ELIANE HAAS

ELIANE HAAS

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segunda-feira, 19 de março de 2012

QUEM É O MESTRE SAINT GERMAIN

Aos 19 de março convencionou-se festejar a ascensão do Mestre Saint Germain, por ser a data que o papa decidiu consagrar a S.José, que teria sido uma sua encarnação passada.

Mestre Saint Germain, patrono do Céu da Águia Dourada, é um Adepto da Grande Fraternidade Branca, ou seja, alguém que, através do ritual iniciático do sexto grau, atingiu a condição de se libertar da roda das encarnações na Terra.
Adeptos são seres que atingiram o patamar crístico, ou seja, o mais alto estágio na escala da evolução humana. Permanecendo ligados à humanidade na Terra, sua missão consiste em auxiliar, mediante laços de afinidade, no trabalho de certas pessoas ou grupos, com o propósito de acelerar a sua evolução espiritual.
Após uma trajetória que, nos anais da Grande Loja Branca, remonta ao ano de 22.605 a.C., na sua última encarnação foi o Conde de Saint Germain – personagem “miraculoso” e de origem desconhecida, visto que seu título nobiliárquico foi comprado.
Circulou com desenvoltura nos salões das cortes europeias nos séc.XVIII e XIX, envolvendo-se em assuntos políticos, esbanjando espantoso conhecimento nas mais diversas áreas. Sempre com a mesma aparência física, sem envelhecer. Falava francês, inglês, italiano, português, espanhol, alemão, russo e várias línguas eslavas e orientais. Era riquíssimo, sempre ornado de pedras preciosas que, segundo testemunhas, “materializava” e gostava de presentear. Tinha fama de dominar a arte da transmutação de metais, que segundo afirmava, aprendera no oriente. Apesar de ostentar bens materiais, vivia de forma simples. Mesmo frequentando banquetes nos círculos nobres, jamais comia. No violino rivalizava com Paganini. Chegava a permanecer quase 50 horas em êxtase profundo e demonstrava memória prodigiosa, chegando a profetizar. Parece que utilizava esses lapsos de presença para atuar em outros lugares, pois se registra a sua presença nos Estados Unidos em 1785, enquanto estaria na França, entre 1784 e 1788. Escrevia com as duas mãos, simultaneamente, assuntos diversos. Desapareceu do cenário europeu da mesma forma que surgiu.
Embora seus dons assombrassem a sociedade da época, nada familiarizada com recursos de magia (como a tibetana, por exemplo), consta que Adeptos são capazes de criar para si um outro corpo, em forma pensamento, que pode servi-los como veículo quando seu próprio corpo enfraquece. Assim prosseguem trabalhando no plano terrestre sem passar pelo processo do nascimento.
O trabalho do Mestre Saint Germain, como avatar (encarnação divina) do Sétimo Raio, esteve, no final do séc. XIX ligado ao estabelecimento da Sociedade Teosófica e sua obra de difusão das tradições orientais no ocidente, bem como o estudo das religiões arcaicas da Terra.
Através de seus discípulos, influenciou grandemente inúmeras descobertas científicas, como a física quântica e o desenvolvimento das viagens espaciais. Não poderia ser outra forma, uma vez que, em encarnação passada, como Colombo, havia desbravado os mares, rumo a terras desconhecidas.
Acima de todos os citados atributos situa-se a sua missão atual, como Maha Choan ( chefe supremo da Hierarquia de Adeptos ) presidindo todos os Sete Raios da manifestação Divina na Terra. Sua característica principal é a utilização da energia do Sétimo Raio, que estabelece a ordem através da Magia Cerimonial.
Atualmente lidera, assessorado pelos Mestres Morya e Kooot-Humi, um triângulo de força que prepara a nova mentalidade que deverá nortear a vida da humanidade na Terra. Dentro de um paradigma eclético, Saint Germain pertenceu e prossegue como hierofante, estimulando o trabalho das sociedades secretas e organizações, como a Rosacruz, a Maçonaria e outros movimentos que estão surgindo, afinados com o espírito libertário e autônomo da Era de Aquário.
Saint Germain reintroduziu o trabalho (reminiscente de outras eras) com cristais, a cromo- e a fitoterapia, assim como a utilização de energias alternativas. Foi o responsável pela difusão das religiões, filosofia e cultura orientais, tornando o Yoga e as técnicas de Meditação populares no ocidente, à partir do séc.XX.
Seu instrumento de trabalho mais conhecido é a Chama Violeta da transmutação. Sob seu nome, muita bobagem tem sido inventada e “canalizada”, mas o Mestre considera todas essas iniciativas válidas, pois, com o tempo, o trigo será automàticamente separado do joio.
Desnecessário dizer que a existência de eventuais “chamas gêmeas” que costumam impingir aos Mestres é uma invencionice de pessoas arraigadas aos padrões sexuais ainda da Era de Peixes. É sabido que Mestres Ascensionados já atingiram o patamar onde integram ambas as energias yin e yang, prescindindo de parceiros de polaridade oposta. São seres completos e integrados.

domingo, 5 de fevereiro de 2012

CRER OU NÃO CRER EM DEUS

Quase sempre que essa questão é discutida, procura-se respaldo na opinião de cientistas de renome. Talvez porque, na sua ingenuidade, acreditem que eles, no seu âmbito de pesquisa macro ou microcósmica, possam constatar a 'presença de Deus' deixada no interior de alguma partícula ou topar com Êle vagando pelo espaço sideral.
No entanto, na grande maioria das vezes, acabam decepcionados com uma negativa, por parte deles, da crença em "Deus". Não que os cientistas não possam estar próximos de uma compreensão sobre a Suprema e Absoluta Mente Universal. Há, porém, um fôsso intransponível, uma discrepância conceitual que leva a uma barreira de pontos de vista divergentes.
Einstein foi um dos cientistas mais questionados sobre o assunto. Tanto no seu livro Mein Wetbild - Wie Ich die Welt sehe (Como vejo o mundo) publicado em 1953, como em declarações verbais fez declarações que bem elucidam essa discrepância :

“Todos os que se destacaram na espiritualidade de todos os tempos distinguiram-se através desta reverência perante o Cosmos. Sem dogmas ou um Deus concebido à imagem do homem, trata-se de uma re-ligação cósmica. Podemos notar que muitos ditos ateus de todas as épocas da história humana nutriam-se com esta forma superior de “religião”. Contudo, seus contemporâneos muitas vezes os tinham por suspeitos de ateísmo.” Acredito no Deus de Spinoza, que se revela por si mesmo na harmonia de tudo o que existe, e não no Deus que se interessa pelo destino e pelas ações dos homens".

Rabinos protestaram e até o cardeal O`Connel, de Boston, advertiu que:
"a Teoria da Relatividade encobre com um manto o horrível fantasma do ateísmo, e obscurece especulações, produzindo uma dúvida universal sobre Deus e sua criação".

Einstein retrucou :
"Não consigo conceber um Deus pessoal que influa diretamente sobre as ações dos indivíduos, ou que julgue diretamente criaturas por Ele criadas. Minha religiosidade consiste em uma humilde admiração pelo espírito infinitamente superior que se revela no pouco que nós, com nossa fraca e transitória compreensão, podemos entender da realidade. A moral é da maior importância - para nós - porém, não para Deus".
O molde judaico-cristão que vem norteando a religiosidade formal da civilização ocidental entende Deus como um Ser antropomórfico, habitante apartado do Universo, que governa como um déspota autoritário e se imiscui incansàvelmente nos problemas de toda a sua “criação”, vigiando, punindo e premiando a humanidade terrestre. Para alguns teístas, mesmo depois de se constatar que o nosso planeta não se situa no centro em torno do qual brilham o sol, a lua e as estrelas, este Senhor ainda parece se preocupar em ser devidamente reconhecido e honrado pela espécie humana da perférica e ínfima Terra.
Conforme o texto bíblico, trata-se de um Ser tendencioso, ciumento e vingativo que, por conta de uma desobediência jogou a humanidade no planeta Terra, entregue a um destino aleatório, onde a capacidade de resignação de alguns menos favorecidos é testada, enquanto aos “eleitos” uma fácil trajetória plena de benesses é concedida. Aliás, um planeta no qual as demais espécies lhe foram submetidas - já que “criadas” para o seu deleite - o que serviu como carta branca para uma catastrófica destruição da Natureza, conforme estamos presenciando no atual momento.
Um “deus” que, nas suas preferências, ao final de 300 000 anos da espécie no planeta, destaca um filho “dileto”, elevando-o ao patamar divino. Para os cristãos, condiciona a “redenção” de toda a humanidade posterior à simples crença e aceitação dessa sua “condição divina”. Para os judeus, ela está vinculada à chegada de um “messias” que, num passe de mágica, transformará em bem todo o mal que assola a vida na Terra.
Independente das ressalvas que nos façam os cabalistas, estamos aqui nos referindo às escrituras bíblicas – da Torah e dos Evangelhos - de domínio público, independente de interpretações esotéricas que não estejam em concordância total com o acima citado, porém inexpressivas, pois restritas ao estudo hermético de minorias.
Realmente, são pontos de vista tão fantasiosos que, não apenas cientistas estudiosos do Universo, como qualquer ser humano dotado do mínimo discernimento espiritual recusa-se a compartilhar. Neste caso, quem não aceita essa artimanha despropositada que vai contra todas as Leis Universais, prefere se apartar, acaba declarado – e até prefere declarar-se - “ateu”.
No entanto, o novo tempo de maturidade que se avizinha vem popularizar cada vez mais a concepção sempre ensinada pelas tradições espirituais arcaicas na Terra – aquelas que seguiram suas vias próprias. Que apesar de perseguidas conseguiram prosseguir alheias ao domínio das religiões formais, cultivando tradições ancestrais.
Em níveis de consciência mais sutis, concebe-se uma Mente Absoluta e Infinita como o Princípio Cósmico Universal , raiz de tudo e que tudo engloba em perfeita harmonia e equilíbrio, do qual tudo procede e, ao final do grande ciclo do Ser, tudo será absorvido. (o que agora está previsto pela astrofísica).
Trata-se de um Divino que é Vida e movimento , detectável em todos os átomos do Cosmos material, como também nas dimensões (que a Matemática já confirmou) que não conhecemos. Trata-se, não de um “criador”, mas de uma Potência Onipresente e Onisciente. O Eterno evolucionário e não-criador, que se desdobra à partir da própria essência.
A esfera sem circunferência, a Lei única que impulsiona toda a manifestação . Lei imanifestada, porque Absoluta - e que em seus períodos de manifestação é o Eterno vir a ser.

Assim considerando, fica difícil imaginar que alguém familiarizado com algumas Leis do Cosmos ou com as maravilhas do fenômeno Vida no plano terrestre, não se emocione e preste reverência a essa Inteligência Suprema que tudo harmoniza com absoluta perfeição e permeia essa imensidão infinita.

É curioso observar que, justamente os povos ancestrais, pagãos – portanto idólatras primitivos e apegados a crendices atrasadas, concebiam o Divino de forma bem menos simplória do que a religião que lhes sucedeu como unanimidade no mundo ocidental. O “Grande Mistério” reverenciado pelos índios norte-americanos coincide muito mais com essa concepção de um Infinito Poder Universal do que com a imagem antropomórfica de um “senhor” que, em meio a trilhões de galáxias, mantém vigilância permanente no cotidiano de cada ser humano aqui na Terra.

Também os yorubás, taxados de fetichistas idólatras e politeístas, concebem um Poder Supremo acima de toda a Hierarquia Divina. Tão acima que não se classifica na categoria das Divindades e não pode ser descrito nem cultuado diretamente. A Ele não se erguem templos, nem tem representação pictórica. É mencionado por vários nomes, sendo o principal OLODUMARE : OL(Oni)ODU – de extensão infinita, ou autoridade e poder supremos, MARE imutável. Conhecido também como ELEDÁ – o que existe por Si mesmo, OLORUN ALAGBARA – o Supremo Poderoso, ALAYÉ - o Eterno dispensador da Vida, ELEMI – o Sopro da Vida.

Esperemos que, com o advento da Era de Aquário, a questão “crer ou não crer em Deus” deixe, finalmente, de ser parâmetro de julgamento à respeito das pessoas na Terra. Por conta desse patrulhamento, muitos foram perseguidos e discriminados como seres de caráter duvidoso ou má índole. No entanto, maior malefício à humanidade causam os religiosos fanáticos que, no decorrer da História, vem atentando contra a vida do seu semelhante, na “defesa e em nome de Deus” (sic) – como se isso, na infinitude do Universo e dimensão tempo/espaço, tivesse a mínima relevância.

Que cada um possa, finalmente, ter o direito de descrer, ou crer, de acordo com o seu nível de consciência espiritual.

sexta-feira, 20 de janeiro de 2012

O SAGRADO FEMININO SOB A ÓTICA DE IFÁ

Os Orixás são considerados nossos genitores, uma vez que associados a elementos cósmicos ou à natureza. Dessas energias que interagem e se entrelaçam, emanam as formas materiais que abrigam a nossa existência individualizada na Terra.
O Poder Feminino foi, desde que o ser humano tomou consciência de si, associado à capacidade de criar e destruir a Vida, reverenciado como controlador das grandes energias sobrenaturais. Suas imagens, sob diversas formas, são as primeiras manifestações artísticas nos sítios arqueológicos desde o Paleolítico, sempre representando a fertilidade e primeiro contato do ser humano com o Divino.
A Terra precisa ser aguada constantemente, recebendo o “sangue branco”- a chuva - para propiciar nossa alimentação e sobrevivência. Então a MãeTerra – na cultura africana conhecida por vários nomes, sendo o mais popular atualmente, Onilé - passa a ser reconhecida como organismo vivo e cultuada como Divindade.
Ela é agba-nla , a grande cabaça doadora de Vida que precisa ser sempre ressarcida, pois o equilíbrio é mantido através de um constante sistema de compensação. Alimenta-se dos corpos mortos para que lhe seja restituída a capacidade geradora. Restituição e renascimento são a espinha dorsal dos ensinamentos de Ifá, que por sua vez sustentam a concepção yorubá das relações entre o orun (o universo espiritual) e o aiye (a manifestação material).
Então, iku (a morte) restitui à Terra o que lhe pertence, permitindo, assim, os renascimentos e, sob esse aspecto, seria simbòlicamente importante como instrumento de restituição de asé (energia vital.)
Toda restituição demanda destruição da matéria individualizada que, uma vez reabsorvida, vai nutrir a massa geradora, restauradora de asé – num ciclo contínuo que perdurará enquanto o planeta existir.
Sendo a Terra aquela que, desde os primórdios, tudo vem testemunhando e até hoje nada acontece fora da sua presença, costuma-se realizar pactos em Seu nome e a esse testemunho recorremos quando nos sentimos injustiçados.
Talvez esteja nessa necessidade imperiosa de ser constantemente ressarcida e aguada para poder procriar com abundância, a razão da ambigüidade do Poder Feminino, tão freqüentemente expressada em mitos e rituais de vida e morte. Daí a importancia da ancestralidade, que é a corrente que garantiu a continuidade da nossa existência na Terra. Os renascimentos dependem dos ancestrais e sua matéria de origem é a lama.
Logo após o Neolítico, ou seja, no início da Idade dos Metais, na transição quando o nômade caçador se estabelece como agricultor e funda os primeiros agrupamentos humanos, a Divindade Feminina responde por todos os processos da nossa existência neste planeta.
Com o estabelecimento e a posse da terra, a sociedade torna-se patriarcal /patrilinear e clãs familiares são fundados e chefiados por linhagens masculinas e as mulheres vão perdendo o seu poder. Segundo os mitos, Ogun - a tecnologia – teria arrebatado a liderança, numa disputa com todas as iyabás (Divindades femininas), com o auxílio de Elegbara, Orunmila e Sango.
Antepassados divinizados assumiram papel de divindades primordiais e houve uma redistribuição de tarefas entre os inúmeros Orixás. Aí começa a fase patriarcal na história da humanidade.
A sacralidade da Terra e tudo o que nela vive, é o ponto de partida da concepção yorubá do mundo.
Mesmo conscientes da existência de um Poder Universal Absoluto (Olodumare) que rege todas as galáxias no céu e as próprias Divindades na Terra (Orixás), essas energias da natureza que nos tocam e influenciam o nosso cotidiano é que são cultuadas. É a elas que se recorre nos momentos de aflição e se reverencia nas ocasiões de júbilo.
As Divindades femininas do panteão yorubá , as iyabás (Ayaba/Aya-oba – rainha) possuem os mesmos atributos das Deusas nas demais civilizações arcaicas, pois as diferenças são apenas culturais, uma vez que os arquétipos – pertencendo ao inconsciente coletivo da espécie humana - são os mesmos.
Nanã é a mãe ancestral, importada das terras do Daomé. É a mulher sábia, a anciã que atingindo a menopausa, já não verte sangue. Por isso retém em si o poder da procriação. Como associada à lama e às águas contidas na terra, liga-se ao processo de fertilidade da terra. Simboliza a maternidade arcaica indiferençada, pois é a mãe de todos os seres, à partir dos moluscos dos pântanos. São seus filhos os mortos e os ancestrais.
Já Yemanjá surge como Mãe do homo sapiens. Como “Mãe dos filhos-peixe” (Iya-omo-ejá), simboliza a vida que veio do mar e também daqueles que saíram do líquido amniótico. É uma divindade do rio que emigra para o mar (domínio de Olokun, que fica então relegado às regiões abissais.
O fascínio de Yemanjá – sob diversos nomes - abrange todas as civilizações do planeta e enriquece o folclore ligado aos seres encantados do mar. Como maternidade educadora, rege a consciência e, portanto, é reverenciada como mãe de todos os seres pensantes - Mãe do homo sapiens.
Oyá é uma Divindade do rio. Seu nome significa “aquela que rasga” – no caso, o rio Niger. É o arquétipo da guerreira, plena de atributos, todos conquistados por esforço próprio, assim como da transformação. Por isso, embora Yemanjá seja a “dona” das mentes, é à Oyá que recorremos nos processos de auto-conhecimento e superação de crises.
Oyá é a própria eletricidade dos raios que transmutam as energias na atmosfera do planeta. Como Senhora dos ventos, distribui as sementes expandindo a Vida e, por outro lado, dissemina as doenças.
Como transita entre as nove dimensões da Terra, preside e está presente também no portal da morte.
Associada ao irrefreável poder animal representado pelo búfalo, carrega chifres, como todas as Divindades lunares nas diversas civilizações. Oyá é a contraparte feminina do Orixá Sango.

De Osun provem as águas, pois ela é o próprio útero da Terra. Senhora da fertilidade, dela depende a Vida no planeta. É interessante considerar que todas as águas, mesmo as dos mares e das chuvas, provem dela – e que toda a água existente na Terra, sempre foi a mesma.
Ela vem das profundezas, dos mananciais que guardam os tesouros - por isso é a dona do ouro e das pedras preciosas – e o segredo da Vida. Osun é a mãe de todos os seres porque preside o processo da gestação, que assegura a continuidade da Vida. Assim, é também a Deusa do amor e da beleza.
É a grande força oculta que opera em silêncio, para irromper na violência das cachoeiras que tudo arrasta e dissolve.
Ocultando o segredo da geração - que é o "milagre" supremo ( que até hoje a ciência reproduz, mas não cria), Osun torna-se também a Senhora da Magia.
Esse poder gerador associa todas as Deusas e, por extensão, todas as mulheres, pois elas detém autoridade decisiva de vida e morte - já que delas depende a sobrevivência das crianças - e são, no plano humano, as representantes naturais da Magia Ancestral.
Esta Magia é associada aos pássaros (símbolo da projeção astral), que em todas as culturas surgem como seres alados, imagens fundamentais da energia feminina superior no Universo.
A representação máxima deste poder são as Iyami Agba, Senhoras da noite e também das fogueiras, arquétipos da coletividade ancestral feminina desde a criação do planeta. É um poder que, mesmo atribuído às mulheres velhas, pode, em certos casos, pertencer igualmente a jovens que o recebam por herança ou o adquiram por direito de linhagem espiritual, através de rituais. O poder do Sagrado Feminino é supremo no aiye (plano material), mas para que o equilíbrio seja mantido, está submetido ao triunvirato supremo logo abaixo de Olodumare (Deus / Absoluto Arquiteto do Universo): Obatalá (Logos solar), Orunmila (Senhor da sabedoria e do oráculo) e Elegbara (o Orixá Eshu – transformador da energia em matéria).

Este é apenas um resumo introdutório. Um aprofundamento requer o estudo dos itan (mitos) do corpo literário de Ifá, pois o assunto é riquíssimo e bastante complexo.

terça-feira, 22 de novembro de 2011

INTOLERÂNCIA versus ERA DE AQUÁRIO

Os Mestres Ascensionados que atuam na Grande Loja Branca foram, pela primeira vez, apresentados ao grande público por Helena Blavatsky. Algumas décadas mais tarde, com a popularização da Era de Aquário e sua característica eclética, os Mestres passaram a ser citados – e até “canalizados”- em profusão, divulgados por uma espécie de doutrina. Em seguida foram acrescentadas as contrapartes femininas – companheiras das quais nunca se ouviu falar na Teosofia. Se Divindades masculinas, costumam ter uma shakti (seu aspecto feminino), jamais se ouviu falar que Mestres Ascencionados(as) tivessem companheiros(as) ou atuassem acompanhados(as) de “almas gêmeas”.

O Mestre Saint Germain, avatar responsável pela Era de Aquário, caracteriza-se pela introdução de um espírito eclético que se propôs resgatar todas as práticas da espiritualidade ancestral dos povos da Terra, que foram destruídas/proibidas pela religião estabelecida, justamente por ser um paladino da Liberdade. A começar pela Liberdade individual.
Uma vez que inúmeros Mestres já instruiram e forneceram à humanidade ensinamentos sobre como melhor proceder, chegou finalmente o tempo de se comprovar a assimilação do aprendizado. Não mais associado a culpa, castigo e uma hipotética redenção, mas através do entendimento profundo da Lei Cármica de Causa e Efeito. Responsabilidade sobre as atitudes e suas consequências.
Considera-se como "resgatável" - o que significa, capaz de se alçar a um patamar superior - 10% da humanidade encarnada.
Essa parcela, ou seja, milhões de pessoas, são aqueles que se destacam do "rebanho" massa indiscriminada , com maturidade espiritual suficiente para realizar seu processo de individuação, discernindo, optando e dispensando "guias" que lhe tolham a Liberdade. Esses estarão aptos a realmente vivenciar a mentalidade da Era de Aquário.
Subentende-se que a Era de Aquário seja a Era do exercício do livre-arbítrio pleno conferido pelo Supremo Poder Universal ao ser humano e que, conforme atesta a História, foi tão usurpado e desrespeitado durante a perseguição ao diferente, que imperou no mundo “civilizado”, sobretudo nos últimos dois mil anos.
Por isso, é motivo de grande estranhamento que pessoas que se declaram identificadas e se consideram inseridas no Projeto da Nova Era não demonstrem o mais básico comprometimento com a Liberdade do seu companheiro de jornada espiritual. 
Líderes de movimentos espirituais que floresceram e, graças a esse espírito libertário - que é a marca  do Mestre Saint  Germain - conseguiram sobreviver, pretendem exercer domínio completo sobre o direito de ir e vir das criaturas que optaram por lhes ser associadas - não subjugadas.
Patrulhar, aplicar sanções e determinar o que é bom e o que é  mau, proibindo pessoas de freqüentarem e vivenciarem as experiências espirituais que bem entenderem é atitude típica do obscurantismo intolerante e repressor da Era de Peixes. Cheira a Santa Inquisição.
É preferível que as pessoas, se não pretendem ampliar seus horizontes, se atenham àquilo que realmente sabem, ao conhecimento que de fato dominam, ao invés de pretenderem aderir a modismos com os quais não se identificam. Saint Germain e Era de Aquário nada têm a ver com proibições, autoritarismo, exclusivismo e disputas de poder.
Seria, portanto, mais coerente manter-se na velha e boa linha do rígido dogma do certo/errado, onde o "pecado" é punido e a virtude não teme o erro, se seguir ancorada na "cartilha da doutrina"...e, por favor, esquecer o nome do Mestre Saint Germain e sua Era de Aquário.

domingo, 25 de setembro de 2011

PROFECIAS & ASCENSÃO PLANETÁRIA

Diante da divulgação de inúmeras profecias apocalípticas e as evidentes transformações geológicas e ecológicas que vem ocorrendo no nosso planeta, seguidamente nos chegam questionamentos sobre o que teríamos a dizer sobre este momento de transição e o nosso futuro. Muitos interpretam esses sinais como uma catástrofe global e até possível extinção da civilização na Terra.

Gaia realmente está destinada a galgar um patamar superior na sua evolução e Toda Ascensão requer transformação.
Aproximadamente 10% da humanidade, ( ou seja, cerca de 6,7 bilhões de seres humanos encarnados ) está – consciente ou inconscientemente - comprometida com esse Projeto de Ascensão Planetária. Muitos já estão aqui para organizar e administrar uma Nova Consciência rumo ao patamar acima da terceira dimensão. Alguns com a tarefa de guiar e auxiliar nas calamidades e posteriormente reconstruir sobre as catástrofes que se sucedem. Alguns ocuparão posições de proeminente liderança, enquanto outros exercerão tarefas humildes, mas não menos importantes na missão de semear e expandir a Luz no nosso planeta. Certo é que todos serão faróis de sabedoria e lucidez, sem fanatismo dogmático, sempre influenciando através do exemplo de vida e do comportamento equilibrado, solidário e firme.
Embora, superficialmente, a situação política, econômica, ecológica e social pareça totalmente entregue as forças involutivas, um novo paradigma de união já germina sob a carcaça do que, inevitavelmente, vai desabar.
Brota um mundo acima da freqüência tridimensional que moldou o medo da finitude e a ganância selvagem. Um mundo construído por uma humanidade iqualitária, idealista e solidária. Amorosa ?, muito se fala em amor mas poucos sabem do que se trata. Este seria um tema para outra ocasião. O tão exaltado amor vem gerando mal entendidos capazes de provocar crimes, violência e guerras nos últimos 2000 anos em que tanto dele se falou.

O acréscimo no número de ciclones, raios, terremotos, furacões e tempestades, não se trata de “castigo” divino – como alguns simploriamente interpretam. A magnitude dos desígnios Divinos no âmbito cósmico está bem além dos nossos destinos individuais.

Cada um desses fenômenos – sob o nosso ponto de vista, catástrofe - tem a ver simplesmente com as mudanças no corpo de Gaia e são instrumentos da sua Ascensão. Tem a ver com a distribuição de energia e com o mecanismo de aquecimento global.

A emissão de gases poluentes produzindo o efeito estufa, de fato acelera o aquecimento, mas este, na verdade, ocorreria invariavelmente, pois faz parte do Projeto de Ascensão da Terra.

Sua causa provem do interior do planeta e é decorrente do aumento da velocidade de rotação do seu eixo interior.

A rotação da Terra está mais acelerada. Isso está provocando um atrito intenso entre o manto, a crosta e as camadas de magma do seu interior, elevando a temperatura do ferro que compõe o eixo central. A pressão da sua massa é que produz o aquecimento de toda a superfície, alterando as águas e nos ares, assim como o movimento das placas tectônicas.

Esse atrito é que está provocando o aquecimento, provocando também o derretimento das calotas polares, alterando as correntes e, por conseguinte, a atmosfera. Como parte do processo de Transição do planeta, é óbvio que nada poderia evitá-lo ou impedi-lo.

Então, com o derretimento das geleiras, o nível das águas vai subir, o número de terremotos e furacões não diminuirá e muitas alterações nos continentes acontecerão, fazendo desaparecer porções de terra e empurrando outras para a superfície. O derretimento é apenas um dos aspectos da grande complexidade desta Operação em curso, se levarmos em consideração também os códigos de freqüência e o campo magnético da estrutura cristalina do gelo das calotas.

Outros aspectos ligados a esse Projeto de Ascensão são a reversão dos pólos magnéticos e a inclinação do eixo da Terra. Cabe ressaltar que as reversões polares ocorrem no Sol, na Lua e não será a primeira vez que ocorrerá na Terra. Já a alteração na inclinação axial, atualmente de 23,8º, será provavelmente decorrente do derretimento, influindo na distribuição de peso entre as massas de água dos oceanos e da terra firme dos atuais continentes.

Embora muitos profetas, videntes e canalizadores fixem datas, como e exatamente quando, tudo isso se manifestará, ninguém sabe.

Ter a pretensão de conhecer os desígnios do Grande Mistério seria insensatez vaidosa.

Quando se profetiza a partir de um ponto específico do tempo-espaço o potencial de realização submete-se a um fluxo mutante. Por isso seria impossível fazer previsões na linha do tempo, quando tangem a esfera Cósmica.

Cabe a cada um procurar cumprir a sua parte, confiando sem medo, com tranqüilidade e entrega total, ciente de que está à serviço da Consciência Planetária e seu Projeto, ocorra ele de forma tranqüila a pouco afetar nossos destinos individuais ou atingindo proporção catastrófica global.

A forma como tudo se sucederá, dependerá do quociente de Luz e nível vibratório.

Acima de tudo, não podemos esquecer que:

- nossa importância no planeta não é mais relevante do que a de outras espécies. Não somos o centro da Criação e, muito menos, a razão de ser do planeta Terra. Nossa recente presença aqui é circunstancial na existência de um corpo celeste de mais de 4 bilhões de anos, que, aliás, já abrigou outras espécies, hoje extintas.

- e, principalmente, que nada ocorre sem planejamento e determinação das Sagradas Hierarquias Terrestre e Galáctica.

domingo, 18 de setembro de 2011

A AYAHUASCA NO CÉU DA ÁGUIA DOURADA

Segundo os ensinamentos iniciáticos das antigas tradições, nossa missão na Terra é, vivenciando a dualidade, evoluir, aprender, buscar a Luz onde toda a Vida teve origem. Passar pela experiência da encarnação em matéria buscando o conhecimento Maior, desvendando um pedacinho do Grande Mistério Cósmico onde estamos inseridos e admitindo a plena soberania do Eu Divino, que é a nossa essência.

Descobrir como o amor é a vibração de toda a Emanação Divina e o verdadeiro Conhecimento, a chave fundamental da evolução.

A beleza e a força das culturas ancestrais das Américas, vivendo em contato estreito e reverente com a consciência da Natureza, criaram Mestres Xamânicos que desenvolveram um profundo entendimento e aprenderam a trabalhar com o conhecimento das plantas, seus dons e limitações, com os Reinos das Quatro Direções e seus elementais. Assim, criaram um sistema próprio de evolução espiritual e suas civilizações passaram pelas fases naturais do desenvolvimento, apogeu e declínio, desintegradas pelos colonizadores europeus.

Como as línguas nativas não possuíam escrita, o conhecimento baseava-se na oralidade.

À medida em que as etnias iam sendo dizimadas ou conquistadas por meio da guerra, eram forçadas a assimilar os costumes e dogmas coloniais europeus. A maior parte do saber ancestral foi diluído ou sincretizado, uma vez que os remanescentes foram obrigados a adotar a doutrina cristã e acabaram finalmente absorvidos pela cultura industrial.

Uma nova mentalidade foi implantada. Uma mentalidade que trouxe benefícios tecnológicos, mas embotou a sensibilidade, a intuição e a espiritualidade.

No presente momento de despertar da Terra e resgate dos legados ancestrais em todo o planeta, (res)-surge um Neo Xamanismo, destinado a restaurar esses elementos perdidos de sabedoria e conhecimento.

Hoje, num contexto diferente, chegamos a um ponto onde essa ancestralidade valorosa pode ser honrada – por quem assim o desejar e estiver em sintonia com esse chamado – pois alguns dos Guardiões desta Medicina Sagrada caminham novamente pela superfície do planeta, encarnados nas mais diversas nações.

Na contramão das doutrinas religiosas formais, é um presente da Mãe Natureza, oferecendo a chave para a jornada Interior do auto-conhecimento e do êxtase, em conexão direta com o Divino, rumo à ascensão.

Seguindo esta linha, a finalidade das Jornadas no Céu da Águia Dourada com a Planta de Poder Ayahuasca, é romper filtros criados pelo inconsciente, tornando consciente, através de trabalho sistemático, grande parte dos nossos conflitos e aspectos reprimidos no decorrer desta ou de encarnações anteriores.

As chamadas Plantas Mestras são capazes de acelerar vivências e expandir nosso foco de consciência, tornando possível vislumbrar nossa Verdade mais íntima através de lentes multidimensionais. Esse acesso é possível quando as direcionamos no propósito de aquietar a mente consciente e iluminar as sombras corrosivas do que guardamos bem escondido no nosso íntimo - e nos recusamos a admitir ou enxergar.

Na conexão com o Divino não adotamos crenças dogmáticas, pois estamos convictos de que sectarismos maniqueístas fazem parte de um paradigma obsoleto que causou muitas dores à humanidade. Para esta mentalidade não haverá lugar dentro da espiritualidade universalista e cósmica da Nova Era.

No entanto, não há como ignorar no Céu da Águia Dourada a presença evidente e efetiva da egrégora que nos sustenta e ilumina, ligada à Hierarquia Dévica. Ela é encabeçada pelas primeiras energias inteligentes que comandam a Natureza do nosso Planeta, desde muito antes dele abrigar seres humanos. Essas energias, conhecidas e cultuadas em várias culturas no decorrer dos nossos quase 300 000 anos, foram, na era atual, identificadas pela cultura africana yorubá e denominadas “Orixás”.

O trabalho com a Ayahuasca, conforme o concebemos, é o processo mais eficiente para quem busca, através do Divino dentro de si, o acesso aos mundos interiores e também às dimensões mais elevadas do que os limites tridimensionais da nossa atual existência.

No entanto, cabe a ressalva de que o uso das Plantas Sagradas - como todas as medicinas na infinita diversidade do nosso Planeta - não é adequado a todas as pessoas, dependendo de uma afinidade física, psíquica e espiritual.

É um caminho para corajosos e responsáveis que se empenham em emprestar um sentido maior as suas existências, através do aprimoramento individual em termos de aprendizado e evolução, para ter uma missão cumprida a apresentar quando seu tempo aqui na Escola Terra se “esgotar”.

quarta-feira, 7 de setembro de 2011

ALIMENTAÇÃO VIVA - controvérsias

Uma das mais populares tendências junto aqueles que pretendem uma maior qualidade de alimentação é o Crudivorismo – a dieta composta exclusivamente de frutas, folhas, raízes e grãos crus, na convicção de que o fogo mata os nutrientes e que o corpo humano só estaria verdadeiramente adaptado a consumir os alimentos da forma como a natureza os fornece – assim como o fazem os animais.

Se, por um lado, a chamada “alimentação viva”, ou seja, de alimentos não-cozidos, vem conquistando cada vez mais adeptos, esta inovação vem suscitando controvérsias, inclusive do antropólogo Richard Wrangham, professor da Universidade de Harvard.
Ele sustenta que o hábito de cozinhar os alimentos remonta a 1,8 milhão de anos, época em que o homo erectus surgiu na África, e que graças justamente a esse hábito, pudemos nos tornar “humanos”. Segundo ele, no cozimento dos alimentos reside o segredo da nossa evolução.
Analisando os cardápios dos esquimós do norte do Canadá, dos kalahari africanos e dos aborígenes australianos, concluiu que não há registros de povos que tenham uma dieta inteiramente crua. O cozimento da refeição esquimó do final do dia foi objeto de estudo na Universidade de Oxford e a conclusão foi que viver de uma dieta inteiramente crua resultaria na perda de peso e deficiência crônica de energia.
Alimentos cozidos são digeridos mais facilmente , já que o organismo gasta menos energia para quebrar suas moléculas. Estudos sobre o amido cozido presente na aveia, no trigo, nas batatas e no pão, revelaram que 95% dele é digerido pelo corpo humano, enquanto que no cru a taxa cai pela metade.
Pesquisas do Dr. Wrangham junto a grupos crudívoros demonstraram que a proporção de alimentos crus diminui o índice de massa (relação entre peso e altura de uma pessoa), indicando talvez que os alimentos crus não proporcionem a quantidade suficiente de calorias para manter um corpo saudável.
Um estudo realizado com 513 pessoas, na Alemanha, comprovou que, além de perderem em média 10 kg quando passavam da dieta cozida para a crua, quase um terço das pessoas apresentava deficiência crônica de energia. 50% das mulheres pararam de menstruar e os homens apresentaram disfunções sexuais – o que, se não alterar objetivos pessoais, pode ser comprometedor para a manutenção da própria espécie humana.
Segundo o mito grego, o fogo nos foi concedido por Prometeus, após roubá-lo de Zeus.
Não há consenso sobre a data exata em que os humanos começaram a controlar o fogo, mas certa é a sua sacralidade atávica, em todas as civilizações da Terra, quando guardiões cuidavam para que não se extinguisse.
Presente dos deuses ou não, significou a maior conquista da humanidade, passo decisivo na nossa sobrevivência e evolução. Graças a ele os primeiros hominídeos puderam se defender de predadores e manter o calor necessário para a preservação da vida, além de forjar instrumentos para extensão da mão, que permitiram o desenvolvimento da agricultura e possibilitaram todo o avanço tecnológico que nos preservou a vida e nos transformou no que somos: criadores e destruidores.
O cozimento dos alimentos por parte dos nossos ancestrais, alem de conservá-los por mais tempo ( numa situação difícil e incerta, em que a comida não se encontrava à disposição nos supermercados ) também matava parasitas e outras bactérias que poderiam ser nocivas. Vale ressaltar também que sem a fervura da água, certamente não teríamos sobrevivido.
O cozimento tornou a digestão mais fácil, diminuindo também o tamanho dos maxilares, estômagos e intestinos.
Além disso, tudo indica que o cozimento estaria diretamente ligado ao desenvolvimento do neocórtex próprio do homo sapiens sapiens. Segundo Wrangham, a alimentação cozida produziu crescimento na caixa craniana dos habilinos (um tipo de símio) e esse fator teria também levado ao aparecimento do homo erectus – nosso antecessor -, com o aumento do cérebro em cerca de 40%. Devido a dieta cozida, o cérebro teria crescido de 870 cm³ até a caixa craniana atual, de aproximadamente 1 400 cm³.
Então, a arte, a filosofia e toda a contribuição científica e tecnológica que nos tornaram o que somos, só foram possíveis devido a esse crescimento de massa cerebral, decorrente da dieta cozida.
A questão está lançada e o debate está aberto.