- Demonstram espontaneidade.
- Demonstram compaixão.