Artigos de Eliane Haas. Externsão do site WWW.aguiadourada.com Este espaço se destina ao estudo e intercâmbio de idéias voltadas para a Espiritualidade na Nova Terra. (Os artigos de Eliane Haas estão protegidos e sua divulgação requer autorização da autora.)
Se na África ocidental a divindade Orunmilá ofereceu um conjunto de 256 caminhos desdobrados em várias vezes mais possibilidades de aconselhamento, no Egito helenístico, Hermes era tido como o autor de um conjunto de textos sagrados, ditos "herméticos", contendo ensinamentos sobre artes, ciências e religião e filosofia - o Corpus Hermeticum - cujo propósito seria o esclarecimento da humanidade através da sabedoria Divina. Hermes Trismegisto (Hermes, o três vezes grande) é o nome dado pelos neoplatônicos, místicos e alquimistas ao deus egípcio Thot (ou Tehuti), que na nossa tradição africana é Orunmilá, conhecido como Ifá.
Simbolizando a lógica organizada do Universo, é o deus do verbo e da sabedoria.
A filosofia hermética compreende 7 Leis, cuja primeira é o Principio do Mentalismo - o Todo é Mente - o Universo é Mental. Este Princípio concebe tudo como Mental, ou seja, que o Todo é uma inteligência incognoscível e indefinível em si mesma, podendo ser considerado como uma mente infinita e universal. Estabelecendo a Natureza Mental do Universo, explica a verdadeira natureza da Força, da Energia e da Matéria, como e porque elas são subordinadas ao Domínio da Mente Universal.O Universo funciona como uma super Mente que 'pensa' tudo que existe. É o Todo. Toda a emanação se iniciou como uma ideia da Mente Divina que continuaria a viver, a mover-se e a existir no que denominamos Divina Consciência.
A matéria se equivale aos neurônios de uma Mente infinita, um Universo Inteligente que 'pensa' e detem a totalidade de todo conhecimento. Por sua vez, o nosso limitado conhecimento flui e reflui desta Mente, já que Nela tudo se interliga. Não se trata, neste caso, de suposição mística, pois esta noção de "teia" interpenetrando o Universo manifestado vem sendo corroborada pela Física e até prevista na Teoria das Supercordas.
Enquanto as religiões ocidentais do ramo judaico-cristão fundamentam sua fé em rogos e promessas a Deus e santos / entidades à fim de obterem proteção e a satisfação de seus desejos, Ifá - talvez a religião mais antiga da Terra, já que a ciência concluiu que o homo sapiens teria surgido na África - baseia-se numa concepção praticada hoje pela moderna psicologia.
Atualmente os livros de auto-ajuda fundamentam-se na premissa de que assim como o sucesso é o resultado de uma soma de pensamentos positivos, assim como escolhas acertadas e disciplinadas durante um longo período de tempo, o fracasso é o resultado inevitável de um acúmulo de pensamentos e escolhas inadequadas que fizemos.
Um casamento mal sucedido, a falência de uma empresa, problemas no trabalho, a doença que se "faz" - nada ocorre repentinamente ou é fruto de uma eventual má sorte. Lògicamente existem predisposições e pré requisitos, mas o fator livre-arbítrio é relevante, inclusive perante o desafio de avaliarmos com lucidez nossos limites, medos, inseguranças e conseqências a longo prazo.
Segundo os ensinamentos de Ifá, nenhuma Divindade ou entidade externa apoia mais o ser humano do que o seu "Ori", ou seja, a sua própria mente. As rezas ao Ori dizem que "nosso Ori sobreviverá com o seu próprio axé (energia). Tudo o que queremos para a nossa vida, é ao Ori que devemos pedir, pois ele é o criador de tudo na nossa vida. É quem faz tudo acontecer e pode mudar o nosso destino.
Ori é tão soberano e seu livre-arbítrio tão sagrado que até os Orixás - energias divinas que propiciam a nossa existência em matéria - não interferem, se esta não for a sua real vontade. Ori está, portanto, acima dos Orixás e nenhum deles, nem mesmo Olodumare ( Deus Supremo Universal ) atenderá um pedido do ser humano que não tenha sido autorizado pelo seu Ori. Aqui vemos claramente o conflito entre o consciente e o inconsciente.
Como os ensinamentos de Ifá são totalmente baseados na sua literatura, conta o mito que:
Orixás e Ancestrais s
e rebelaram, querendo obter os poderes e a sabedoria de Olodumare. Como mensageiro desta reivindicação nomearam Exu, que as transmitiu a Olodumare. Este lhes enviou um obi (noz de cola, portadora da Vida) e, Orixás e Ancestrais deveriam tentar parti-lo para provar o seu poder.
Ori era apenas uma pequena bola, sem corpo para se apoiar e ninguém o respeitava. Para conseguir partir o obi, procurou Orunmilá, Pai do segredo de Ifá, que o aconselhou a fazer uma oferenda para os Odus (caminhos do Destino), à fim de obter a força de cada um deles. Além disso, deveria espojar-se na terra.
No dia seguinte todos tentaram, sem sucesso, partir o obi. Quando Ori se apresentou , como última opção, deixaram-no tentar. Com seu peso, caiu sobre o obi, que se partiu. Todos ficaram muito felizes.
Olodumare, ao receber a notícia, imediatamente enviou uma linda almofada, onde Ori se instalou. Dessa forma, Ori ganhou um corpo para sustentá-lo. À partir deste momento, Ori nasceu. Passou a ser dotado de Iwa - a existência - concedida por Olodumare, como prêmio por ter sido o único a conseguir partir o fruto-ventre.
Com o advento de uma Era que revela "tudo o que estava oculto", a profundidade e a sabedoria dos ensinamentos de Ifá - à luz da psicologia e da física - surpreendem a todos, obrigando a uma revisão de valores, principalmente junto àqueles que classificavam a espiritualidade e práticas religiosas das etnias negras como supersticiosas e atrasadas.
As Jornadas Neo Xamânicas na linha da Ayahuasca do Céu da Águia Dourada trabalham especialmente com o Ori e seus mistérios. À título de ilustração, observemos a letra da minha Cantiga de Poder :
"Aqui saúdo e invoco a Luz da minha Mente,
que me conduz e faz de mim um vencedor,
que me auxilie a construir um bom destino
germinando esta semente do Divino Criador.
Força da Mente eu convoco e vou pedir:
que ilumine as profundezas do meu Ser.
Me dê coragem, equilíbrio e clareza
pois mesmo que doa muito, não quero deixar de ver.
Meu Pai comanda o Império Celestial
e minha Mãe reina no ar, n'água e na terra.
Que me permitam esta herança cultivar
superando desafios o seu tesouro conquistar.
Este tesouro é assegurar a eternidade
sem que no nada um dia eu vá me dissipar.
À minha Mente cabe sempre discernir
pra no fim desta existência eu ter o que apresentar".
Apesar de, a cada instante haver, disseminados por todos os lugares, milhões de seres padecendo sob todas as formas de miséria e desespero, a forma mais eficaz de oferecer-lhes auxílio efetivo, consiste no envio de pensamentos salutares de regeneração a nossa Mãe Terra, sem dirigi-los a objetivos específicos por nós escolhidos.
Há, nos planos internos da Vida, uma Hierarquia Espiritual que atrai magnèticamente, recolhe e conduz essas energias positivas, encontrando o destino adequado para as emanações destes pensamentos, da oração e da mentalização de uns poucos seres devotados ao serviço espiritual e silencioso. Assim, essas energias são canalizadas para onde se fazem mais necessárias, sob a forma de impulsos restauradores.
Essas formas-pensamento inteligentes, altruístas e construtivas, ainda que pouco numerosas, são mais eficientes que todo o montante das demais, egocêntricas e desconectadas da realidade, que poluem ininterruptamente a aura da Terra.
A base do trabalho da Hierarquia de Luz do Governo Oculto do planeta não é uma localidade geográfica, mas um ponto de convergência vibratória dessas emissões que, nos momentos cruciais, auxiliam a humanidade e os pequenos seres dos outros reinos da natureza.
Produzindo essas mentalizações higienizadoras sem nos deixar, também no dia a dia, contaminar por esses padrões involutivos, estaremos prestando a melhor ajuda nos momentos caóticos que vivemos atualmente. Outros auxílios, práticos e materiais, também podem ser oportunos, mas nem sempre tão eficientes como este mais sutil, que vai realmente ao encontro ao cerne da necessidade real, sem poder acabar sendo desviado pelo egoísmo dos canais oportunistas.
Essas energias mentais de padrão superior convergentes elevam a capacidade de regeneração do planeta, detendo um pouco as forças involutivas que progridem em todos os níveis. Através disso, todos aqueles que com este padrão superior se sintonizam, podem estar a salvo das catástrofes maiores, nos âmbitos cármicos pessoal e coletivo.
No período anterior aos dois últimos milênios, grande parte das civilizações desde a Ásia, passando pelo Egito, todo o Mediterrâneo, Europa, até a atual América do Norte, festejava o novo ciclo do Sol como sendo o acontecimento mais importante da Terra. O chamado solstício de inverno (no hemisfério norte) acontece anualmente no período que varia entre 17 e 25 de dezembro, dependendo do ciclo solar de cada ano, quando o sol ingressa no signo de capricórnio.
Nas arcaicas culturas solares, o solstício de inverno, marcando a mais longa noite e o mais curto dia do ano - a partir de quando a duração do dia começa a aumentar - simbolizava o início da vitória da luz sobre a escuridão.
A mitologia hindu-iraniana fala do Sol como “sol vencedor” e, representando a Luz, era associado ao deus Mitra. Representava também o bem e a libertação da matéria. Junto aos persas, Mitra nasce como filho de Ahura-Mazda, Deus do Bem, segundo as imagens dos templos e os escassos testemunhos escritos que não foram queimados. O culto era celebrado em grutas sagradas e após a vitória de Alexandre sobre os persas, o culto a Mitra se propagou por todo o mundo grego.
A partir do século II, o Mitraismo passa a ser um dos cultos mais importantes no Império Romano, que o incorporou como “sol invictus” e em sua honra, numerosos santuários foram construídos, a maior parte em câmaras subterrâneas.
No ano de 336 o Cristianismo foi decretado religião oficial de Roma, tornando todas as outras ilegais. Se até então, Roma era uma potência mais preocupada com o recolhimento de impostos nos territórios ocupados, deixando que os povos praticassem livremente as respectivas religiões, com o imperador Constantino tornou-se um império religioso, sediando a Igreja Católica Apostólica Romana.
Como o nascimento de Mitra era celebrado em 25 de dezembro, a Igreja Cristã, com a intenção de abolir os cultos pagãos - e como não houvessem registros oficiais sobre o nascimento de Jesus - passou a adotar a data de comemoração do “sol vencedor” como o dia do seu nascimento.
Assim, as celebrações do nascimento do Sol, o filho da Luz, esvaziaram-se do seu real significado e foram substituídas pela festa que receberia o nome de Natal, coincidindo com o solstício de inverno no hemisfério norte.
Tomando por molde os significados místicos e mitologias sagradas legadas pelas antigas civilizações, os diversos Concílios construiram as bases de sustentação para o que hoje se conhece
por Cristianismo.
Incorporando essas tradições milenares, possibilitou que fossem adotados os hoje conhecidos relatos sobre o nascimento virginal numa caverna, vida repleta de milagres, morte e ressurreição da sua divindade principal.
A simbologia do nascimento da Luz na sempre Virgem Mãe Terra, dos Seres Divinos que junto a nós operavam curas e milagres foram recolhidas e readaptadas com o intuito de escrever a sua própria história, formatando uma nova religião, que deveria ser única para todo o Império – e, quiçá, para o mundo inteiro.
Desta forma, a data de 25 de dezembro, destituída do seu simbolismo milenar, passou a assinalar a comemoração máxima do mundo cristão.
A tradição esotérica relata que na Atlântida os cristais eram utilizados para canalizar energia cósmica, com diversas finalidades; desde curas, até o arquivamento de informações. Seria o meio mais seguro de arquivá-las, uma vez que tinham conhecimento da magnitude das alterações físicas que o planeta sofreria. Um exemplo enigmático desta prática, seriam os famosos Crânios de Cristal encontrados em diversos continentes. Quase nada foi esclarecido sobre esse enigma e sequer se sabe se relamente são provenientes de Atlântida ou teriam origem extraterrestre. Shirley MacLaine relata no seu livro “Em Busca do Eu” a forte experiência que teve em contato com um desses crânios.
Poseidonis teria submergido com o grande cristal do seu templo principal, hoje no fundo do mar do Caribe ainda marcaria um portal interdimensional conhecido como Triângulo das Bermudas.
Imigrantes atlantes teriam levado o conhecimento sobre cristais às colônias do Egito e América. As pirâmides construídas pelos povos dessas regiões reproduzem a estrutura molecular e ângulos dos cristais de quartzo. A forma das pirâmides tinha a intenção de canalizar energia cósmica para a superfície da Terra. A pirâmide de Keops seria originalmente encimada por um vértice de gigantesco cristal, que ampliava a energia captada.
Na Grécia clássica usavam-se banhos terapêuticos de imersão em cristais. Cristais sempre foram usados como talismãs pelos antigos reis não só do Oriente Médio como da Índia.
Dentre as etnias da América do Norte velhos xamãs usavam cristal de quartzo como instrumento auxiliar da “visão” para aconselhamento. Segundo uma lenda Maia, “toda pessoa que levar uma vida voltada para o Bem, ao morrer terá o direito de ter sua alma guardada num cristal. E esse cristal passaria a ter o poder de curar e guiar quem o encontrasse.”
Os parapsicólogos asseguram que tudo que é revelado pelos cristais provém da nossa própria mente, onde se encontra retido todo o conhecimento ancestral, aguardando para ser revelado. De toda forma, trata-se de uma ferramenta potente, capaz de acelerar tal processo.
O quartzo é composto de dióxido de silício, ou seja, um átomo de silício ligado a dois átomos de oxigênio. No quartzo esta ligação é feita através de triângulos equiláteros perfeitos que formam uma pirâmide com base e sobem em espiral pelo corpo do cristal até a sua ponta. Essa estrutura molecular forma um sólido com seis lados, ângulo de 120* entre cada lado adjacente e lados opostos sempre paralelos uns aos outros. Sua organização em espiral segue a mesma proporção matemática da Série Fibonacci encontrada na espiral do DNA da célula, na estrela do mar, no miolo do girassol e nas galáxias espirais ( como a nossa Via Láctea).
É sabido que os cristais possuem propriedades óticas e elétricas que os torna excepcionalmente úteis, dependendo da sua estrutura, do tipo de ligações e das impurezas (presença de átomos de outras substâncias) e defeitos na malha cristalina (posicionamento da malha durante a cristalização) de que eventualmente padeçam. Esses defeitos conferem características particulares aos cristais, estando na base de muitas tecnologias. São defeitos na malha cristalina do silício, induzidas, por exemplo, pela presença átomos de germânio ou gálio, que permitem o aparecimento de semicondutores - a base da atual tecnologia eletrônica.
Os efeitos mais conhecidos da estrutura cristalina são os piezoelétricos, que estão na base dos relógios de quartzo e das balanças digitais, os ferroelétricos utilizados em detectores diversos e o piroelétrico, usado em detectores de calor, termômetros e na formação de semicondutores, base de toda eletrônica dos transistores e dos diodos dos computadores.
O efeito piezoelétrico é muito interessante porque quando ondas de pressão mecânica ou sonoras interagem com a matriz cristalina, impulsos elétricos são estimulados. Inversamente, quando impulsos oscilatórios interagem com o cristal, correspondentes oscilações mecânicas ocorrem nele. Portanto, se uma energia mecânica é aplicada no cristal, ele emite luz / eletricidade. Se enviarmos eletricidade ao interior do cristal, resultará em energia mecânica / vibração.Se aplicarmos energia térmica, também será produzida vibração elétrica.
É importante observar que a energia absorvida pelo cristal nunca é a mesma que será emitida por ele. A energia é sempre transformada.
Outras propriedades dos cristais estão na supercondutividade a altas temperaturas, que leva a crescentes desenvolvimentos no campo da física da matéria condensada. Cada elétron em movimento produz um campo de força, um fluxo regular de energia que se move por toda estrutura do cristal.
Os chips de memória dos computadores são feitos de um dos integrantes do cristal – o silício – também presente no corpo humano.
Diante de todas essas curiosas características, não seria tão estranho constatar que as civilizações antigas que alcançaram altíssimos níveis de conhecimento, conferissem tamanha importância a utilização de cristais para equilibrar a energia humana. As técnicas de utilização mantiveram-se pràticamente esquecidas até o alvorecer da Era de Aquário, quando o Mestre Saint Germain achou por bem resgatar todo esse conhecimento, trazendo a público a utilização de cristais e pedras preciosas.
O Céu da Águia Dourada, como Casa voltada para um Neo Xamanismo com os recursos da Era de Aquário, incluiu a utilização de cristais nas suas práticas meditativas, no sentido de equilibrar os corpos e desenvolver poderes latentes astrais e extra-sensoriais – sempre associados, naturalmente, ao nosso instrumento primordial, que é a Ayahuasca.
Freqüentemente recebo mensagens indagando qual seria, na minha opinião, a orientação para uma formação espiritual básica que proporcione o necessário discernimento, diante da enorme quantidade de bibliografia específica de que dispomos neste limiar do séc. XXI.
Desde que comecei, a partir dos onze anos de idade, a indagar sobre o porquê da nossa vida neste planeta, nossa origem, destino e o que estaria por trás da imensidão do cosmos, passei a ler àvidamente sobre a história das religiões, interessada principalmente nos seus aspectos esotéricos.
Numa época em que ficávamos restritos a umas poucas obras, a maioria em espanhol, pude encontrar na biblioteca do meu avô vários livros sobre Ocultismo, Alquimia e Cabalá. Anos depois, filiei-me à Ordem Rosacruz (AMORC) e estudei Raja Yoga com Caio Miranda.
Tendo acesso à obra de Helena Blavatsky - que, apesar de já ultrapassar um século, permanece atual e insuperável - pude usufruir de uma formação séria e bastante consistente.
Apesar de dispormos atualmente de uma profusão de publicações, a relevância dos estudos de Blavatsky é o prumo seguro para uma avaliação acurada das tantas linhas que levam a práticas arbitrárias e sem fundamento, na maioria das vezes frutos de imaginação delirante que, infelizmente, ostentam como salvo-conduto o rótulo da “Nova Era” como se fosse um selo de garantia.
A Teosofia
θεοσοφία (Theosophia) é a Sabedoria dos Deuses, como θεογονία (Theogonia) é a Genealogia dos Deuses. A palavra θεός, em grego significa um Deus, um dos Seres Divinos, e de modo algum "Deus", no sentido que o monoteísmo confere ao termo.
O nome Teosofia aparece no séc. III da nossa era, usado por Amonio Saccas, fundador da Escola Eclética de Alexandria e pai do Neoplatonismo, mas já era conhecido antes da Dinastia Ptolomaica, formulada por um certo hierofante de nome Pot Amun. Na Idade Media Jacob Boehme era tido como teósofo e na filosofia hindu já era conhecida como Brahma-Vidya, ou seja, Ciência Divina. A partir da fundação da Sociedade Teosófica por Helena Blavatsky, a ela ficou associada.
Na verdade a Teosofia não se identifica com quaisquer culturas religiosas específicas, mas com a fonte original do conhecimento Divino que verte em uma determinada cultura através da simbologia e dos mitos e arquétipos próprios, assimilando assim os conceitos. Assim foi no Egito, na Grécia, na Suméria, na Babilônia, em todas as culturas, demonstrando assim que a Teosofia é uma sabedoria única que se manifesta por diversas fontes, em roupagens diversas.
Blavatsky valeu-se de uma grande quantidade de elementos do Hinduismo, utilizando terminologia baseadoa no sânscrito e popularizando no ocidente conceitos como Maya (ilusão), Dharma (caminho) e Karma (lei de causa e efeito) . Embora o seu conceito de reencarnação seja diferente do da Doutrina Espírita, não caracteriza a Teosofia como uma filosofia oriental, pois referências a outras culturas e sistemas, como o Budismo, oTao, a Cabalá, ou o Hermetismo caracterizam-na como universal.
A Teosofia prega ideais de fraternidade universal, a origem espiritual das formas e dos seres e sua evolução e a unidade de toda a Vida, proveniente de uma fonte única e eterna, estudando as suas transformações ao longo das eras.
Helena Petrovna Blavatsky (1831/1891)
Nascida em Yekaterinoslav, na atual Ucrânia, empreendeu, ainda jovem, longas viagens principalmente pelo oriente em busca de conhecimento filosófico, espiritual e esotérico, entrando em contato com vários mestres de sabedoria.
Deles tornou-se discípula, realizando vários rituais de iniciação que desenvolveram seus poderes espirituais.
Numa das suas incontáveis viagens pela Europa, norte da África, Mediterrâneo, Cáucaso, Oriente Médio e Extremo Oriente, foi iniciada no Budismo Tibetano pelo Mestre Koot Humi, em Shigatsé, onde permaneceu por três anos.
Segundo consta, encontrou-se com o Mestre Morya em Londres, por ocasião do seu vigésimo aniversário. O Mestre era um príncipe Rajput que integrava uma missão diplomática na Inglaterra e Blavatsky reconheceu-o de visões e sonhos que tinha desde a infância.
A partir de 1873, seguiu instruções dos seus Mestres, estabelecendo-se nos Estados Unidos, onde em pouco tempo se tornou uma figura tão celebrada quanto polêmica. Exibiu seus poderes psíquicos para grande número de pessoas, deslumbrando a muitos e, como não poderia deixar de ser, despertando o ceticismo em outros, que não raro a acusaram de embuste. Lá estabeleceu um duradouro vínculo de trabalho com Henry Olcott, com quem, mediante instrução do mestre Morya, fundou a Sociedade Teosófica.
A principio tinha por objetivo principal investigar os fenômenos espíritas, pois na época floresciam as mesas falantes e toda sorte de truques que, na penumbra, pretendiam confirmar supostos fenômenos de materialização de mortos. Mas a intenção principal sempre foi o estudo comparativo das antigas tradições religiosas e o desenvolvimento de poderes latentes no ser humano.
Em 1877 publicou sua primeira obra importante, “Isis sem Véu” e, à partir daí, começou a atrair atenção internacional, devido à qualidade e novidade dos seus escritos, aglutinando em torno de si parte da intelectualidade novaiorquina.
Pouco depois transferiram a sede da Sociedade para a Índia, onde permanece.
De volta à Europa em 1884, continuou escrevendo e divulgando a Teosofia através de artigos e publicou a sua obra mais importante, “A Doutrina Secreta”.
Seus últimos anos de vida foram difíceis, com muitas doenças, querelas e polêmicas, uma vez que não se enquadrava nas mentalidades das teologias tradicionais e abalou os alicerces de quase todas as religiões estabelecidas. Só por afirmar que não há religião certa ou errada e que todas, em essência, são iguais, já foi uma motivo para angariar inimigos ferrenhos.
Seu lema para a Sociedade teosófica passou a ser : “Não há religião superior à Verdade”.
Dedicou-se intensamente a atividade literária, dando impulso a Sociedade Teosófica e ultimando a finalização da Doutrina Secreta, após fixar-se em Londres, à partir de 1887, até o ano de sua morte, em 1891.
Blavatsky surgiu em um momento histórico em que as religiões, com suas posições retrógradas e incapacidade para explicar as questões fundamentais da Vida e da Natureza, estavam desacreditadas em decorrência do progresso científico e tecnológico.
Da mesma forma que no atual momento, na época surgiam várias escolas de pensamento esotérico ou alternativo, a maioria delas – como hoje - com base conceitual fraca, baseadas na intuição ou em dotes paranormais autoproclamados e questionáveis.
Cabe ressaltar que foi Blavatsky a primeira escritora a mencionar os Mestres da Grande Fraternidade Branca, hoje tão em voga e tão deturpados por um tipo de familiaridade que lhes atribui a “canalização” de uma quantidade de textos de qualidade duvidosa.
Sem a intenção de fundar uma nova religião ou reivindicar infalibilidade, ela jamais cobrou para si a propriedade autoral dos ensinamentos que divulgou. Pelo contrário, atribuiu o imenso conhecimento das fontes citadas aos Mestre Ascencionados Morya e Koot Humi, que lhe ditavam os textos através do método tulku, que não é psicografia. Requer que o mediador tenha passado por treinamento especial onde suas capacidades psíquicas são disciplinadas e atuam através de uma mediação ativa e consciente. Enquanto que a mediunidade é praticada com entidades desencarnadas, no tulku as mensagens provem de pessoas encarnadas, embora ausentes em corpo físico.
Diante da magnitude da obra e o curto tempo de uma vida de 59 anos é concebível que tenham realmente ocorrido essas transferências de consciência.
Blavatsky apresentou ao mundo ocidental uma síntese das inúmeras fontes filosóficas, científicas e religiosas, especialmente do oriente, organizando-as em um corpo de conhecimento estruturado, lógico e coerente, compondo uma visão grandiosa e positiva do Universo, da Terra e seus habitantes.
Reafirmou o Divino, abrindo diálogo com as ciências, combatendo o dogmatismo e a superstição, a intolerância e o preconceito, incentivando a pesquisa e o pensamento independente.
Atacou tanto o materialismo e ceticismo arrogantes da Ciência, como a fé cega e robotizada das religiões que exigem crença dogmática, sem questionamento.
Assim, a Teosofia se tornou, apesar das contestações e ataques, um muito bem sucedido sistema de pensamento eclético, estabelecendo uma ponte entre a Sabedoria Arcaica e o Pragmatismo Moderno, influenciando várias gerações de estudiosos não engajados e buscadores das verdades não censuradas que, sem se aterem a crendices infundadas, estão sempre dispostos a rever suas posições.