ELIANE HAAS

ELIANE HAAS

Todas as matérias podem ser veiculadas, desde que citada a fonte.

segunda-feira, 6 de maio de 2013

UMA NOVA CONSCIÊNCIA É POSSÍVEL

Inseridos no paradigma da Nova Consciência, não pleiteamos revolucionar ou esperamos que ocorra um abalo nas estruturas da sociedade, forçando uma mentalidade para a qual a maioria não está preparada. No entanto, estaremos alinhados com todo aquele que estiver pronto para “encarnar” essa nova Visão. Uma visão que gera cada vez mais sincronicidades e interessantes oportunidades de crescimento espiritual.
Atualmente, a Física enuncia muitas teorias em conformidade com os conceitos do Budismo, do Hinduísmo, do Tao, de Ifá. Um Universo onde o campo quântico de energia abrange a matéria e a forma, numa teia de energias interligadas.
Esse campo quântico faz com que passemos, dentro da Espiritualidade, a desconsiderar a matéria densa da dimensão tridimensional, cientes de que os espaços interatômicos são plenos da energia que faz com que possamos interagir e nos influenciar mùtuamente.



Conforme mencionado no artigo anterior, se somos parte de um Universo inteligente que nos responde e no qual a energia de outras pessoas nos influencia, é vital que cuidemos do ambiente onde nos inserimos, observemos cuidadosamente as pessoas com as quais interagimos e principalmente o tipo de sentimento / emoção que difundimos – pois tudo acaba, invariàvelmente, reverberando na nossa direção.



O grande desafio de se viver a Nova Consciência é aplicar na prática cotidiana o conceito de que concedemos “poder” a tudo ou todos aqueles aos quais dirigimos nossa atenção. Cientes de que estaremos concedendo poder a alguém ou a alguma situação perante aos quais nos sentimos ofendidos. Sempre que nos sentimos ameaçados por alguém, estamos permitindo que nossa energia seja sugada. Entramos em sintonia, positiva ou negativa, de acordo com as emoções que direcionamos aos outros. Cabe salientar a inutilidade e principalmente efeito nocivo de nos deixarmos levar por sentimentos ou emoções que não sejam condizentes com a nossa missão de vida, o nosso propósito evolutivo na atual reencarnação na Terra. Essa sintonia nos coloca na mesma gama vibratória de tudo aquilo que queremos evitar e conduz a um retrocesso nos nossos melhores propósitos.



Nesse contexto, a importância da nossa sagrada Planta de Poder, a Ayahuasca, no trabalho de conscientização e autoconhecimento que realizamos no Céu da Águia Dourada, é primordial.
Para nós, a Ayahuasca é um aliado, um possante instrumento facilitador para que identifiquemos todos os entraves, dissimulações, conflitos e atritos.que venham dificultar ou desviar o foco do nosso propósito primordial, que é o trabalho do Eu.

Existem, òbviamente, muitos outros recursos, mas independente do meio utilizado, a Nova Consciência demanda responsabilidade total pelo nosso êxito ou pelo nosso fracasso. Por isso, não faz parte da mentalidade desta nova Visão, barganhar ou pedir aos Seres Divinos que realizem – à título de “caridade” – tarefas que nos cabem, decorrentes de ações por nós provocadas. Tampouco que superem por nós os desafios que exigem o nosso próprio esforço e resultarão em valioso aprendizado.



Esforço e sacrifício são as tônicas da evolução em todos os âmbitos. Não basta simpatizar com a Era de Aquário, canalizar belas mensagens, acreditar que está viajando em dimensões paralelas num mundo iluminado e harmônico, usufruindo da companhia de Arcanjos e Mestres Ascensionados.
Pior ainda, se achar “bom demais” para estar aqui nesse plano, que estaria aqui “por engano”, ou que se encontra na missão especial de “guiar” os outros, impondo como verdade absoluta o seu modo de ver e viver. A Liberdade é a regra de ouro do Novo Tempo e cada um evolui segundo seu ritmo próprio, percorrendo o seu roteiro individual. Conversões forçadas e “salvações” já legaram um rastro de sangue e dor nos últimos milênios da nossa História.

Quem quiser se inserir no Novo Tempo da Consciência que transcende a estreiteza tridimensional dessa Era de inconsciência e separação, coloca-se diante da tarefa cotidiana de procurar se sintonizar apenas com as energias de sentimentos positivos, afastando todo pensamento que possa nos conectar com aquilo que pretendemos “deixar para trás”.
Não há como deixar de trabalhar esse aspecto de controle e vigilância mentais. Seria uma ilusão perigosa, pensar que se pode saltar etapas e acessar as mais altas esferas vibratórias, quando abrigamos ainda tantas mazelas psíquicas e resta tanto trabalho interno a ser realizado no plano tridimensional em que nos encontramos, todos nós encarnados em matéria densa.
Só fazendo resplandecer a própria Luz nos recônditos mais sombrios do nosso Ser, podemos empreender a viagem rumo ao Eterno Infinito Cósmico.

quinta-feira, 28 de março de 2013

A NOVA CONSCIÊNCIA E O CÉU DA ÁGUIA DOURADA



Um dos documentários mais populares na intenção de difundir a mentalidade da Era de Aquário foi “O Segredo”, formulando verdades de uma forma um pouco destorcida, quase que oferecendo uma espécie de varinha de condão que tudo transforma e sonhos realiza.



Desde que o trabalho de Einstein fez desabar o Universo mecanicista, começou-se a pressentir a realidade de um Universo inteligente, cujas partículas elementares reagem até ao pensamento – que é energia.  O físico Heisenberg, no início do século XX, já supunha que o ato da observação e da intenção afetavam diretamente o comportamento e a existência dessas partículas. Mais tarde, John Bell demonstrou com seu famoso teorema que “as entidades atômicas, uma vez conectadas, assim permanecem”. Hoje em dia, com a teoria das supercordas, já concebemos um Universo de múltiplas dimensões, reduzindo a pura vibração a matéria nas suas diversas formas.




Se o filme “O Segredo” é simplório e exagera um pouco quanto ao resultado concreto das suas afirmações, não está totalmente errado. De acordo com a física moderna, por trás das aparências do nosso mundo há, de fato, uma teia de relações de energias que se interligam.

Segundo o biólogo Rupert Sheldrake, as formas biológicas são criadas e sustentadas através de campos morfogênicos que estão sempre evoluindo e se transformando para criar determinada forma de Vida. Cada geração é estruturada por ele, acompanhando suas mudanças, à medida que ele responde as demandas do meio. Isso explicaria a evolução social dos seres humanos, saltando etapas em conjunto, rumo a realização de mais um degrau no seu potencial . Por isso, invenções e descobertas não raro ocorrem simultaneamente através de indivíduos sem contato entre si.

Podemos observar na História um nível de capacidade e de consciência coletiva que definimos como campo morfogênico comum, embora outras mentalidades recessivas dele compartilhem, da mesma forma que, por ex., neandertal e homo sapiens sapiens um dia coabitaram.

Então, o campo morfogênico que atualmente impulsiona a nossa geração, demanda uma Nova Consciência, ciente de que no Universo estamos todos intimamente ligados uns aos outros e que a influência dos nossos pensamentos, transcendendo os limites de tempo e espaço, é muito mais poderosa do que se poderia supor.

No entanto esse pensamento, para reverberar e se manifestar no âmbito material, deve estar em consonância com a Suprema Lei Universal e não, simplesmente, ter como objetivo satisfazer os seus desejos pessoais (como, conforme o filme, conseguir um bom emprego, possuir um carro de luxo, ter muito dinheiro, etc.).

Se por um lado, o Universo invariavelmente nos responde, é preciso que se mantenha a neutralidade, confiando que o melhor / mais apropriado sempre acontecerá, de acordo com as Leis cármicas universais, que, por sua vez, são moldadas pelas nossas atitudes pessoais e coletivas.



Partindo do fato que o Universo nos responde e que nossa energia pessoal sempre se direciona para onde voltamos a nossa atenção, a nossa prática cotidiana deve estar permanentemente voltada para a intenção positiva de jamais alimentar o negativo, jamais abrir brecha para a poluição mental que possa vir acabar manifestando efeitos indesejados no plano físico.



À medida que nosso Trabalho prossegue, tanto com o auxílio da nossa valiosa Planta de Poder, como principalmente integrando na prática constante (na vigília e no sono) o que Ela nos ensina, podemos galgar um nível de Consciência onde, cada vez mais, enxergamos a autêntica substância no campo energético acima da ilusória matéria sólida.

Nesse patamar, torna-se evidente a irradiação de influências de mão dupla: a maneira como somos influenciados e como também influenciamos as pessoas. Por isso, na nossa atitude e intenção com relação aos outros, é importante estarmos cientes de que nos elevamos quando elevamos os outros e nos rebaixamos quando direcionamos nossa atenção para o que não traduz positividade, perdendo precioso tempo apontando os defeitos dos outros.

O pensamento derrotista da separatividade, a crítica invejosa, as disputas de ego e sobretudo a fofoca “inocente” são o mais nocivo espelho onde o desavisado encontra o abismo sombrio e, muitas vezes, acaba se enredando na derrota da missão de uma encarnação inteira.




 A missão do Céu da Águia Dourada é facilitar a assimilação da Nova Consciência, fornecer subsídios para um melhor entendimento do drama humano e a realização bem-sucedida da nossa trajetória na Existência Eterna.

Nossos Trabalhos foram, nesta última fase, direcionados para a dissolução dos nós que nos aprisionam em círculo vicioso,  para transformar as armadilhas da sombra em oportunidades criativas de ascensão.

 

Como tudo é dinâmico no Universo, nosso 12º ano de atividades vem reafirmar o alinhamento que caracteriza, de forma cada vez mais efetiva, o Céu da Águia Dourada como um verdadeiro pontinho de Luz Divina, pautando a nossa ação em prol da implementação desta Nova Consciência. Uma Nova Consciência que possa traduzir, na prática, o programa da Era de Aquário na Terra.



quarta-feira, 27 de fevereiro de 2013

IFISMO - Os Ensinamentos de Orunmilà (parte 2)

Pelo fato de Ifá e o dele decorrente culto aos Orixás não possuir códigos de conduta do tipo "Dez Mandamentos" formou-se a idéia errônea de que se trata de uma prática amoral de comportamento, que desconhece os conceitos do Bem e do Mal. No entanto, vários Odus - caminhos de aconselhamento de Orunmilà - atestam a importância do bom caráter - denominado Iwà Pèlé - que, invariavelmente, deveria refletir na conduta dos seres humanos.



Ifà exalta a necessidade do controle das emoções onde a paciência, a dignidade, a honestidade, o respeito, devem superar a mentira, o orgulho, a prepotência, a arrogância e a ganância. Não sob ameaça de castigo, mas como consequência da Lei Universal de ação / reação.
O compromisso de se construir um bom caráter é o maior desafio a que somos permanentemente submetidos perante os conflitos e tensões na nossa existência na Terra.
Para Ifà a verdadeira felicidade decorre de se ter Ìwà Pèlé, pois evita confrontos nocivos com os outros seres humanos, resultando num poderoso escudo de proteção, também nas esferas não terrenas. Então podemos dizer que o objetivo principal dos ensinamentos de Ifà é o cultivo do Bom Caráter - o Iwà Pélè. 
Esta seria a essência da Espiritualidade. Tem a ver com coração e não com reputação, pois esta é conferida pela sociedade, é transitória e não habilita ao mérito da eternidade.

O sincretismo religioso criou, reproduzindo o exemplo do Deus judaico-cristão, a falsa idéia de um Orixá que "castiga".
No entanto, reconhecendo o Ori (mente humana) como soberano no seu livre-arbítrio, Ifà aponta todo sofrimento como fruto do desequilíbrio nas atitudes. Eventos favoráveis ou nefastos são a manifestação de energias geradas pelo caráter, ou seja, resposta ao Ori : àquilo que verdadeiramente somos na intimidade e que, por vezes, podemos até mascarar diante de outros ou nós próprios, mas é plenamente conhecida da nossa centelha Divina e do Divino Orixá que nos impulsionou à Vida.
Apesar das regras e sanções religiosas, nossa civilização prioriza cada vez mais os bens materiais, em detrimento de valores reais e eternos, não hesitando em desrespeitar o direito alheio e até da Natureza, na sede de obter "coisas" que não fazem parte da nossa bagagem eterna. Coisas que integram o transitório mundo tridimensional do "ter" e nos desconectam de "ser" o nosso Eu Superior na sua plenitude.


Ifà assinala que o cultivo do bom caráter é saber exercê-lo. Chama atenção do poder ilusório que serve aos interesses pessoais, na crença arrogante de se possuir salvo-conduto para algum privilégio especial. O Odu Ogbe Iwori chega a advertir que honrar demasiadamente o dinheiro, impede ou leva a perda do bom caráter. A fortuna material deveria ser sempre um meio e não um fim.

Quando cultivamos e exercemos Iwà Pèlé atuando com integridade, na verdade estamos armazenando e difundindo boa energia (Asè/Axé) para cumprir da melhor forma o destino que escolhemos mediante desígnio cármico, conquistando um lugar no Universo de Olòdúmarè (Deus Supremo, Fonte da Criação Universal) e sempre agradecendo ao nosso Ori - pois unicamente a ele devemos todas as nossas escolhas.

domingo, 30 de dezembro de 2012

IFISMO - Os Ensinamentos de Orunmilà (parte1)


Os babalawos (detentores dos segredos de Ifá) e demais sacerdotes apoiam seus argumentos em milhares de versos e mitos. Como meus artigos se destinam a informar leigos sobre a filosofia de Ifá / Orunmilá, não teremos a preocupação de citar  fontes.
Trata-se aqui de uma abordagem não tradicional, pois esta já é muito bem divulgada por africanos  familiarizados com o estudo de Ifá desde a mais tenra infância.


Ifá não pretende ser uma filosofia de penetração mundial e muito menos converter ou angariar fiéis. Seu propósito é reunir seus seguidores originais reencarnados na Terra para praticar seus ensinamentos e evoluir na sua jornada, como tantos outros, sob outras denominações e princípios, também o fazem.
Trata-se de uma tradição multi-milenar, se considerarmos a África como um possível berço do homo sapiens e este já estar habitando a Terra há cerca de 300 000 anos. (o sapiens sapiens há 120 000 anos).  Segundo esta tradição esses ensinamentos teriam sido entregues a espécie humana pelos mentores que aqui implantaram e desenvolveram a nossa espécie.

Ifá é quem determina, através do seu vastíssimo corpo literário, o correto procedimento para se lidar com as energias da natureza denominadas Orixás.
Os Orixás são, por sua vez, emanações Divinas que, antes do nosso nascimento em cada encarnação, contribuem com a sua energia para o bom cumprimento da nossa missão na Terra, nos instruindo e orientando sobre probabilidades que possam ocorrer, assim como as atitudes que, para o nosso bem, seria aconselhável tomarmos.
É óbvio que, transpondo o portal do nascimento, tudo isso é esquecido, embora permaneça gravado no nosso inconsciente e emergindo quando  nos conectamos com a centelha Divina em nosso interior.

Eles também podem responder e nos orientar quando consultamos o Oráculo sagrado.
Ifá é o instrumento de comunicação da Divindade Orunmilà, denominado Eleri Ipin – o testemunho da Criação. Aquele que sabe todas as respostas, por ser a Inteligência que retem e transmite os desígnios da Suprema Divindade Universal, Olodumare – de quem emanaram os multi trilhões de galáxias e a quem não ousamos nos dirigir. 
Orunmilà representa a Sabedoria que adveio para ordenar o big bang. É uma espécie de HD universal onde todas as informações estão armazenadas. No entanto, além de receptáculo é um HD inteligente. É a própria Mente do Criador.
Orunmilà se manifesta na Terra através de Ifá, com seus 256 Odus, que são signos inteligentes, padrões de destino.
Cada Odu possui características próprias e, como tudo no Universo manifestado, também aspectos positivos e negativos, vários caminhos e mitos que revelam sua história e particularidades.
Os Odus são os principais delineadores dos destinos humanos e do mundo que os cerca. São agentes cármicos.


Orunmilà responde aos humanos através de Ifà, que, por sua vez, se utiliza dos Odus. Como energias geradoras  dos seres humanos, os Orixás não interferem no destino pré acordado de uma pessoa, mas podem, sim, facilitar a sua bem-sucedida execução.

Para as pessoas acostumadas com filosofias religiosas que lhes impõem rígidas regras de conduta e aos transgressores ameaçam com castigos, Ifà pode parecer não restritivo, amoral e irresponsável, a ponto de “permitir” que cada um se comporte como bem entende. Seus aconselhamentos datam de um tempo ancestral em que, ao invés de proibir e punir, ao ser humano era confiado o direito do livre-arbítrio  e dele se esperava o necessário discernimento. 
Embora Ifà não estabeleça regras de conduta como as religiões de cunho moral o fazem, possui um código ético bem definido, que permeia todos os itan (mitos).
O primeiro Odu que veio ao mundo, Ejiogbe, teve como missão aperfeiçoar o padrão de conduta dos humanos em nome de um ideal construtivo, sempre servindo sem esperar recompensa. Colocou-se contra o caos das confusões, intrigas e trapaças. Aconselha a defesa da Verdade, ciente de que na integridade se encontra a maior recompensa. É um Odu que prega pureza e ética absoluta.

Encarnados em matéria, com necessidades, tentações e frustrações, temos na prosperidade e no comportamento com relação ao dinheiro o primeiro desafio que se contrapõe a nossa evolução espiritual.
Dinheiro é o passe para o mundo em matéria e Ifà é bem realista para não “demonizar” os bens materiais tão necessários a nossa sobrevivência, e a aquisição de elementos positivos para a nossa evolução na Terra, assim como o apego a elementos negativos que significam entraves para essa mesma evolução.
 
O segredo da energia dinheiro, como alimentá-la – compartilhando para que possa circular e multiplicar – com trabalho e sacrifício, é um ensinamento básico de Ifà.
A partilha do dinheiro tem sido e sempre será motivo para cobiças e guerras enquanto destinados a viver em matéria, sob o DNA vigente.
O poder extremo que o ser humano concedeu a manifestação da energia dinheiro, ao invés de usá-la e compartilhá-la como instrumento capaz de construir, transpondo barreiras e limites materiais para o bem comum,  acabou se transformando em seu algoz. Essa energia, quando fora de controle, conferindo um poder ilusório, acaba por devorar todas as virtudes que se possa ter adquirido no decorrer das muitas vidas no plano tridimensional.
Por isso Ifà adverte que as aquisições materiais, embora objetivo legítimo quando vem coroar a competência e o esforço no trabalho, não deve perder de vista a meia medida e a prioridade de promover e contribuir para o bem geral.
Enquanto a prosperidade é sadia, pois pode possibilitar o bem de muitos, a cobiça e a ganância que prejudicam o interesse alheio já trazem desequilíbrio, desagregam e acarretam sofrimentos que põem a perder uma encarnação inteira.

Segundo Ifà, o sucesso material conquistado às custas da exploração de outros é inútil e vazio, conduzindo ao nada.
Lidar com a prosperidade é um atrativo instigante – para os desavisados - e eficaz exercício de desapego, pois sua transitoriedade não permitirá que nos acompanhe na eterna Jornada. Um desafio que pode levar civilizações inteiras à derrota.


sexta-feira, 30 de novembro de 2012

A NOVA ORDEM CÓSMICA

A história remota do nosso planeta já atravessou, ao longo dos seus 4 milhões e meio de anos, Idades de Luz e Idades de Treva – ciclo do qual estamos saindo e que na linguagem das sagradas escrituras hindus denomina-se kali yuga.
O momento atual vem sendo assolado por presságios apocalíticos que chegam a profetizar a total destruição do planeta.
A descoberta da fissão nuclear que resultou na explosão de bombas atômicas marcou o início do período de transição para uma nova Era de Luz na Terra, porém não livre de ameaças sob ameaças catastróficas. Desde então, a Terra passou a ser preparada para uma nova etapa na sua e na existência dos habitantes que hospeda.

É óbvio que a Terra, como qualquer outro corpo celeste, não está entregue à revelia dos seus habitantes, para que dele e nele façam o que bem entenderem. Na Terra o livre-arbítrio dos humanos tem conduzido a espécie para situações de fome, injustiça social e guerras ininterruptas. As grandes descobertas científicas e catástrofes naturais ocorrem com o aval do Conselho de Mentores, composto por Seres Ascencionados de Luz, responsáveis por sua evolução desde os primórdios.
Em decorrência das ondas de energia de frequência mais elevada que passaram a ser emitidas por este Comando planetário, algumas pessoas vem se sintonizando com essas vibrações positivas, percebendo no seu íntimo uma espécie de “chamado para a Luz”.



Influenciadas por esse Chamado Interno, dedicam-se mais efetivamente a uma busca de valores espirituais, numa indagação sobre a sua natureza, procedência, verdadeiro propósito de estar aqui e do conhecimento sobre nossa verdadeira origem - a da nossa parte imperecível. Isto levou a mudanças na sua maneira de ser e, através de uma nova forma de ver o mundo, alinhamento com uma mentalidade diversa da vigente nas mídias.
À medida que mais se conectam com essa nova frequência, mais positivas se sentem e efetivamente vão se transformando.

Em contrapartida, conforme dizia Sathya Sai Baba, “quando aumentamos a intensidade da luz, também aumentamos a intensidade da escuridão - o que explica o aumento de violência irracional nos últimos anos” .

Então, a esmagadora maioria da população terrestre encontra-se cada vez mais inebriada e identificada com as disputas e a ilusão densa do mundo material ( que, por sua vez, se torna dia a dia mais fascinante e encantador, com suas possibilidades aparentemente ilimitadas), comprometida com as forças involutivas que, por sua vez, também se auto-alimentam e fortalecem, atraindo o nascimento de seres primitivos, identificados com essa escuridão.
Essa treva crescente se alastra e permeia "felicidades" nunca satisfeitas e desejos insaciáveis que cavam um buraco ilimitado de ansiedade egoísta, para culminar nas drogas, na ganância, na violência gratuita. Seres robotizados, nervosos e insensíveis que elevam a estatística dos crimes e dos acidentes.



Neste estágio caótico de preparação para a intervenção direta que está por vir na Nova Ordem Cósmica para a qual o planeta se prepara, torna-se bem evidente essa ruptura. Dois mundos absolutamente contrários convivem no mesmo espaço/tempo.
Pessoas que se afundam, de forma irreversível, na escuridão das suas almas até se autoconsumirem e outras que se percebem seres em plena evolução, alinhando-se rumo a mais um passo em direção a sua eterna jornada, segundo os desígnios do Grande Mistério e conscientes da sua natureza como poeiras estelares transmigrando de mundo em mundo.

Até que a grande mudança ocorra, catástrofes prosseguirão varrendo a Terra diariamente. A única forma segura de se passar ao largo e não ser arrastado para acidentes perversos ou ataques nefastos que, muitas vezes, nem estavam no nosso desígnio cármico, é o trabalho no exercício do autoconhecimento para, consumindo as trevas interiores, estar em condição de assegurar uma conexão mais compatível com as frequências de Luz para cá enviadas.

Após a necessária limpeza e "reformatação", a Nova Ordem Cósmica trará para os habitantes da nossa linhagem neste orbe, mais um ciclo de progresso real e menos doloroso, baseado na cooperação solidária, sem necessidade de legislações restritivas e punitivas.
Neste novo patamar evolutivo, quem a ele se alinhar poderá experimentar a real felicidade de vivenciar e integrar a rede do Poder Universal infinito, onde todos estão em um e cada um está em todos, transitando pela eternidade. 

segunda-feira, 12 de novembro de 2012

ILUMINANDO A SOMBRA - 3

“ A projeção no nível do ego é facilmente identificável: se uma pessoa ou coisa, nos acusa, provavelmente não estamos projetando. Se nos abala, há boas chances de que sejamos vítimas de nossas próprias projeções”.
Ken Wilber – Encontrando a Sombra


Um dos artifícios mais enganosos - e engenhosos - da nossa sombra para manutenção da zona de conforto do auto-engano é a projeção. Trata-se de uma transferência inconsciente de comportamentos nossos para outras pessoas, fazendo-nos repudiar essas características, acreditando que são estranhas a nós mesmos.
Aspectos da nossa personalidade que nos parecem inaceitáveis e que não gostaríamos de assumir, são atribuídos a objetos externos ou a outras pessoas.
Sempre que algo nos aborrece ou perturba profundamente, é porque não estamos querendo assumir esse aspecto em nós mesmos. Isto porque uma considerável carga emocional gerada pelo comportamento da outra pessoa só nos afeta quando mentimos para nós mesmos, detestando e procurando ocultar e ignorar essa mesma característica.
Tudo o que gera indignação, principalmente os preconceitos inexplicáveis, refere-se a algum aspecto não ou mal resolvido de nós mesmos.
Esse processo se inicia, em geral, simultaneamente a confecção das máscaras que passamos a usar para encobrir partes de um verdadeiro Eu que, tememos, não obtenham a aceitação/admiração geral. Projetamos nos outros as nossas deficiências inconfessadas e, muitas vezes, dizemos a eles o que seria mais apropriado dizer a nós mesmos.
Nada do que dizemos ou fazemos é acidental. No universo holográfico estamos em tudo e tudo está em nós.
Sempre que julgamos alguém, seria importante ter a lisura de examinar com toda sinceridade e nos indagar se ele não poderia ser atribuído a nós mesmos. Como diz o ditado popular, “quando apontamos o dedo para acusar alguém, há três dedos voltados para nós”.


É nesta oportunidade que a Ayahuasca, com sua clareza e imparcialidade, permite que nos perguntemos, na intimidade do Ser: - quando fui assim ou agi dessa mesma forma ?




Vivemos diante de espelhos – as outras pessoas - que refletem emoções, comportamentos e sentimentos que procuramos esconder.
A Ayahuasca é capaz de iluminar esses aspectos para que possamos reconhece-los e recuperá-los.
Uma vez que incorporamos determinada característica, outras pessoas que a compartilham já não estabelecerão um vínculo conosco, deixando de nos afetar.
È importante também observar a projeção de aspectos positivos que detectamos nas outras pessoas. Sua inteligência, sua beleza, seu poder, seu sucesso. Se queremos “ser” como a outra pessoa é porque dispomos de potencial para também sermos assim. Neste caso, a tarefa será descobrir, desvelar no nosso interior aquela mesma faceta, ainda que em estado bruto.
Procurando viver a altura do nosso potencial total, não precisaremos projetar os aspectos daqueles que o conseguiram. Desconectando deles esses aspectos, poderemos retomar a sua posse e, através de uma plena realização, ficaremos cada vez mais centrados em nós mesmos, ao invés de nos ocuparmos dos outros – sejam eles objeto de repulsa ou admiração.
O que nos abala emocionalmente – seja positiva ou negativamente - pode transformar-se num catalisador para o nosso crescimento.
A projeção é um artifício benéfico, capaz de revelar aspectos nossos que talvez permaneçam ocultos durante toda a vida. Recuperando esse determinado aspecto, temos a possibilidade de integrar a totalidade do nosso Ser.

domingo, 28 de outubro de 2012

ESPIRITUALIDADE NA MATURIDADE

“ o ancião detém o acervo da sua ancestralidade. Quando o mundo não cultiva saberes ancestrais , o povo não sabe de onde vem nem para onde vai”.
                                                            Pajé Santixiê Tapuia – do povo Tapuia Fulniô

A partir da meia idade ocorre geralmente uma crise existencial acompanhada, muitas vezes, de uma sensação de vazio e depressão.
Antes voltadas para a realidade externa - na luta pela sobrevivência e realização profissional – as pessoas priorizaram o consciente, relegando o inconsciente a um plano secundário.
Já no processo de envelhecimento, os afetos passam a pesar mais do que os conceitos – que eram ferramentas úteis para o bom desempenho na vida prática, no plano material, tendo como metas, sucesso e poder.

Respeitando os ciclos naturais afetivos, diríamos que, se na infância predomina filos, na vida adulta predominaria eros e na maturidade haveria a necessidade de se vivenciar ágape.
Isto significa honrar os ciclos impermanentes da Vida e feliz daquele que pode cumpri-los todos. A velhice é um deles e, diríamos até, seu ponto culminante.

Sublimando a depressão, prosseguem insistindo em repetir os passos de sempre, fazendo (ou tentando fazer) as mesmas coisas – o que gera frustração, devido as evidentes limitações. Numa sociedade narcisista que cultua a beleza física dentro de um padrão bem particular e idealizado, a velhice se encontrará cada vez mais deslocada.
Perante o desafio de enfrentar mudanças biológicas e psicológicas, alguns acabam numa tentativa patética de perseguição do corpo perfeito, numa solidão crescente perante o declínio inevitável.

Outros já se conscientizam de que responder as demandas emocionais de um corpo perecível, sujeito à dor e à decadência significa manter-se presa de desejos nunca satisfeitos. Voltam-se para o verdadeiro Eu, imortal, invulnerável e independente de um veículo físico.
Procuram compensar a frustração buscando a Espiritualidade. Perante o declínio físico e para fazer frente ao desamparo da finitude eminente, apegam-se a uma fé que lhe assegure a “vida eterna”. Ocorre, frequentemente, o resgate de uma crença familiar e esquecida, não livre de culpa, marcando o retorno a velha religião, reminiscência da sua infância, não raro institucional e dogmática.

- O que significa Espiritualidade para vc ? teria necessàriamente algo a ver com religião ?

Há os que enfrentam o envelhecimento como um processo de amadurecimento ligado a uma reorientação da consciência espiritual.
Passam a cultivar outros valores. Quando voltados para o corpo, haverá de ser para um corpo sadio e harmônico e não para um corpo que corresponda aos vigentes padrões de beleza. Saudável em toda a sua plenitude, servindo de instrumento para um balanço sobre todo o vivido, o fracasso ou a realização das metas estabelecidas, a busca do sentido de uma vida prestes a se encerrar.

Espiritualidade seria um processo de expressão dos níveis mais profundos do inconsciente. Uma conexão entre o Divino Interior e a Suprema Consciência Cósmica, que nos faz sentir parte do Todo. Seria a união dos, até então dissociados, conteúdos distintos da psique. Um processo rumo à transcendência e à integridade.
Nesta vivência da Espiritualidade, à medida que as máscaras – tão úteis para a sobrevivência e o sucesso no plano material - vão caindo, vai-se resgatando aquele ser pré-adolescente, num processo inverso à infância e ao parto. Permanece o que é perene, a essência.
É em forma de essência pura, despidos das cascas do ego, que deveríamos partir daqui.
Quem consegue transmutar conhecimento adquirido em sabedoria, realizou a plenitude do seu Ser, na encarnação atual.

Esse enfoque da Espiritualidade passa pelo autoconhecimento. Não é através de mentalizações da Luz que nos iluminamos, mas sim quando penetramos as regiões abissais da nossa escuridão mais profunda.

Na nossa sociedade atual / ocidental, como consequência do desrespeito à sacralidade da Vida e total desconexão com a Natureza, a velhice é achincalhada e relegada ao afastamento, como estorvo obsoleto.
A civilização do culto ao “agora” - que no momento seguinte já é descartável, valoriza o corpo jovem e suas novidades, num estranhamento as suas origens e com tudo o que veio antes - com o que aqui já estava e com os ciclos evolutivos do próprio Planeta.
Nela o ancião e o peso da sua experiência são desprezados como ultrapassados, pois tudo ocorre de maneira vertiginosa, como se a História pudesse ser reescrita a partir do zero, a cada dia.

Todas as culturas nativas da Terra reverenciam a ancestralidade e honram os anciões como elo que une o que foi ao que será, poi quem não olha e honra de onde veio, dificilmente saberá valorizar e estabelecer metas para onde vai.
As civilizações ditas primitivas respeitam os seus velhos como depositários de uma herança que permitiu que estejamos aqui hoje.
Òbviamente, o simples fato de ter atingido idade avançada não outorga ao idoso legitimidade como guardião das tradições e da sabedoria ancestral do seu povo.
Aquele que não consegue cumprir o processo de integração (consciente/inconsciente), sucumbe, muitas vezes, a um processo de infantilização e até a uma quase demência. Não se poderia, portanto, generalizar e identificar em cada ancião o arquétipo do “velho sábio”, pois há individualidades que não se realizam.

No final da década de 60 surgiu na sociedade ocidental uma experiência cultural transformadora que implantou um novo paradigma voltado para uma concepção holística da Natureza e da Espiritualidade, que contemplava desde o ocultismo metafísico, até as práticas de meditação orientais e de estados alterados de consciência, a filosofia budista, a teosofia e suas ramificações , até a psicologia transpessoal e uma medicina voltada para a manutenção da saúde .
Este movimento eclético e multicultural – conhecido como Nova Era - vem influenciando também uma Espiritualidade alternativa desenvolvida por pessoas que não se alinham as religiões institucionais e dogmáticas.

No limiar do atual milênio há movimentos crescentes de resgate da memória ancestral, onde anciões são reconhecidos como lideranças dos respectivos povos, num propósito de reconexão com os significados essenciais da Vida, para que juntos possamos cuidar do nosso planeta e do bem viver da humanidade na Terra.
Trata-se de uma tomada de consciência rumo a um caminho inverso - que contempla não o consumo desenfreado, mas o respeito aos recursos finitos e a sustentabilidade como valores essenciais para a sobrevivência nossa e dos que virão, incluindo as espécies animais e vegetais. Da mesma forma, a preservação das espécies imateriais, expressões da criação humana, como a música, as artes, a literatura.




Um exemplo disso foi o Encontro do Conselho Internacional das Avós Nativas, realizado em Brasília no ano passado.

Representantes anciães, lideranças das mais diversas etnias da Terra vieram, neste momento tão crítico que o Planeta atravessa, reverenciar, valorizar e discutir o “ontem” através da ancestralidade que nos conduz ao presente e a um futuro que conjugue valores culturais, sociais, econômicos e ecológicos.

Resumo da palestra proferida pela autora na UNIFESO (Centro Universitário Serra dos Órgãos) em 26/10/12.